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Il Volo: uma fábula que ganhou o mundo e merece respeito

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Il Volo venceu o festival de Sanremo 2015 com Grande Amore e irá ao Eurovision

Durante coletiva de imprensa realizada neste domingo, a Arisa afirmou: “É como uma fábula. Nós os vimos crescer na Rai, eles ganharam o mundo e voltaram para ganhar Sanremo”. A história do Il Volo parece, de fato, um conto de fadas.

Eu era uma das telespectadoras assíduas do Ti Lascio Una Canzone em 2009, àquela época gravado no mesmo Teatro Ariston de Sanremo. Já tinha acompanhado com afinco a primeira edição, mas aquela foi temporada especial: tinha acabado de me tornar mãe e o mundo infanto-juvenil enternece qualquer mulher nesta situação. Com a Laura nos braços, via estupefata as apresentações de Piero Barone, Gianluca Ginobile e Ignazio Boschetto, meu favorito, como solistas. Eram meninos de 14 e 15 anos! E com aquelas vozes!

 

Até que um dia, na quinta noite daquela edição, algum produtor teve a feliz ideia de uni-los para cantar Torna A Surriento. Nunca mais se separaram. Já no próprio programa, passaram a se apresentar como Il Trio. E saíram do palco em que se consagraram campeões de Sanremo no último sábado para o mundo. Predestinação.

Curiosamente, sempre tive a sensação de que eles tinham mais êxito fora do seu país de origem. Não posso dizer que sou fã de carteirinha, pois desde que o programa acabou eu acompanhei a carreira do Il Volo de longe, saboreando as conquistas muito mais com minha memória afetiva do que qualquer coisa. Sempre torci por eles, antes de consumir o trabalho deles. É coisa de carinho de mãe mesmo, sem querer aqui roubar o posto da Antonela Clerici, apresentadora do TLUC.

Minha impressão se confirmou na coletiva desse sábado, após a vitória em Sanremo, quando os rapazes foram sabatinados de forma até agressiva pelos jornalistas italianos. Todo mundo colocando em xeque a vitória. Como assim eles ganharam de Nek e Malika Ayane? Parecia uma afronta à música! E todo o alvoroço vinha calcado no argumento de que eles saíram de um programa de televisão, portanto levavam vantagem no televoto.

A própria Malika, que levou o prêmio da crítica de Sanremo pela segunda vez na carreira, afirmou se sentir um pouco injustiçada, apesar de não usar a palavra, pelo apelo televisivo. Naquela balbúrdia que se torna toda coletiva italiana, tentaram colocar o Il Volo no mesmo grupo de Valerio Scanu e Marco Carta, que saíram de talent show e venceram o festival. Na verdade, o Il Volo é da mesma linhagem de Emma Marrone e Marco Mengoni que, embora muita gente já tenha esquecido, também são frutos de reality show. E com um agravante: Il Volo nasceu no Ti Lascio Una Canzone há já longíquos seis anos, são reconhecidos no mundo todo, e não vieram simplesmente na esteira do sucesso na TV, caso do Lorenzo Fragola, por exemplo.

Acho que se esqueceram de olhar os números gerais, porque o Il Volo ficou com a maioria dos votos também na sala de imprensa e do júri técnico. Ou seja, a vitória foi incontestável. Você pode até achar isso ou aquilo da música, só não pode chamá-la de “música medieval ou música de pizzaria”, como fizeram alguns jornalistas no programa L’Arena, da Rai, neste domingo. É renegar a força do gênero mais conhecido na Itália em todo o mundo. É desprezá-lo. É desrespeitar as próprias origens. E mais: tentar diminuir o talento dos três meninos é, inclusive, burrice. O italiano se parece muito com o brasileiro nessa síndrome de vira-lata. Só acha o seu produto bom depois que o mundo reconhece. O estranho, nesse caso, é que o Il Volo já tem a aclamação internacional.

Sinceramente, não achava que Grande Amore era a melhor música para o Eurovision. Para mim, era o ano de Una Finestra Tra Le Stelle, da Annalisa, uma espécie de L’Essenziale de saias. Mas estou curiosa para ver as adaptações que a música irá sofrer para se enquadrar nos três minutos permitidos pelo festival europeu. E, principalmente, para descobrir a postura cênica. Il Volo não precisa de vozes de apoio, dá para fazer uma apresentação bem bacana em Viena. Sem contar que eu acho que levar três jovens tenores um baita apelo para a essência da música italiana. Acho que dá tarantela! Dá liga! Vejo um top 5 pra eles. E torço por isso!

Pra finalizar, achei Sanremo o máximo este ano. Carlo Conti é realmente O cara da TV italiana e espero que continue na direção do festival no ano que vem. Arisa e Emma foram dois tiros certeiros, embora tenha sentido falta de um dueto em algum momento das cinco noites de shows. É claro que poderia ter sido mais enxuto, os programas foram longos demais, mas tivemos histórias super legais embaladas pelo slogan Tutti Cantano Sanremo: a família mais numerosa da Itália, o médico que se curou do ebola e o casal que completa 65 anos de casados em 2015, assim como o festival. Eu sempre acho que italianos gostam em demasia de shows de humor, mas esse parece um caso perdido.

E nessa coluna longa, bem italiana e tagarela, fica a torcida para que mantenham a equipe no ano que vem. Afinal, em um país de 59 milhões de habitantes, conseguir quase mais de 10 milhões de público em cinco noites seguidas é um atestado de bom trabalho. Hoje, além de cantar, Tutti Parlano di Sanremo! E de Il Volo! Congratulazioni, ragazzi!

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