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Habla, Pri

A história contra o Grammy: Despacito foi a melhor música de 2017

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Despacito merecia o Grammy

Eu precisei de 24 horas para digerir os resultados do Grammy Awards, realizado no último domingo, dia 28. E não é corporativismo latino, são obviedades que mostram que Despacito deveria ter saído do Madison Square Garden com, no mínimo, um dos prêmios aos quais foi indicado.

Aliás, corporativismo é o que não falta entre a galera votante, não é? Porque ignorar o maior fenômeno musical do século é, senão uma vergonha, uma prova de que não há Hot 100 da Billboard que supere o fato de os americanos olharem sempre para seus próprios umbigos.

O primeiro erro começou já na indicação: como vídeo mais visto da história das plataformas digitais não estava entre os concorrentes? Não tem explicação. 4,7 bilhões de cliques estão aí para destruir a credibilidade da Academia de Gravação.

Despacito concorria nas categorias de Melhor Dueto, Música do Ano e Gravação do Ano. Não levou o primeiro e já foi um sinal de que a noite não seria tão favorável.

Sobre Gravação do Ano, a Academia explica desta forma suas escolhas:

“O Prémio Grammy para a Gravação do Ano, atribuído pela Academia Nacional de Artes de Gravação e Ciência dos Estados Unidos da América, serve para “honrar o sucesso artístico, proficiência técnica e excelência global na indústria da gravação, sem considerar vendas e posições em tabelas”.

Não considerar vendas e posições em tabelas já é um sinal de que eles escolhem o que querem. Ponto final. Sempre terão uma brecha para justificar o injustificável.

A Música do Ano é dada aos compositores. Erika Ender merecia. Luis Fonsi merecia. Daddy Yankee, dono do pasito a pasito, suave suavecito, merecia.

E se você sair na rua e perguntar a qualquer cidadão comum nos quatro cantos do mundo qual foi a música de 2017, 9 em cada 10 dirão Despacito. Até minha irmã, roqueira de corpo e alma, concorda.

Deixar a “queridinha do público”, como disseram alguns veículos por aí, sem nenhum prêmio foi falta de visão. Uma falha imperdoável. E vai muito além das tecnicalidades para a escolha desse ou daquele artista – aliás, Bruno Mars é muito bom e sempre terá seu talento reconhecido.

O feito de dois latinos, dois borícuas de uma Porto Rico devastada no ano em que esteve nas manchetes do mundo todo para boas e más notícias, nunca poderia ter passado em branco. Dois latinos que transformaram a indústria musical, reduziram recordes anteriores a pó, que fizeram o Madison Square Garden tremer em uma performance impecável. Dois latinos que representavam ali mais do que sua música, representavam inclusão, o não ao preconceito. E boa música.

Seria o primeiro prêmio do Grammy a um latino em suas categorias principais. Quando haverá outra oportunidade? O mercado é nosso! Vamos ver até quando vão ignorar isso.

Veja – e se puder, reveja – Despacito no Grammy 

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