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Habla, Pri

Criticar a Anitta virou esporte nacional. E não deveria.

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Anitta lançou o álbum Kisses em abril

Esperei mais de dez dias para falar sobre Kisses, o novo álbum da Anitta, que merece todos os aplausos. E, sim, já sei que nos comentários vai chover crítica à brasileira.

É sempre assim: qualquer menção à funkeira gera desconforto para o brasileiro. A famosa síndrome de vira-lata que arruma defeito em tudo o que é nacional.

“Ah, só faz sucesso porque mostra a bunda”. “É vulgar”. “Ela não canta”. “Só lança dueto, aí fica fácil se escorar no nome dos outros”. “Eu viajei pro interior da Bolívia e não ouvi uma música sequer dela”. São muitos argumentos desse tipo, rasos, que surgem para desmerecer o reconhecimento global da Larissa.

Sim, porque ela não apenas conquistou o mercado latino, como estará em Madame X, o novo disco da Madonna. Precisa de chancela maior do que essa para comprovar que o mundo é dela?

Não há hoje no mercado fonográfico alguém que seja indiferente ao nome Anitta. O lançamento de Kisses provocou tanto alvoroço quanto #ElDisco, do Alejandro Sanz, que saiu no mesmo 5 de abril.

E o trabalho é corretíssimo, desde o trabalho de marketing que antecedeu a estreia, até a audição. O destaque é a parceria com Caetano Veloso em Você Mentiu, mas os duetos estão impecáveis. Rosa, com Prince Royce, é sensual na medida certa. Banana, com Becky G, é divertidíssima.

Poquito, com Swae Lee, conquistou até o Pablo Alborán. Tudo bem que gosto é gosto, mas se tem até o selo Alborán de qualidade, quem somos nós para discordar que a música é boa?

Anitta me parece aqueles casos em que a pessoa crítica sem antes ouvir. Esporte nacional. Assim como aconteceu com Claudia Leitte no passado.

+ Leia Mais: Ouça Kisses, o conceitual novo álbum da brasileira

Não dá para ignorar que ela trabalha. Está atenta a cada detalhe daquilo que a cerca. E não falha. Porque você pode até não colocar para tocar no seu Spotify, mas os números não mentem: se ela está à frente de Shakira no número de ouvintes mensais da plataforma, tem algo acontecendo. E algo grande.

Anitta é, hoje, um dos principais nomes da música mundial. E nós, brasileiros, não nos orgulhamos disso. Pelo contrário: todos os dias, vamos atrás de pelo em ovo para tentar desconstruir sua carreira, seus méritos, seu sucesso.

Sem contar sua inegável contribuição para que a música latina chegasse no patamar em que chegou no Brasil.

E não nos orgulhamos por quê? Para nós, a poderosa sempre será a suburbana carioca, saída dos bailes funks, plastificada, que usou a sexualidade para alcançar a fama. Anitta traz à tona o pior de nós, o preconceito gratuito.

Por sorte, o mundo discorda. Que a ideia da aposentaria precoce seja revista. E que a morena de 26 anos siga nos orgulhando. E em três idiomas. Lacre puro!

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