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Habla, Pri

Editorial: Estão matando a história do RBD

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RBD: dez anos do fim do grupo que marcou geração

Tenho 36 anos. Não vi Rebelde. Nunca comprei um disco do RBD. Motivo? Faixa etária incompatível. Meu primeiro contato com a banda foi trágico, acompanhando as notícias daquela acidente que matou três fãs e feriu outros 41 em um shopping de São Paulo em 2006.

Mas eu sou fã de música latina desde o fenômeno Menudo. Se eu sou fã de música latina, devo respeitar a história do RBD. Nenhum artista fez tanto para o mercado latino no Brasil na última década quanto Anahi, Alfonso Herrera, Dulce Maria, Christopher Uckermann, Maite Perroni e Christian Chávez.

Se hoje temos Luis Fonsi, Maluma, J Balvin tocando nas rádios, em parte, deve-se a essas gerações de fãs que são criadas de tempos em tempos no Brasil. Em termos culturais, RBD é tão importante quanto Shakira, Thalia, Ricky Martin, Enrique Iglesias, e tantos outros que não viraram chacota.

Pois sim. O que estão fazendo com os ex-RBDs é transformá-los em piadas prontas, a exceção de Poncho e, é preciso salientar, Uckermann. Preços abusivos, eventos mal organizados, viagens forçadas sem trabalhos para divulgar, uma exploração do bolso e da idolatria dos fãs.

Dulce Maria, ok, veio para promover o álbum DM. Mas a mexicana, do alto de quem vinha mostrar o melhor trabalho de sua carreira, tocou em lugares desqualificados e com ingressos caríssimos. O mesmo aconteceu com a Maite Perroni, que está bombando com Loca, mas vem ano após ano para mostrar UMA música nova a – pasme – R$ 800. E, com perdão aos fãs, tem trouxa que paga.

O que dizer então do simpatissíssimo Christian Chávez, que virá em outubro para divulgar uma carreira musical que parou em Tóxico, publicada em janeiro sem nenhum eco no mercado. O pacote mais barato custa R$ 190. O pocket show vai sair por R$ 490.

Em tempos de crise, o RBD virou uma fábrica de dinheiro. A vinda de qualquer um deles cria uma histeria por parte dos fãs, que não se importam em vender até as calças por uma foto. É um desrespeito. Desrespeito a quem se submete conscientemente à extorsão. Também à história dos seis artistas.

O Coldplay virá ao Brasil com sua última turnê com ingressos variando de R$ 240 a R$ 750. Para ver o U2, os valores foram de R$ 260 a R$ 1200. O Festival Trip, que terá como atrações The Who, Bon Jovi, Aerosmith, Guns N’Roses, The Cult, Def Leppard e Alice Cooper, vai custar de R$ 180 a R$ 750. Não é possível que não vejam a disparidade.

A precificação RBD, a vinda anual de quase todo o grupo mesmo sem nenhuma novidade, e o amém que você fã dá a esse trabalho amador só chancela o que dizem por aí: se não fosse pelo Brasil, a carreira deles teria sido reduzida a pó. A história de Rebelde não merece isso.

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