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Multiplicação dos programas de talentos dão poder à caça e revolucionam indústria musical

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Laura Pausini venceu o Festival de Sanremo com La Solitudine

Os caçados ganharam maior poder diante dos caçadores. Esse é o efeito prático mais forte do incremento do número dos programas categorizados como “show de talentos”, que ganharam uma adesão inédita. A revolucionária plataforma de streaming Netflix se rendeu ao formato centenário e incluiu em seu cardápio de produções originais para 2019 o reality show Rhytim + Flow, onde jurados buscam um novo astro do Hip-Hop.

É mais uma vitrine entre as muitas que têm sido abertas nos últimos anos para a exibição de cantores e cantoras em busca de espaço. A necessidade da produção de conteúdo abre a oportunidade de que candidatos à fama tenham seus 15 minutos – que por vezes podem ser limitados a 15 segundos – de exposição em rede planetária, uma vez que muitos desses programas são exibidos em dezenas de países além, naturalmente, das plataformas na rede mundial de computadores, o que estende ainda mais a possibilidade de que atinjam o objetivo a que se propõem.

Fórmula nasceu no rádio e foi consagrada na Itália

Embora o novo membro do clube dos programas de caça-talentos seja o site que vem ditando as regras na produção de audiovisuais, o formato de show de talentos é centenário. Ele nasceu antes mesmo do visual ser colado ao áudio. É fruto da era do rádio, onde a voz aparecia como fator determinante para o nascimento das grandes estrelas. No entanto, sua primeira ‘franquia’, em uma era onde a Internet ainda não havia nascido, teve grande influência da televisão.

O Festival de Sanremo ocupou por algumas décadas o trono de maior show de talentos do mundo. Criado em 1951, antes do início da operação da TV, o evento que tem como sede uma pequena cidade no interior da Itália, tomou impulso quando passou a ser exibido na tela da RAI, que tratou de espalhar suas imagens por outras partes do mundo. Embora tenha sofrido interrupções, sobrevive até hoje contabilizando 69 edições.

Gerou até um derivado, o Festival Eurovision, que tem etapas em dezenas de países do Velho Continente. Porém, como adquiriu um caráter de disputa entre nações e a competitividade sobrepuja a procura por talentos, nunca conseguiu se igualar em status ao evento italiano.

San Remo serviu de inspiração para gerações de produtores de caça-talentos

O programa italiano foi o ponto de partida para uma série de programas com o mesmo formato. No Brasil, o principal deles foi o Festival da Música Popular Brasileira, exibido pela TV Record, que na década de 60 do século passado, deu palco e projeção a talentos como Elis Regina, Edu Lobo, Vinicius de Morais, Roberto Carlos, Os Mutantes, Gilberto Gil, Chico Buarque, Nara Leão, entre outros, que cantaram ou tiveram os seus versos cantados nas cinco edições daquele que ficou marcado como maior show de talentos do país.

Houve versões mais simples – ou toscas – como o Show de Calouros, no Programa Silvio Santos, que vai ganhar uma nova temporada, ou as exibições no Programa do Chacrinha, da TV Globo, que também, de certa forma, seguiam o mesmo formato embora, muitas vezes, a procura pela descoberta de talentos ficava em segundo plano e o objetivo muitas vezes era pela comédia com a apresentação de candidatos que faziam rir justamente por sua carência de dons musicais.

Era uma espécie de karaokê ao vivo. O passatempo que foi inventado no Japão nos anos 70 e ganhou força com a onda de programas de procura de talentos, virou moda sendo inspiração para bares temáticos que sobrevivem até hoje não apenas como forma de diversão, mas também como ponto de partida para a carreira de cantores e cantoras. Virou um ícone da cultura popular tornando-se inspiração para jogos online como o Karaoke Party, que pode ser encontrado no Betway cassino online, e até mesmo de conjuntos de aparelhos e programas em que ao final da performance do candidato a astro uma nota é concedida para a sua apresentação.

Cenário atual é dominado pelas grandes franquias internacionais

Outras atrações, como o Programa Raul Gil, até conseguiram dar um passo adiante deixando o lado estilo caricato e amador de lado e buscando realmente descobrir talentos. No entanto, acabavam esbarrando na falta de recursos na hora de concorrer com empresas internacionais que investiam pesado nos seus formatos e tendo as suas asas cortadas nas tentativas de voos mais altos. O cenário dos programas de caça-talentos acabou sendo dominado por franquias internacionais.

A Rede Globo de Televisão, que nunca pode ser considerada uma das grandes adeptas da modalidade, adquiriu o direito de produzir a versão nacional do The Voice, programa onde jurados/treinadores preparam seus pupilos para a competição.

Dessa maneira, foi aberto o leque para que mais talentos surgissem e mostrassem seus dotes. No entanto, no final das contas, existe o afunilamento e o formato dos programas exige que exista apenas um vencedor. O que leva os novos shows de talento de volta às origens, restringido o espaço dos holofotes para somente o escolhido. A grande diferença é que ao longo do processo os espectadores não apenas têm o poder de direcionar essa opção com o uso das ferramentas de interação apresentadas pelas redes sociais como simplesmente podem ignorar as opções dos jurados oficiais, uma vez que mesmo aqueles que não vencem encontram formas de seguir exibindo seu talento. Algo que as mídias antigas não permitiam. É a revolução da indústria musical em que cada espectador torna-se um caça-talentos.

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