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Habla, Pri

E agora: Despacito é a melhor música da história?

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Despacito é o hit de Luis Fonsi e Daddy Yankee.

Já diria o povo de exatas: os números não mentem. E se os números não mentem, a gente precisa refletir sobre o que Despacito tem feito na indústria fonográfica mundial. Uma revolução. Ou seria evolução?

Priscila, não seja louca! Você está comparando Luis Fonsi e Daddy Yankee a Elvis Presley e Beatles? Não, é óbvio. Até porque, mercadologicamente, não há como comparar, dada a larguíssima vantagem dos porto-riquenhos. São tempos diferentes, plataformas diferentes e um mundo globalizado de distância.

Despacito é a maior música da história, sim. Maior não no sentido literal, mas no conjunto de façanhas alcançadas. Não dá para contestar. Talvez a afirmação cause espanto, pois nosso complexo de vira-latas é incapaz de nos deixar dizer isso com a boca cheia. Vai que tem alguém olhando, né?

Ninguém chega perto do que esses dois fizeram em um espaço tão curto de tempo. Entre todos os recordes mais importantes da música mundial, só falta quebrar um: o de número de semanas consecutivas no topo do Hot 100 da Billboard, ainda nas mãos de Boyz II Men e Madonna. Faltam cinco semanas para quebrar mais esse. Alguém duvida?

É lógico que não perdi a sanidade. Despacito não é Let It Be ou Bohemian Rapsody, mas tem seu valor. Disse e repeti várias vezes aqui que a letra é bem trabalhada, é uma história com começo, meio e fim, o ritmo é contagiante, e os diversos refrães são, quiçá, a grande virtude do single. Tem a sensualidade na medida certa. É uma ótima música, lançada com o timing perfeito da explosão latina no mundo todo.

A gente tem esse velho – e odioso – hábito de olhar de rabo de olho para o que é moderno. Outro dia, ouvindo uma música da Marília Mendonça (maravilhosa, por sinal), comentamos aqui em casa que se fosse cantada por Roberto Carlos ou Chico Buarque seria “noooossa clássico, hino, top 10 do cancioneiro nacional”. Como é sertanejo e atual, fica reduzida a uma faixa “daquela moça que canta modão”.

De Quem É A Culpa? – Marília Mendonça

Não entendo qual é o problema de reconhecermos as músicas contemporâneas com poder de virarem clássicos para as próximas gerações. Outro exemplo brasileiro é Trem Bala, da Ana Vilela, que será lembrada por muitos e muitos anos merecidamente.

Então, por que renegar o espaço que Despacito terá na história ali, ao lado de Beatles, Elvis Presley, Michael Jackson, Queen, entre tantos outros artistas reverenciados mundo afora? “Ah, mas Gangnam Style foi um fenômeno parecido anos atrás…” Nem tente emplacar esse argumento por aqui. O tema do coreano Psy, cujo significado quase ninguém sabe, foi sucesso muito mais pela sua peculiaridade do que por sua qualidade. E, depois disso, ele não fez mais nada digno de nota.

Então, pode se beliscar porque é real. O hit dos latinos não fez sucesso apenas por sua musicalidade urbana, por transpirar sensualidade. É boa. É hinão! É música da década e uma das melhores da história. Não são só os  que haters precisam lidar com o sucesso: a gente também precisa aceitar, quase que sonhando, que nosso mercado produziu uma pérola que vai além dos números incontestáveis.

Porque se formos falar só em números, vendas, views, certificações e prêmios, Despacito não dá espaço para mais ninguém. Não é Let It Be, não é Bohemian Rapsody, não é Detalhes, mas pode ficar ali na mesma prateleira dos clássicos da música mundial.

 

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