Despacito: 4 bilhões, pouco caso no Brasil e hora da mudança

Despacito está virando a curva. Hit do ano, a música de Luis Fonsi e Daddy Yankee chegou naquele momento em que todos os amantes do mercados temiam: passou de sucesso absoluto para saturada e cansativa, apesar da qualidade inegável. Pelo menos no Brasil.

De quem é a culpa? São nove meses desde o lançamento. Já não há mais gota a ser espremida, pese os quatro bilhões de visualizações registrados no YouTube durante a semana, marca que dificilmente será alcançada em um futuro próximo.

Se lá no exterior os borícuas colhem os louros do êxito histórico, por aqui deixaram o tema virar chacota. São inúmeras paródias, trocadilhos  e uma oportunidade de ouro de trazer Luis Fonsi jogada no lixo.

Sem contar, é claro, a mal fadada versão ao lado de Israel Novaes, que de tão ruim foi escanteada e hoje quase ninguém se lembra que um dia foi lançada com ares de mega remix. Alguém ouviu a música mais de uma vez? Colocaram as fichas no cara errado, na hora errado.

Luis Fonsi foi a Israel, Chipre, Egito e outros tantos países impensáveis em sua longa carreira. Por que, então, ficou de fora do planejamento para o mercado que comprou mais de 600 mil cópias de seu trabalho e lhe deu o topo do iTunes durante meses a fio? Por que J Balvin conseguiu vir com Mi Gente assim que a música abocanhou a liderança do Spotify?

Certa vez, conversando com uma fonte ligada ao trabalho de Fonsi, me disseram com todas as letras que o repertório do colombiano era mais “palpável” aos brasileiros, mais coeso. Além, é claro, do fator Anitta. Despacito marcou justamente a virada de um artista baladista para a onda do reggaetón. Ele não tem em sua coleção de hits nenhuma música parecida àquela que iniciou uma nova era na indústria fonográfica.

A desculpa – esfarrapada, diga-se de passagem – até cabe para um show, mas não para promoção, o que lhe daria um gás até o lançamento de um novo single. E, convenhamos, está passando da hora de virar a chave e trabalhar uma nova faixa do que será seu próximo projeto discográfico.

Quem acompanha música latina além de Despacito sabe que o trabalho do cantor e compositor de 39 anos é impecável e merece muito mais atenção do que lhe foi dada no Brasil. Quem veio na esteira da modinha ficaria totalmente perdido em um show de quem tinha até então no cover do Menudo, Claridad, uma das músicas mais dançantes da carreira.

E por mais linhas que eu escreva, por mais argumentos que tente levantar, nunca será explicável a ausência do homem no ano na agenda musical do Brasil. Sua promoção aqui foi falha, para dizer o mínimo. Imperdoável, talvez, seja o termo correto.

Quando teremos outra chance de vê-lo brilhando em território nacional. Agora, com Despacito já respirando por aparelhos, fica nas mãos de um novo single. E de olhos mais atentos.