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Carinha de Anjo

Editorial: O segredo do sucesso da Lucero

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Lucero em Carinha de Anjo

A tecla está ficando quebrada de tanto que batemos nela: poucas vezes o mercado brasileiro se deparou com uma estrela internacional com uma aura tão especial como a de Lucero. Na manhã da última quarta-feira (9), eu me encontrei com ela pela terceira vez neste último ano. Era o lançamento da novela Carinha de Anjo, na qual ela interpretará a personagem Tereza, mãe da pequena Dulce Maria, protagonista da trama infanto-juvenil.

Ao me ver, Lucero – dona de mais de 100 estatuetas por sua trajetória artística, com um currículo que inclui a venda de quase 30 milhões de discos ao redor do mundo – abre um sorriso e diz: PRI! Tão espontânea e feliz por me reencontrar que esbocei uma olhada para o lado para ver se era comigo mesmo que ela falava.

Ela não apenas reconheceu a jornalista que tem feito a cobertura full time de sua temporada mágica no Brasil, como lembrou um trecho do texto que escrevi sobre a estratégia do SBT de apresentá-la em plena turnê de Cúmplices de Resgate, com um público distante do que ela tem aqui no país. Depois de recitar o último parágrafo quase na íntegra, ela disse: “muito lindo o que você escreveu, eu quase chorei”. Ainda se lembrou que o artigo fazia referência à minha filha, Laura, de sete anos: “espero que ela goste de Carinha de Anjo”.

Esse texto, contudo, vai além de uma massagem no meu ego: é uma reflexão sobre como Lucero conseguiu tamanho sucesso no Brasil. Assim como ela, muitas atrizes já ocuparam o posto de diva mexicana nas tardes do canal de Silvio Santos. Nenhuma delas teve o privilégio de ser convidada para um papel de destaque no horário nobre da TV brasileira.

Por que Lucero? A resposta é mais simples do que se imagina. Em um mercado carente de ídolos “gente como a gente”, a estrela da família Hogaza se destaca. Como ela, talvez, apenas Laura Pausini ou Ivete Sangalo. Não existe blindagem, nem filtros entre a artista e a pessoa. Todas são o que são, falam o que pensam, e são capazes de criar uma identificação única com o público.

Enquanto esteve ali no evento de lançamento da novela, sem nenhum aparato extra de segurança ou tratamento especial, Lucero parecia alguém do elenco infantil, tal era sua empolgação e brilho nos olhos ao ver na tela o primeiro trabalho realizado no Brasil.

Talvez seja isso: o tal brilho nos olhos! Nada nela é ensaiado, pré-fabricado. Talvez seja difícil demonstrar isso em um texto. Talvez só a convivência, ainda que mínima, seja capaz de traduzir o que eu escrevo agora.

À minha frente, um jornalista brasileiro correspondente de um veículo mexicano fazia a ela perguntas sobre a vida pessoal, namorado, casamento. Em nenhum momento teve cara feia ou desconforto. Tudo foi respondido com o mesmo sorriso no rosto de quem, segundos antes, falava sobre a personagem Tereza. Como se fosse uma conversa entre amigos regada a cafezinho e bolo de fubá.

Sua carreira para lá de vitoriosa permitiria algumas regalias e até uma pequena dose de estrelismo, afinal estamos cansados de ver artistas que criam uma barreira intransponível – seja com fãs, seja com a imprensa – ao conquistarem o primeiro, e às vezes último, hit ou personagem de destaque. Estamos tão acostumados a esse comportamento que somos obrigados a reconhecer que alguém como Lucero é o ponto fora da curva, a nota dissonante. Belas vozes e talentos dramáticos encontramos aos montes. Uma essência cristalina, pura e verdadeira é para poucos. E esse é segredo do seu sucesso!

Veja a participação de Lucero no Teleton

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