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Habla, Pri

Sobre Despacito, Maluma e Luis Fonsi: o borícua deu show no Brasil

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Luis Fonsi virá ao Brasil em maio para turnê

“Eu adoro Luis Fonsi, mas cara, estou muito cansado. Te adoro, mas Despacito tem que ir”, disse Maluma em um jogo proposto pela Billboard no qual deveria escolher qual música não aguentava mais ouvir. Mi Gente, do J Balvin, e El Farsante, do Ozuna, eram as outras opções.

É provável que nem Luis Fonsi aguente mais ouvir e falar de Despacito. Nós, por exemplo, tomamos uma decisão editorial de fazer nossa entrevista com ele sem tocar na música do século.

A esperada saturação, no entanto, não tira os méritos da canção. Menos ainda do porto-riquenho, que deu um show de profissionalismo em sua passagem pelo Brasil. Em um país em que sua carreira se resume, à maioria das pessoas, a dois singles, ele respondeu às mesmas perguntas sem perder a simpatia peculiar.

O recado foi dado de maneira sutil: “completo 20 anos de carreira em setembro”, disse no Domingão do Faustão e no Danilo Gentili. “Eu vim do pop”. Era quase um grito de “Brasil, eu sou mais do que Despacito“.

Mas daquele jeito Fonsi de ser: sereno, tranquilo e imensamente feliz por tudo o que a canção lhe trouxe. Fonsi é grato ao seu hit. Pode estar cansado de ver as mesmas pautas em todos os lugares, mas entende que faz parte do jogo. Do seu jogo. Aquele sem adversários para tantos recordes e prêmios.

À imprensa brasileira, o recado: desperdiçar um dos talentos mais aclamados da indústria latina em duas décadas mostra despreparo. É o mesmo que acontece com Laura Pausini e sua relação com Hebe, por exemplo, a pergunta que nunca deixa de ser feita quando a italiana vem ao país.  Reduzi-los a um fato ou outro é um erro crasso.

Com voz ao vivo e performances impecáveis, Luis Fonsi veio ao Brasil para dar show mesmo antes da turnê começar. Notava-se que sua vontade de nunca mais sair do mercado brasileiro era tanta que ele entregou tudo o que tinha. Toda a sua energia ficou nos palcos de Globo, Record e SBT.

Fonsi é desses artistas raros. Além da inteligência e articulação para falar de política a música, foi o primeiro a enxergar o mercado além. Se reinventou para não ficar amarrado às baladas que ama, mas não era o que a indústria atual pedia. Não teve medo de julgamentos ao se arriscar. Abriu as portas do mundo todo para a música latina.

Então, Maluma, eu entendo que você esteja cansado de Despacito, mas deveria ter tido mais jogo de cintura na brincadeira maliciosa da Billboard, que conseguiu o que queria: repercutir. Pode ser que muita gente aqui no Brasil também já tenha se cansado de você, mas teremos de vê-lo a cada 20 minutos na TV vendendo chinelos. Faz parte.

Tomara que em algum momento de sua carreira, o mundo bata na mesma tecla que não seja machismo e misoginia. Ou sua beleza. Ou sua vida além da música. Isso deve ser bem mais cansativo do que falar sobre Despacito, não?

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