Rock in Rio mostra conservadorismo ao fechar os olhos para o mercado latino

As opções eram muitas. Desde os ícones Shakira, Ricky Martin e Enrique Iglesias, passando pelas estrelas ascendentes J Balvin e Maluma, até o fenômeno Luis Fonsi e Daddy Yankee ou a revelação CNCO, não faltavam nomes fortes do mercado latino para integrar o lineup do Rock in Rio em 2017.

Mas o que dizer de um festival que ignora Anitta, a maior estrela pop já produzida neste país, por preconceito às raízes? O que dizer de um evento que faz sucesso em cima de uma fórmula engessada que mais parece uma repetição das edições anteriores, com as mesmas caras, as mesmas vozes e os mesmos nomes?

Sério mesmo que, em pleno 2017, os shows de Frejat ou Capital Inicial (com todo o respeito que a trajetória artística desses artistas merecem) são os ideais para abrirem as noites do Palco Mundo, o principal do RiR?

No ano da explosão latina, apenas o Bomba Estéreo – velho conhecido do público brasileiro – irá representar o gênero que domina as paradas mundiais. Ainda assim, no palco Sunset, a série B do evento musical mais importante do planeta. E por puro conservadorismo, medo de inovar da família Medina, idealizadora e organizadora do Rock In Rio.

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Retrógrado, o festival cai numa irritante mesmice. Ao perder Lady Gaga, a principal estrela deste ano, o evento se segura em Maroon 5 (cujo show foi espetacular mesmo diante de uma plateia apática no primeiro dia) e na Velha Guarda como Aerosmith, Bon Jovi e Guns And Roses, todos com passagens recentes pelo país.

Ignorar Despacito, o maior fenômeno da indústria fonográfica das últimas duas décadas, é um erro que não tem reparação. Se você se vende como o principal evento musical do planeta, precisa estar antenado ao mercado. A família Medina está com os olhos vendados, pelos visto. Fechar sua porta à música latina é, deixando de lado a sutileza, uma grande imbecilidade.

A fórmula está ficando desgastada e essa era a edição da virada. Perderam o timing e a oportunidade de mostrarem que caminham lado a lado com o que os fãs pedem. Já imaginaram o público indo ao delírio com Duele El Corazón, Reggaetón Lento, Mi Gente, Felices Los 4? Pena que vai ficar só na imaginação.

 

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