“Como vou aprender assim?” – A triste história de J Balvin

Aos 35 anos, J Balvin está para a Colômbia como Neymar está para o Brasil: muito gogó e pouca atitude.

Nascido em uma família de classe média em Medellín, o astro se mudou para os Estados Unidos aos 17 anos para um intercâmbio. Nesta fase, o negócios do pai, economista, não iam bem e os Osorios tiveram de sair da casa grande nas colinas para um bairro pobre da cidade.

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“Quando eu ia na favela, as pessoas me viam como uma pessoa rica, mas quando estou perto de pessoas ricas, elas me veem como alguém do gueto. São todas percepções. Eu gosto de me mover entre os mundos. Eu me sinto igualmente confortável em ambos”.

O sonho americano não foi fácil. Na terra do Tio Sam, Balvin foi carpinteiro, pintor e trabalhou ilegalmente antes da fama. De volta ao país de origem, em 2009, o sucesso não demorou a chegar. Real, o primeiro disco, foi lançado no ano seguinte.

Apesar da biografia rica, o que tem demorado a aparecer na vida do colombiano é a maturidade (que, sabemos, não é igual a idade). Assim como o “menino” Neymar, o artista não se posiciona diante de temas sociais e políticos de seu país, mas está atento ao que acontece fora dele. E os fãs não têm perdoado.

Diante das críticas, um tuíte mimado: “Se vocês não me ensinam, como vou aprender?”.

Reprodução do Twitter

Com toda essa trajetória nas costas, se nem o aprendizado da rua adiantou, como os fãs serão didáticos a ponto de fazê-lo enxergar que a vida pública traz responsabilidades?

As críticas recaem, principalmente, sobre o seu silêncio sobre a situação da Colômbia. Cobram dele a mesma atitude de Bad Bunny ou Residente com Porto Rico. A resposta veio com um “Eu não sou o presidente da Colômbia”….

Reprodução do Twitter

Quase igual ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, avisando que não é coveiro ao falar sobre número de mortos pela Covid-19. O público não perdoa.

Vamos lá: é claro que o assunto George Floyd é de interesse mundial. É claro que qualquer pessoa, em qualquer parte da Terra, precisa se posicionar contra o racismo. Todos os dias, o tempo todo, é preciso lembrar que as vidas negras importam. Falar sobre o assassinato de Mineápolis é obrigação, sim. Assim como olhar ao seu povo, dissertar sobre os temas de seu país, pensar em como – milionário – é possível ajudar.

Vivemos um momento em que a pandemia de coronavírus vai transformar a desigualdade social em um poço sem fundo. Se não pensarmos sobre distribuição de riquezas, veremos cada vez mais pobres, negros, mulheres, gays, sendo mortos pelo sistema.

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Mas o que mais choca, no caso do J Balvin, vai além da sua incapacidade de assumir sua responsabilidade social e seu papel de ídolo nacional/global. É a maneira mimada/arrogante/alienada como ele cobra “ajuda”. Como se fosse ele a vítima na história.

Dono de pérolas como Mi Gente, 6 AM, Tranquila, J Balvin é um gênio da música e isso não se discute, apesar da péssima fase que se instalou por ali depois do excelente trabalho ao lado de Bad Bunny em Oasis.

Mais uma vez, assim como Neymar, J Balvin é um craque que se esconde na alcunha de “menino José”. E no caldeirão social, político, sanitário, econômico em que mergulhamos todos neste 2020, essa postura – que já não era aceitável – agora é desprezível.

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