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Habla, Pri

Vanguardista, Jorge Drexler reinventa conceito de espetáculo na Silente Tour

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@LatinPop Brasil / Reprodução proibida

É preciso coragem e ousadia para encarar uma plateia de mais de mil pessoas sozinho, apenas acompanhado de voz, violão e muito talento. Para quem acompanha a carreira de Jorge Drexler, sua aura vanguardista e arrojo não são novidade.

Ainda assim, a Silente Tour não deixa de surpreender. Pelo seu paradoxo conceito de exaltar o silêncio em um evento musical e pela produção simples, mas curiosamente uma das mais detalhadas da carreira do uruguaio.

Meticulosa, bem elaborada, despojada e com o artista como protagonista, a turnê anda na contramão da indústria musical atual, que privilegia a pirotecnia e o glamour no palco, com danças, efeitos e ruído, muito ruído.

Com o médico que se aventurou (obrigada por isso, Universo) a escrever canções, a história é outra. Sua presença preenche. E ele entendeu que poderia segurar um longo espetáculo na interação com o público, no repertório fino, no carisma e na voz.

Drexler precisa de pouco para fazer muito. O que eu vi no Teatro Bradesco na noite da última quinta-feira, 6 de junho, foi uma reviravolta na forma – a minha, em particular – de saborear um show, fosse esperando o humor ácido e inteligente entre canções e na audição quase artesanal de uma seleção de sucessos.

Colecionador de troféus, o artista acumula proporcionalmente êxitos, sem ser necessariamente um cantor que depende de números. Foi assim, com uma canção sem videoclipe, que ele arrebatou os dois principais prêmios do Grammy Latino de 2018 – Gravação e Música do Ano, os mais pops do evento.

Em uma indústria que cobra views e streams,  Drexler passeia com sua serenidade habitual à frente das cobranças discográficas. É maior do que isso. Não precisa disso.

Em um mundo que se acostumou ao futebol de resultados, o nativo de Montevidéu, no Uruguai, sede da primeira Copa do Mundo da história, é daqueles que jogam futebol-arte.  E a arte agradece.

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