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Habla, Pri

A redenção de Anna Tatangelo

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Sanremo: a redenção de Anna Tatangelo

Libera, libera, come una nuvola nel vento che si dondola… Há muito tempo não via um artista subir ao palco com uma mensagem tão biográfica, ainda que não soubesse disso. Libera foi a música apresentada por Anna Tatangelo no Festival de Sanremo de 2015, com uma belíssima letra de Kekko Silvestre, vocalista do Modà. Foi eliminada na primeira fase da competição, mas isso é apenas um detalhe. Libera foi a sua redenção.

Pela primeira vez em anos, Anna Tatangelo foi defendida pela crítica. Pela primeira vez em anos, o talento de Anna Tatangelo foi exaltado. Pela primeira vez em anos, Anna Tatangelo foi elogiada. Pela primeira vez em anos, a imprensa fez um mea culpa. A desclassificação de uma das melhores músicas de Sanremo neste ano teve uma única explicação: a Itália ama odiar Anna Tatangelo. E essa reflexão parece ter vindo à tona. E mais: pode ter começado a mudar o percurso da bela italiana de 28 anos, nascida em 9 de janeiro de 1987, em Sora.

 

Anna teve seu primeiro grande sucesso justamente no Teatro Ariston, em 2002, quando venceu a categoria Novas Propostas com a música Doppiamente Fragili aos 15 anos. Essa não é uma coluna de corazón, então não vou entrar no mérito de quando, como ou por quê. O fato é que depois disso, Tatangelo conheceu Gigi D’Alessio, foi outras tantas vezes a Sanremo, casou-se com ele, teve um filho com ele. D’Alessio é um dos principais nomes da música italiana contemporânea, com mais de 20 milhões de álbuns vendidos na carreira. É 20 anos mais velho do que Anna. E num mundo em que 2 + 2 nunca somam 4, foi mais fácil julgar que Anna Tatangelo usou Gigi D’Alessio como trampolim para o sucesso.

Adicione a essa equação uma dose de antipatia gerada durante sua participação como coach no The X Factor 4. Anna Tatangelo foi a jurada com comentários mais ácidos que já vi em um reality show. Também tinhas as expressões mais blasé que já vi. Eu mesma torci o nariz pra ela naquela época, apesar de ser fã incondicional de Ragazza Di Periferia, música com a qual ela ficou no TOP 3 de Sanremo 2005. Fui uma das que apontaram o dedo ao vê-la no casting desta temporada do festival. Fui uma das que quebraram a cara com música e apresentação impecáveis. Fui mais uma na multidão sem entender o resultado, mesmo sabendo que ela não era lá a pessoa mais querida da Itália.

Foi muito injusto. Mais injusto, inclusive, do que a eliminação de Raf, uma lenda viva de Sanremo que cantou com febre e bronquite. Foi injusto porque o resultado é fruto da perseguição gratuita. Por mais que a participação no The X Factor tenha reforçado sua fama de antipática, quem garante que aquilo não era um personagem? Passados tantos anos e analisando friamente a situação, seria muito bom ter uma Anna Tatangelo em alguma cadeira do The Voice Brasil, por exemplo, onde a doçura dos jurados é de dar crise em diabéticos.

No dia seguinte à final de Sanremo, Tatangelo foi ao programa L’Arena, da Rai, e, ao contrário de todas as outras vezes, não foi sabatinada. Estavam todos lá estendendo a mão. Elogiando sua performance. Sua elegância. Foi a própria Anna quem disse estar feliz, pois o foco pós-festival, finalmente, não era sua aparência ou como ela sustentava sua carreira.

Libera virou o jogo para Anna Tatangelo. O vídeo da música é o mais baixado no Itunes Itália, onde a concorrência é pesada, principalmente na semana que sucede Sanremo. Nesses últimos dias, a única vez que associaram seu nome ao de D’Alessio foi para anunciar uma possível separação, já desmentida pelo casal. Anna é Libera, enfim. Voa solo. E se a imprensa italiana se esquecer disso no futuro, lanço a campanha #FreeForAnnaTatangelo.

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