Já basta. Não dá mais para “passar pano” para o Christopher von Uckermann

Terça-feira, 21 de julho. São 17h50 no horário brasileiro. O mundo contabiliza agora 612 mil mortos pela pandemia de coronavírus. Quase 15 milhões de pessoas foram infectadas ao redor do globo.

Batemos recordes diários de afetados pela Covid-19, uma doença que se mostra mais letal e ainda cheia de mistérios a cada dia. Temos cientistas do mundo inteiro mobilizados na descoberta de uma vacina que imunize contra o vírus. As que estão em estágio mais avançado têm previsão de serem aplicadas em junho de 2021.

Enquanto não há remédio, as recomendações são distanciamento social, evitar aglomerações e o uso de máscaras para que as gotículas expelidas durante a fala e respiração, responsáveis pela transmissão, não atinjam outras pessoas. Lavar as mãos constantemente e fazer uso de álcool em gel também são imprescindíveis para eliminar o vírus de superfícies e das mãos, que não devem ser levadas ao rostos se não estiverem 100% higienizadas.

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Estamos há cinco meses ouvindo essas recomendações de epidemiologistas, virologistas, infectologistas, médicos, cientistas. Pessoas que estudaram toda a vida e estão diante do maior desafio de suas carreiras: vencer o coronavírus. Exceção feita a um ou outro que ganhou notoriedade durante a pandemia, seus conselhos reverberam nos telejornais e em perfis nada multitudinários. Eles contam com a ajuda da imprensa, influencers, youtubers, artistas, celebridades e todo o contingente possível para que a mensagem chegue ao destinatário: você, eu, nós, cidadãos comuns, vivendo uma situação incomum.

Quando alguém que atravessa seu lugar de fala e despeja desconhecimento, achismo, negacionismo a 1,5 milhão de pessoas em uma única rede social, nós estamos falando de irresponsabilidade social. E responsabilidade sobre a ação daqueles que o idolatram, defendem e seguem baseados unicamente na imagem fantasiosa de personagens e músicas. A pessoa pode ser o melhor artista do universo e, ao mesmo tempo, ser babaca.

O negacionista Christopher von Uckermann

Não acho o Christopher von Uckermann o melhor artista do universo. Nem do RBD. Mas o acho babaca e irresponsável. E já usei esse espaço diversas vezes para dizer que ele tem agido criminalmente em algumas ocasiões, acusando o sistema de saúde de corrupção e sem provas. Agora, seu alvo são as máscaras. Ele defende a liberdade de não usá-las (para o mexicano, as máscaras são símbolo do silêncio). Sua opinião é idiota, mas é um direito tê-la. Expressar, com a sua influência, é incentivar. Essa equação é simples, mas as pessoas preferem fechar os olhos e defendê-lo a qualquer custo.

Hoje, quem faz isso é conivente com cada uma das mortes. Já não dá mais para passar pano, encobrir a postura de “guru” que empodera vozes silenciadas em um mundo que gira em torno de teorias conspiratórias.

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É quase inacreditável que alguém esclarecido, experiente e, por que não dizer, inteligente, tenha essa postura. Vê-lo em suas lives e vídeos me lembra líderes de seitas como João de Deus, o médium de Abadiânia, em Goiás, que passou anos usando da boa fé para abusar de suas pacientes. Ou Charles Manson,  obcecado pela canção “Helter Skelter”, dos Beatles, que passou a usar o termo para descrever uma guerra racial. Em 1969, assassinaram sete pessoas, pois achavam que isso geraria uma batalha apocalíptica.

E são vários líderes pelo mundo espalhando que não passam de intelectualóides capazes de usar carisma, eloquência e persuasão para espalhar ignorância e promover uma cruzada contra a Ciência que não nos levará a nenhum lugar. Essas pessoas se acham mais inteligentes que as demais porque acreditam que enxergam além do óbvio.

Enquanto nós somos os bobos quarenteners de máscaras e amedrontados por um vírus letal e desconhecido, Christopher von Uckermann é o sabichão que entendeu desde o princípio que se tratava de uma guerra política. Aham.

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E todas as vezes que digo isso aqui é chuva de hate sem argumentos ou embasamento, só um bando do fundão da sala da quinta série que diz: “ele acha o que quiser”. Porque o Einstein RBD não pode ser contrariado, ainda que seja óbvio que só quer notoriedade em meio ao caos. Enquanto isso, seus colegas de banda se esforçam em dar bons exemplos, em pedir que os fãs se cuidem, se engajam em causas importantes para ajudar um mundo devastado por dor e medo.

Já basta, Uckermann. Fale suas bobagens para os que são como você, não influencie fãs, não dê maus exemplos aos que te seguem e, muitas vezes, não conseguem ter discernimento para ver que você é falho, apesar de ídolo.

Estamos tentando sobreviver emocionalmente. Fisicamente. Seu México chora quase 40 mil mortos. No Brasil são mais de 80 mil. Não vamos brincar com esses números, essas vidas perdidas.

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