Opinião: Voy a Quedarme foi feita sob medida para Blas Cantó e para o Eurovisión

Blas Cantó é daqueles artistas que nasceram para o Eurovision Song Contest. E nunca escondeu sua vontade de representar a Espanha no principal festival de música do mundo.

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Ainda adolescente, se apresentou no Eurojunior, a seletiva espanhola para a versão mirim do evento, e encantou com “los ojazos” e a potência da voz. Anos depois, veio o sucesso nacional com o Auryn e, posteriormente, na carreira solo.

A notícia de que o cantor nascido em Murcia há 29 anos seria o protagonista da tentativa da Espanha de brecar uma série de atuações medianas no ESC foi um alento em 2020. O artista certo, enfim, vindo de uma seletiva interna, assim como aconteceu em 2012 com Pastora Soler, a atuação mais emblemática do país nos últimos anos.

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Universo, a música escolhida à época, deixou um sabor agridoce. Boa, mas longe de mostrar a capacidade vocal e interpretativa de Blas. Veio a pandemia, o cancelamento do festival e uma nova oportunidade de acerto.

Nesta quarta-feira, 10 de fevereiro, a RTVE e o artista mostraram as duas propostas que ainda irão a voto popular: Memoria e Voy a Quedarme. E, é preciso pontuar, duas canções infinitamente superiores à anterior.

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Memoria é um mediotiempo, pop, moderna, bem escrita e instrumentalizada. Pelas redes sociais, já dá para perceber que vai brigar forte para ir ao festival, já caiu no gosto dos espanhóis. Mas vamos aos senões: os países que já definiram suas escolhas estão apostando em ironia, sarcasmo, em um tom mais alegre, e esse tema seria apenas mais um, ficaria perdido em um lugar comum. E o agudo por vezes cansativo do refrão pode pesar contra.

Voy a Quedarme é o sonho de quem acompanha Blas Cantó. Uma balada por excelência, que nos últimos anos têm sido apresentadas apenas por vozes femininas. Já dá para imaginar uma apresentação forte, principalmente no sprint final da música. É a escolha certa, a medida exata para o cantor. E, dentro do quebra-cabeça eurovisivo, preencheria uma cota ainda vazia.

Cabe agora aos espanhóis, sempre polêmicos no televoto, entenderem o jogo. Um país que já se rendeu aos erros de Las Ketchup, Son de Sol, Dnash, entre outros, é uma chance de redenção, de recuperar a credibilidade, a confiança e voltar a sonhar. Caso Voy a Quedarme seja a vencedora do Destino Eurovision, vai entrar para o rol das favoritas dos eurofãs no momento como Monument (Noruega), Discoteque (Lituânia), Voilà (França).

Ainda faltam muitas escolhas e definições nas próximas semanas, mas uma coisa é certa: Blas Cantó tem em mãos a chance de fazer a Espanha voltar a acreditar!

https://open.spotify.com/playlist/2ZmsgoHu7nm1u6Nlp83V4T?si=vK-1LwL5T3yBF-G_Zhbzew&utm_source=whatsapp&nd=1

Blas Cantó no Eurovision 2021

Blas Cantó, por fazer parte do Big 5, se apresentará já na final do Eurovision, marcada para o dia 22 de maio, em Roterdã, na Holanda. O evento terá suas duas semifinais disputadas nos dias 18 e 20.

O último vencedor foi Duncan Laurence com o hit global Arcade, em 2019. Um ano antes, a campeã foi a israelense Netta com o tema Toy, outra música que desbravou fronteira em fez sucesso mundo afora.

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