Alfonso Herrera completa 43 anos nesta sexta-feira (28) em um momento que resume bem o caminho percorrido desde que o mundo o conheceu como Miguel Arango, de Rebelde. Uma semana antes do aniversário, o mexicano estreou na Netflix La Captura, thriller dirigido por Chava Cartas que rapidamente se transformou em um fenômeno internacional.

O longa chegou ao primeiro lugar do Top 10 global de filmes de língua não inglesa da Netflix e somou 18 milhões de visualizações no primeiro fim de semana. A produção entrou no Top 10 em 90 países e liderou em 24 territórios na primeira semana, tornando-se a estreia de um filme de língua não inglesa com maior audiência na plataforma em 2026 até agora.

Nos rankings diários, o alcance continuou crescendo. Nesta sexta, La Captura aparece no topo mundial da Netflix e já chegou à liderança em dezenas de países. Herrera admitiu que nem a equipe esperava uma resposta desse tamanho: “Nenhum de nós poderia prever isso. Foi uma surpresa total”.

É uma coincidência especialmente simbólica para um ator que passou boa parte das últimas duas décadas construindo uma carreira que pudesse existir para além do fenômeno pop que o tornou mundialmente conhecido.

Antes de Miguel Arango, já havia um ator

Alfonso Herrera nasceu em 28 de agosto de 1983, na Cidade do México, e começou profissionalmente no início dos anos 2000. Antes de Rebelde, passou pelo teatro, estreou no cinema em Amar te Duele, de Fernando Sariñana, em 2002, e chegou à televisão no mesmo período com Clase 406.

Foi em 2004, porém, que tudo mudou. Escalado para interpretar Miguel Arango em Rebelde, Herrera passou a integrar também o RBD ao lado de Anahí, Dulce María, Maite Perroni, Christian Chávez e Christopher von Uckermann.

A novela se transformou em fenômeno internacional e levou o grupo para muito além da ficção. Discos em espanhol, português e inglês, turnês internacionais e duas indicações ao Grammy Latino colocaram o RBD entre os maiores fenômenos do pop latino dos anos 2000.

Para milhões de pessoas, Alfonso poderia ter permanecido para sempre associado a Miguel e ao grupo. Ele escolheu outro caminho.

O fim do RBD e uma decisão diferente dos demais integrantes

Depois do encerramento do ciclo original do RBD, em 2009, Herrera não construiu uma carreira musical solo. O foco passou definitivamente para atuação e dublagem.

Nos primeiros anos dessa transição, vieram produções como Mujeres Asesinas, Camaleones, El Equipo, La Dictadura Perfecta e El Dandy. Foi um período menos ruidoso que a explosão de Rebelde, mas essencial para reposicioná-lo profissionalmente.

Anos depois, quando o RBD voltou aos palcos com a Soy Rebelde Tour, em 2023, Herrera foi o único dos seis integrantes originais a não participar. Na época, explicou que estava satisfeito com os projetos em que trabalhava e que sua energia profissional estava direcionada a eles.

A decisão já fazia mais sentido naquele momento: Alfonso tinha construído uma carreira internacional como ator que não dependia mais da nostalgia de Rebelde.

“Sense8” e “O Exorcista” abriram outra escala para a carreira

A virada internacional ganhou força em 2015 com Hernando Fuentes, de Sense8. Na série criada pelas irmãs Wachowski para a Netflix, Herrera interpretou o namorado de Lito Rodríguez, personagem de Miguel Ángel Silvestre.

O trabalho ampliou sua exposição fora do mercado latino e foi seguido por outro papel importante: o padre Tomás Ortega, protagonista de O Exorcista, série da Fox inspirada na franquia clássica de terror. Herrera permaneceu na produção durante suas duas temporadas.

A partir dali, sua filmografia passou a transitar com naturalidade entre produções mexicanas e grandes projetos internacionais. Vieram, entre outros, Queen of the South e a quarta e última temporada de Ozark, na qual interpretou Javi Elizondro, um dos principais antagonistas do encerramento da série.

Também entrou para o universo de Zack Snyder como Cassius em Rebel Moon, lançado pela Netflix em duas partes entre 2023 e 2024.

“O Baile dos 41” trouxe o reconhecimento do cinema mexicano

No meio dessa expansão internacional, Alfonso Herrera também protagonizou um dos trabalhos mais importantes de sua carreira no México.

Em O Baile dos 41, dirigido por David Pablos, interpretou Ignacio de la Torre y Mier, genro do então presidente mexicano Porfirio Díaz. O filme parte de um episódio real ocorrido em 1901, quando uma festa frequentada por homens gays foi invadida pela polícia na Cidade do México.

A interpretação rendeu a Herrera o Prêmio Ariel de Melhor Ator em 2021, principal reconhecimento da Academia Mexicana de Artes e Ciências Cinematográficas.

Mais do que acrescentar um prêmio à filmografia, o trabalho consolidou uma característica que se tornaria recorrente em suas escolhas: personagens complexos, inseridos em histórias atravessadas por questões sociais, políticas ou históricas.

2026 começou com “A Casa dos Espíritos”

Antes de La Captura, Herrera já havia assumido neste ano outro dos maiores desafios da carreira.

Na adaptação de A Casa dos Espíritos para o Prime Video, baseada no clássico de Isabel Allende, ele interpreta Esteban Trueba, patriarca que atravessa diferentes décadas da história e ocupa o centro da saga familiar. A série estreou em abril depois de uma produção realizada no Chile.

Herrera descreveu o papel como especialmente complexo pela necessidade de acompanhar as mudanças físicas, emocionais e geracionais do personagem ao longo da narrativa. Ao falar sobre sua trajetória durante a divulgação da série, disse que já não sente necessidade de demonstrar que é ator para além do ídolo juvenil que foi.

Na mesma entrevista, retomou a própria passagem pelo RBD de uma maneira diferente da ruptura que frequentemente acompanha as perguntas sobre o grupo: para ele, Rebelde falava sobre perseguir sonhos e não desistir — e foi justamente o que fez depois.

“La Captura” coloca Alfonso Herrera novamente no centro de um fenômeno global

Agora, aos 43 anos, é La Captura que acrescenta um novo capítulo à história.

No longa, Alfonso interpreta Arturo Carmona, um dos dois policiais federais que interceptam o veículo em que Joaquín “El Chapo” Guzmán tenta fugir depois da operação realizada em Los Mochis, em janeiro de 2016. Noé Hernández interpreta seu parceiro, Héctor Rosales.

A produção escolhe um ângulo diferente das diversas obras já produzidas sobre o narcotraficante. Em vez de colocar El Chapo no centro, acompanha os policiais diante do medo, da corrupção e da dúvida sobre em quem confiar enquanto têm sob custódia um dos homens mais procurados do mundo.

Para Herrera, foi justamente essa mudança de perspectiva que tornou o projeto interessante: contar uma história ligada ao narcotráfico a partir daqueles que decidiram cumprir seu trabalho, e não novamente pelo ponto de vista do criminoso.

Lançado em 21 de agosto, o filme precisou de poucos dias para se transformar no maior lançamento internacional da atual fase da carreira do ator.

Vinte e dois anos depois de Rebelde, Alfonso Herrera chega aos 43 sem precisar apagar Miguel Arango ou o RBD da própria história. Mas o sucesso de La Captura deixa claro o tamanho da carreira que ele construiu depois deles.