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Entrevistas

India Martinez

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India Martinez fala com exclusividade ao Latinpop Brasil

Entrevista de estreia é sempre a mais difícil. Porque além de encontrar alguém que tope o desafio de fazer algo novo junto com você, esse personagem precisa ter identidade com o tema, neste caso a fusão entre a música latina e o Brasil. Foi numa noite de sábado, num chat despretensioso, que a Nanda, o Gil, o Rafa e eu, começamos a ouvir juntos algumas músicas da India Martinez. A Nanda alertou que a versão dela de Suerte (Whenever, Wherever), no disco Otras Verdades, tinha acordes de capoeira. O insight foi coletivo: vamos tentar falar com ela!

E como tudo aquilo que tem que ser simplesmente é, recebemos a confirmação de que ela falaria conosco na segunda-feira seguinte. Esperamos por uma brechinha na agenda até que ela pudesse conceder a entrevista. Na última terça-feira, India Martinez conversou com o LatinPop Brasil direto da Espanha, por telefone, e nos deu a certeza de que não poderíamos ter feito melhor escolha.

Simpática e talentosíssima, India – nascida Jennifer Jessica Martinez Fernandez – faturou no último sábado, dia 7 de fevereiro, os Premios Goya com a canção Niño Sin Miedo, do filme El Niño. E para colocar a cereja no nosso bolo,  a espanhola revelou ser praticante de capoeira e contou que já esteve no Brasil para treinar com o mestre Lua Rasta em Salvador e é apaixonada pelo país.

Eu já estive no Brasil, em Salvador e no Rio de Janeiro, para mergulhar na capoeira, com um mestre chamado Lua Rasta na Bahia e foi um privilégio para mim estar na sua casa e andar pelas ruas praticando capoeira. Sobretudo, vendo e aprendendo. Através da capoeira, sinto muito a música brasileira e pouco a pouco vou descobrindo-a.

 


Aos 29 anos, a cantora nascida em Córdoba, na região da Andaluzia (Espanha), disse ainda que gostaria de trabalhar com Ivete Sangalo e Marisa Monte, contou um pouco de sua paixão pela cultura árabe e falou sobre os planos para 2015.

Confira a seguir a entrevista exclusiva de India Martinez ao LatinPop Brasil:

LatinPop Brasil: O mundo da música descobriu a India Martinez ainda no Veo, Veo, em 1998. Agora conta pra gente quando foi que a Jennifer descobriu a música?
India Martinez: Há muito tempo. Eu sempre tive isso muito claro desde muito pequena, como você mesma disse, e a cada dia me dei conta mais e mais disso. Não posso viver sem subir no palco, sem cantar, sem transmitir o que necessito. [a música] Se transformou em uma forma de me expressar, inclusive.

LP: Por que escolheu India como nome artístico?
IM: Quando eu fui assinar meu primeiro contrato, aos 17 anos, meu manager àquela época disse que eu precisava de um nome que andasse comigo, que combinasse com a minha música e com a minha forma de ser. Acabei escolhendo India também por meus traços físicos, tenho a pele morena, cabelos longos. É muito racial, muito exótico. Eu gostei desde o primeiro momento.

LP: Pensou em seguir alguma outra carreira?
IM: Talvez em algum momento mais difícil, mas sempre pensei que estava fazendo aquilo que eu gosto e acabava me dando conta de que esse era o meu caminho, mesmo que encontre nesse caminho obstáculos e momentos difíceis. É preciso ter paciência e seguir adiante.

LP: Qual é o segredo para transformar o flamenco, algo tão ligado às raízes andaluzas, em música pop?
IM: Na realidade, eu não sei qual é o segredo. Eu, simplesmente, faço aquilo que eu sinto. Venho do flamenco, é o que sempre amei, e acabo usando o flamenco para entender outras músicas. É uma boa base para mim e me sinto agradecida a ele, e a melhor de fazer isso é mostrando o flamenco em cada partezinha do mundo em que vou, porque é muito grande.

LP: Você compõe e canta. Qual dessas etapas é mais prazerosa? O que te inspira á hora de escrever uma nova letra?
IM: Eu me inspiro em qualquer situação em que me encontro ou que está ao meu redor, qualquer história real. Gosto muito de falar das minhas verdades, dos valores e, muitas vezes, refletir em cima de algum tema social que me preocupa, onde eu possa colocar meu grão de areia. Gosto de participar [do processo de criação] da letra, da melodia, às vezes com meu violão, e em equipe, ao lado dos meus produtores e autores favoritos com os quais eu sempre conto. Somos uma equipe muito boa e muito fiel ao meu estilo.

LP: No disco Trece Verdades você canta uma música em árabe e, recentemente, no disco Dual você faz um dueto com Rachid Taha que é argelino e canta em árabe, você tem descendência ou alguma relação próxima com essa cultura? O que te levou gravar uma música em um idioma tão diferente do habitual?
IM: Eu descobri [a cultura árabe] muito pequena e junto com o flamenco sempre foi minha música favorita, é uma paixão. Então, em cada coisa que faço, em cada disco, ou em cada show ao vivo, a música árabe sempre aparece. Inclusive, é dessa forma que vou aprendendo a pronunciar melhor. Acho que tem muito a ver com o flamenco. Sobretudo, sou uma apaixonada pela cultura árabe e gosto que ela faça parte de mim. Não é uma música muito comercial, não faz parte desse mundo latino, mas eu continuo cantando e vou seguir cantando sempre.

LP: Já no álbum Otras verdades você faz regravações de algumas músicas do mundo latino, como se deu a escolha destas músicas? Há alguma música que você goste muito e não tenha conseguido incluir nesse repertório?
IM: Foi muito difícil porque eram músicas de grandes artistas que eu admiro. Queria cantar alguma canção do Alejandro Sanz, por exemplo. Às vezes, eu escolhia primeiro a música e depois sabia de qual artista era. As que estão ali são músicas pelas quais eu me apaixonei e trabalhei nelas com muito carinho, com muito respeito aos artistas que cantaram originalmente. Bem, cada uma delas pra mim é especial. Ah, sim, teve uma música que eu queria incluir, Aicha, também argelina, que no fim acabou ficando para Camino De La Buena Suerte, meu disco seguinte.

LP: Dual, por sua vez, é o álbum dos duetos. Você já cantou com alguns dos principais nomes da música latina. Tem alguém com quem gostaria de trabalhar e ainda não conseguiu, no mundo latino ou fora dele?
IM: Além do Alejandro Sanz, o Marc Anthony, por exemplo. Gosto muito da salsa e da bachata que ele faz. Depende muito do dia que você me perguntar, porque eu admiro tantos artistas e em algum momento eu gostaria de compartilhar o palco com alguns deles. A música brasileira é outra que me fascina.

LP: Suerte faz claras referências à cultura brasileira, com o canto da capoeira na introdução. O que você conhece de música brasileira? Já pensou em cantar com alguém daqui?
IM: Ainda não tive a oportunidade de conhecer nenhum artista brasileiro pessoalmente, mas a Ivete Sangalo canta muito bonito. A Marisa [Monte], por exemplo. Uma das minhas paixões é a capoeira, eu pratico capoeira, inclusive, faz dois anos e meio. Temos um grupo e fazemos viagens para diferentes cidade. Eu já estive no Brasil, em Salvador e no Rio de Janeiro, para mergulhar na capoeira, com um mestre chamado Lua Rasta na Bahia e foi um privilégio para mim estar na sua casa e andar pelas ruas praticando capoeira. Sobretudo, vendo e aprendendo. Através da capoeira, sinto muito a música brasileira e pouco a pouco vou descobrindo-a.

LP: E você gostou do país? Como você sentiu o Brasil?
IM: É uma loucura. Estive poucos dias, mas gostaria de voltar porque ficaram tantas coisas para ver e descobrir. Tomara que eu volte logo.

LP: Niño Sin Miedo foi uma música criada especialmente para o filme El Niño, concorrendo aos Premios Goya. Qual a diferença entre produzir uma música especialmente para o cinema e para um CD próprio?
IM:É diferente porque já começa com uma história, com imagens, sobre as quais você tem que colocar música. É um grande desafio. Neste caso, foi muito satisfatório, porque correspondeu exatamente com o que fala o filme. Sou muito grata pela oportunidade.

 

LP: Sua música rompe fronteiras. Agora, por exemplo, você está falando diretamente com o Brasil. Imaginou chegar tão longe quando iniciou a carreira?
IM:Na verdade, não. A pessoa sonha, imagina as coisas, mas nunca é tão palpável e tão incrível como quando você realmente está sentindo, quando estão acontecendo as coisas que eram sonhadas na infãncia. É maravilhoso poder me dedicar ao que amo. E constantemente vou tentando alcançar mais, aprender e fazer esse sonho um pouco maior.

LP: O que podemos esperar da India Martinez para 2015?
IM: Estou acabando uma turnê na Espanha e agora vou passar uma temporada fora porque, antes de gravar meu próximo disco, preciso buscar fôlego, inspirações novas, preciso me renovar. Estarei na América Latina, Miami, Argentina (onde tenho um dueto com um grande cantor, o Abel Pinto), no México, nos Estados Unidos e espero mergulhar na minha música. Adoraria ter uma pequena oportunidade que fosse de voltar ao Brasil e mostrar minha música.

Confira todo o áudio da entrevista:

 

 

* colaboração Fernanda Cabrera e Thiago Gil

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