Durante anos, o Brasil pareceu existir em uma espécie de ponto cego na agenda de Ricky Martin.

O porto-riquenho continuou fazendo shows, lançando músicas e percorrendo diferentes mercados internacionais. América Latina incluída. Mas o público brasileiro ficou fora das rotas de suas turnês.

Em 2026, alguma coisa mudou.

Em fevereiro, Ricky veio ao Rio de Janeiro para acompanhar o Carnaval. Em maio, retornou à cidade para dividir o palco com Luan Santana e gravar a parceria “Estranho”. E agora já tem uma terceira passagem marcada: no dia 27 de setembro, estará no Maracanã ao lado de Pedro Sampaio no show do intervalo do primeiro jogo da NFL realizado no Rio de Janeiro.

Separadamente, poderiam parecer três aparições pontuais.

Juntas, começam a contar outra história: Ricky Martin está reencontrando o Brasil.

A última turnê de Ricky Martin no Brasil foi em 2011

Para entender por que três visitas em poucos meses chamam atenção, é preciso voltar 15 anos.

A última vez que Ricky Martin trouxe uma turnê própria ao Brasil foi em agosto de 2011, com a Música + Alma + Sexo World Tour.

Foram três apresentações: São Paulo, no dia 26 de agosto; Rio de Janeiro, no dia 27; e Porto Alegre, no dia 30. Depois, a turnê seguiu para outros países da América do Sul.

Desde então, o cantor não voltou ao país com uma nova excursão própria.

Isso não significa que Ricky tenha desaparecido da estrada. Muito pelo contrário. Ao longo desses anos, o artista seguiu excursionando internacionalmente e manteve presença em outros mercados latino-americanos.

O Brasil, porém, deixou de ser uma parada habitual.

É justamente por isso que 2026 começa a parecer diferente.

Primeiro, o Carnaval

A reaproximação começou fora dos palcos.

Em fevereiro, Ricky desembarcou no Rio para acompanhar o Carnaval e voltou a demonstrar publicamente uma relação afetiva com o país.

O cantor acompanhou os desfiles e chegou a dizer que a experiência do Carnaval brasileiro era única. A visita poderia ter permanecido apenas como férias de uma estrela internacional no Rio.

Três meses depois, ele estava de volta.

Depois, veio Luan Santana

Em maio, Ricky Martin retornou ao Rio de Janeiro para participar do show de Luan Santana no Parque Olímpico.

Diante de dezenas de milhares de pessoas, os dois apresentaram a parceria “Estranho”, versão em português de “Te Extraño, Te Olvido, Te Amo”, sucesso lançado originalmente por Ricky em 1995.

O encontro também serviu para a gravação do videoclipe da música, registrado durante o espetáculo.

Não era mais apenas Ricky visitando o Brasil.

Desta vez, havia uma colaboração com um dos principais artistas populares do país, cantada em português e registrada diante de um público brasileiro.

Era outra forma de aproximação.

Agora Ricky Martin vai ao Maracanã

A terceira passagem acontecerá em 27 de setembro.

Ricky Martin e Pedro Sampaio foram anunciados para o show do intervalo do NFL Rio Game, que colocará Baltimore Ravens e Dallas Cowboys frente a frente no Maracanã.

Será a primeira partida da NFL realizada no Rio de Janeiro.

E existe algo especialmente interessante nesse encontro.

Ricky pertence à geração que transformou o pop latino em fenômeno global muito antes do streaming.

Pedro Sampaio representa outra etapa dessa internacionalização: um artista brasileiro levando o funk para outros mercados sem abandonar a identidade sonora que construiu no Rio de Janeiro.

No Maracanã, esses dois caminhos vão se encontrar.

De um lado, um dos nomes que ajudaram a abrir espaço mundial para artistas cantando em espanhol. Do outro, um brasileiro que faz o movimento inverso e começa a exportar para o mundo um gênero nascido nas periferias cariocas.

Mais do que dois artistas populares escalados para um intervalo esportivo, existe ali um pequeno retrato de como a circulação da música latina mudou nas últimas décadas.

Três passagens pelo Brasil em menos de um ano

Quando Ricky Martin subir ao palco do Maracanã, terá passado pelo Brasil três vezes em 2026.

Fevereiro: Carnaval.

Maio: Luan Santana e “Estranho”.

Setembro: Pedro Sampaio e NFL.

Não há anúncio oficial de que essa sequência faça parte de alguma estratégia específica para o mercado brasileiro. Também não existe, até agora, uma turnê própria confirmada para o país.

Mas é difícil ignorar a mudança de frequência.

Depois de anos em que o Brasil permaneceu fora das rotas de Ricky, o país reaparece repetidamente na trajetória do cantor em um intervalo de poucos meses.

E de maneiras diferentes: turismo e cultura, colaboração musical e agora um dos maiores eventos esportivos internacionais realizados no país.

Mas ainda falta o principal

É aí que existe uma diferença importante.

Nenhuma dessas três passagens substitui aquilo que os fãs brasileiros não recebem desde 2011: um show completo de Ricky Martin.

No Carnaval, Ricky era visitante.

No show de Luan Santana, foi convidado.

Na NFL, dividirá uma apresentação especial no intervalo de uma partida.

São encontros importantes e ajudam a recolocar o Brasil na narrativa recente de sua carreira. Mas ainda não significam a volta do país às rotas de suas turnês.

Quinze anos depois da Música + Alma + Sexo World Tour, talvez a pergunta já não seja mais se Ricky Martin continua interessado no Brasil.

2026 está dando sinais suficientes de que sim.

Agora falta a visita que realmente encerraria esse reencontro:

Ricky Martin voltar ao Brasil para fazer o seu próprio show.