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Habla, Pri

Apenas parem. A música latina não precisa de duetos brasileiros

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Despacito (Luis Fonsi e Daddy Yankee) é o videoclipe mais visto em todo o mundo

Estou desde ontem tentando entender qual é a lógica de pegar uma música estourada no mercado e transformá-la em uma versão que já nasce fadada ao fracasso, com enorme rejeição dos fãs. E temos dois exemplos desse escorregão em menos de um mês: primeiro foi El Perdedor, do Maluma, que ganhou um remix com Bruninho e Davi.

Não há um fã do colombiano que tenha aprovado a música, que até performa bem no mercado. No YouTube, por exemplo, já são quase cinco milhões de visualizações, boa parte por conta dos sertanejos. A tradução é ruim e a canção parece dois blocos separados, sem conexão entre os versos em espanhol e português.

Maluma feat Bruninho e Davi

Mas aí até que, bem lá fundinho, você consegue entender a decisão da gravadora. É claro que, versionada, El Perdedor vai ganhar um público novo, gostemos ou não do resultado.

Agora, Despacito não. Não mexam com Despacito. Despacito, do Japão ao Jalapão, de Israel à Nova Zelândia, todo mundo conhece. Como bem disse a matéria do Fantástico no último domingo  (4), só sendo de outra galáxia para não conhecer a música.

Então, por favor, me expliquem qual é o sentido de fazer Luis Fonsi, ganhando o mercado brasileiro pela primeira vez na carreira, emprestar sua canção histórica para uma versão que não tem nenhuma razão para existir. Sejamos bem sinceros. O sertanejo pode ser o ritmo da moda, mas uma coisa é juntar Ivete Sangalo e Alejandro Sanz, outra é unir Fonsi e Israel Novaes, que tem no currículo pérolas como Você Merece Cachê e Vó Tô Estourado.

Quem teve essa feliz ideia será que, alguma vez, percorreu o impecável repertório do porto-riquenho? Será que alguém tem, de fato, ideia do seu tamanho para o mercado latino? Sua história vai muito além de Despacito e é, para ser sutil, vergonhoso saber que ele estará ao lado de um Série B da música nacional.

Que o brasileiro tenha feito sua própria versão do single, ok, daí a oficializar o negócio vai uma distância que os amantes de música latina não gostaríamos de ver percorrida. Se o Justin Bieber já era dispensável, imagina o moço da Land Rover.

E, mais uma vez, para quê? A música já é sucesso. Toca nas rádios, tem o clipe mais visto do país. É tentar espremer um limão que estaria longe da sua última gota. A decisão é grotesca. Pelo personagem, pela iminente saturação com tantos remixes inúteis, pela promoção que será dada ao borícua da maneira errada. Não, por favor, apenas parem com isso. Vamos fingir que a revelação no Fantástico foi um pesadelo do qual despertaremos ilesos.

Nem Ricky Martin e Laura Pausini, fluentes em português, conseguem emplacar sucessos em nossa língua-mãe, não façam o mesmo com Luis Fonsi. Mais respeito com sua trajetória. Nem ele, nem Despacito, precisam disso.

Relembre a versão original de Despacito

 

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