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Habla, Pri

Da estratégia à execução, Despacito em português é um erro

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Reprodução Facebook de Luis Fonsi - Despacito

Despacito faz sucesso na Itália, na Rússia, na França, na Noruega, na Turquia, em mais da metade do globo terrestre, chegando inclusive a liderar o mercado digital em vários desses países. Alguém aí já ouviu falar de uma versão oficial do hit de Luis Fonsi e Daddy Yankee em russo ou… turco?!

Não, simplesmente porque seria bizarro. Assim como é bizarra a necessidade da indústria fonográfica brasileira de chancelar o sucesso latino com uma versão em português. Não, a gente não precisava de um remix da música no nosso idioma. E depois de ouvir o resultado, temo pelo que vem no futuro.

A tradução é péssima. A letra, que chega a ser chula, não encaixa na melodia. E a ideia de tirar Daddy Yankee, uma das chaves do sucesso global de Despacito, não tem pé ou cabeça.

+ Leia Mais: Ouça a parceria de Luis Fonsi e Israel Novaes

Foram muitos anos até que uma música em espanhol dominasse o Brasil. Fosse cantada na ponta da língua por 9 entre 10 brasileiros. Em sua versão original. No seu idioma natal. Qual a necessidade desse remix? Ninguém nunca vai saber responder.

Luis Fonsi, neste exato momento da carreira, precisava disso para ter uma promoção no mínimo digna, muito além de uma entrevista no Fantástico, no Brasil? Obviamente, não. Artistas com muito menos projeção tiveram essa oportunidade no passado.

Despacito em português é um erro desde a sua idealização. A execução deixou muito a desejar. E a estratégia de atrelar uma possível vinda do borícua e o investimento necessário para seus próximos passos no país a esse remix é de fazer chorar o mais otimista fã de música latina.

Se ainda fosse um nome importante no cenário nacional, vá lá. Se Fonsi tivesse a oportunidade de cantar com Ivete Sangalo ou as sensações sertanejas do momento, a gente até entenderia. Entregar um artista desse porte a alguém cujo maior feito na carreira são hits do naipe de Você Merece Cachê e Vó Tô Estourado é triste. Para ser sutil, é vergonhoso saber que ele está ao lado de um Série B da música nacional.

Seus números não justificam a colaboração. Pode até ser que seja sucesso, pode até ser que consiga meia dúzia a mais de fãs para o mercado latino, mas o preço a ser pago é muito alto. Não vale a pena, nem o risco de saturar ainda mais a canção.

O furacão vai passar. Logo virão outros singles, um novo disco, e a oportunidade de  promover Luis Fonsi da maneira correta no Brasil, dando à música latina o valor que ela merece, terá sido mais uma vez desperdiçada. Um erro imperdoável.

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