Connect with us

Habla, Pri

Minha saga para ver Jorge Drexler no Brasil

Published

on

Jorge Drexler - Divulgação

Já tinha deixado preparado um texto falando sobre a minha tristeza, angústia, insatisfação, raiva, e todos os adjetivos do gênero, por não conseguir ir ao primeiro show da turnê Bailar En La Cueva, do Jorge Drexler, aqui no Brasil. Foi uma luta travada com a produtora do show – W+ Enterntaiment – desde janeiro, quando foi anunciado que o intérprete de Al Otro Lado Del Rio voltaria a São Paulo. Nunca recebemos um sim, não, talvez, muito obrigado, da empresa. Me sentia boicotada, censurada. Impedida de exercer meu ofício.

O motivo? Colocamos o dedo na ferida ao comparar divulgação x vendas de ingressos de Jorge Drexler e Dulce Maria, goleada a favor do Uruguai sobre o México, ambos os shows da mesma produtora no Brasil. Não vou me alongar nesse assunto. Se quiser saber mais, clique AQUI.

O final feliz dessa história começa há três anos. 2012 foi a minha temporada produtora. Foi o ano em que trouxe Manuel Carrasco, meu ídolo-mor, para tocar no Tom Jazz. Nessa época, conheci seu antigo empresário, Morgan. Por ironia do destino, manager de Jorge Drexler. Foi ele quem me convidou para ver a apresentação do uruguaio há dois anos, no Bourbon Street, aqui na capital paulista. Lá eu falei meia dúzia de elogios a Drexler e vi um dos shows mais sensacionais da minha vida, o que voltaria a acontecer na noite dessa quinta-feira, 26 de março. Histórica.

Estava em uma reunião quando vi que Morgan me perguntou, via Twitter, se eu estaria no show. Respondi que não. Não tinha ingresso, não tinha credenciamento, e eu estava desolada. Era o primeiro show latino desde a estreia do LatinPop Brasil. E estávamos fora. No trânsito, a caminho de casa, recebo a mensagem: começamos em 45 minutos, tenho dois convites, você vem? Fui, claro. Correndo, suada, sem comer. Mas fui. Já diz o ditado: quem tem amigo, não morre pagão. Ou padrinho. É alguma coisa assim, válida para o momento.

Cheguei já na metade da primeira música. Ver Jorge Drexler no palco é um deleite. É ali que a gente entende porque o chamam de uruguaio mais brasileiro do mundo. E toda a devoção do público brasileiro por ele. Afinal, não é qualquer um que esgota ingressos em menos de um mês sem nenhuma promoção, não é mesmo? Além do timbre muito semelhante ao de Caetano Veloso, ele tem gingado na voz. E no papo. Ah, que papo. Tirei uma foto do show e postei no Facebook. Minha mais recente melhor amiga que adora meus textões, Ana Cris Gontijo, respondeu que estava falecendo de inveja. O que me levou à conversa que nós duas tivemos no sábado à noite sobre mineirices, hospitalidade, cercania. Drexler é mais do que um uruguaio – barra – brasileiro. É um mineiro uruguaio. Ou uruguaio mineiro. Ô hômi pra gostar de uma prosa!

É impressionante como ele, franzino, preenche um recinto suntuoso como o Teatro Bradesco com suas histórias. Algumas contadas em forma de melodia. Outras só faladas. Entre mujicadas e canções, Drexler se transforma em um monstro sobre o palco. Impossível não se render ao seu imenso carisma, inversamente proporcional à dimensão geográfica de seu país de origem. Impossível não se impressionar com a qualidade de suas letras e seu potencial imaginário. Cada música tem sua história e ele faz questão de contá-la, como La Luna de Rasquí, da noite em que ele conversou com a lua em pleno Caribe venezuelano.

Drexler, de origem alemã-judaica, de família fugida da guerra, acolhida na Bolívia, formada no Uruguai. Assim como os brasileiros, multi-étnico. Assim como os brasileiros, plural. Médico, cantor, ator, poeta, contador de histórias. E, não sei a razão, parece mais um amigo depois de tantos causos compartilhados ao longo de duas horas de show. Um repertório impecável de músicas e contos.

Hasta la vista, Jorginho!

Te dedico, Ana.

X