Editorial: Sou Luna forma nova geração latina no Brasil

Para quem vive nessa vida alternativa de ser fã de música latina no Brasil, ver uma nova geração sendo de seguidores do gênero nascendo é alentador. Foi assim que me senti no último domingo, 18 de dezembro, acompanhando minha filha de sete anos na primeira edição W+ Festival Kids, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com capacidade  para 850 pessoas. Lotado, diga-se de passagem.

O evento tinha como atração principal a protagonista da série Sou Luna, Karol Sevilla, e seu companheiro de elenco, Lionel Ferro. Bia Jordão, de Cúmplices de um Resgate também participou da festa, assim como Raissa Chaddad, ex-Chiquititas, responsável por apresentar os artistas.

Produção argentina, Sou Luna surgiu no Disney Channel em março de 2016 para substituir Violetta, hit de 10 entre 10 crianças e pré-adolescentes e responsável por revelar o talento de Tini Stoessel para o mundo.

Alas: elenco de Sou Luna

A trilha sonora da novelinha teen está na ponta da língua dos fãs, mas não fez parte do evento provavelmente porque a turnê oficial terá início em março do ano que vem, com o Brasil no roteiro. Então, os garotos – que são febre no YouTube – cantaram algumas músicas de seus repertórios próprios e covers.

Qual não foi a minha surpresa ao ouvir Lionel cantando Picky, de Joey Montana, acompanhado pelo coro da plateia? Karol, por sua vez, apostou em músicas de Ha*Ash, Jesse y Joy e Paulina Rubio. Como eles compartilham essas canções na plataforma de vídeos, a criançada toda conhece clássicos como Corre! e, assim, o contingente latino no Brasil vai crescendo e sendo renovado.

Karol Sevilla canta No Te Quiero Nada, de Ha*Ash (feat Axel)

https://www.youtube.com/watch?v=Vlv40cYgvJw

A ideia do festival é um acerto da produtora W+, conhecida por seus trabalhos com a ex-RBD Dulce Maria. No ano passado, eles também trouxeram Jorge Drexler ao país. Pese os problemas de som, atraso na abertura da sala (no balcão, onde eu me encontrava, a entrada só foi liberada às 17h39, nove minutos após o início previsto do evento) e a produção pobre, com o palco decorado com balões que formavam a palavra Kids, as crianças saíram de lá felizes por terem conhecido seus ídolos.

A decepção por não ter o repertório da série foi dissipada quando Karol e Lionel cantaram à capela um trecho de Alas e Valiente, dois hits da trilha sonora de Sou Luna, prometendo voltar com a tour da Disney. A jovem mexicana estava visivelmente emocionada por ter vindo ao Brasil pela primeira vez. A voz embargou, ela se ajoelhou e agradeceu inúmeras vezes a oportunidade de tatear esse novo mercado.

Lionel deu trabalho aos seguranças. Chegou a descer do palco, interrompeu o show inúmeras vezes para tirar selfies com as fãs que se aglomeravam ali na frente para chegar perto dele. Uma histeria que eles, certamente, não esperavam.

A dupla voltará em 2017. Assim como aconteceu com Violetta, certamente em um espetáculo cheio de dança e pirotecnia, para alegria da garotada. Vuelo, Música En Ti, Que Más Da, entre tantas outras boas músicas do primeiro CD de Soy Luna, vão enlouquecer uma plateia com alguns milhares de crianças e adolescentes.  Se os papais com quem conversei por lá ficaram um pouco decepcionados por não terem escutado os temas com os quais são massacrados diariamente, eu voltei para casa feliz: o que eu vi ali foi trabalho de base. Um dia, eles vão entender que faltou Sou Luna, mas sobraram clássicos de um gênero que só cresce no Brasil.