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Habla, Pri

Série humaniza Nicky Jam e expõe caráter sensível de Daddy Yankee

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Série sobre Nicky Jam é densa

Uma das coisas que eu tinha deixado pendente em 2018 era Nicky Jam: El Ganador, série que está disponível no catálogo da Netflix desde o dia 30 de novembro.

Os primeiros dias do ano serviram para maratonar a história do reggaetonero. Pesada. Dura. Cruel.

Não espere um primor de produção. Não é isso que o drama, dirigido pelo renomado Jessy Terrero, oferece. A narrativa, às vezes, é confusa e deixa buracos na linha cronológica que, de repente, são preenchidos capítulos depois.

A primeira metade mostra a vida de Nick Rivera Caminero entre os Estados Unidos, na infância triste, e Porto Rico, quando experimentou o sucesso ao lado de Daddy Yankee, que rouba a cena.

O intérprete de Nicky jovem (Darkiel) é demasiado caricato. O personagem é mimado e irritante. Seus trejeitos são típicos das novelas mexicanas: cheios de exageros, digno de um Framboesa de Ouro.

Em contrapartida, o Daddy Yankee da ficção é mais parecido com Daddy Yankee que o próprio Daddy Yankee. E se você já ama o artista, seu repertório, vai fazer reverência ao ser humano ímpar, amigo e paciente retratado na produção. Ele protagoniza a parte inicial da série com seu profissionalismo e caráter.

Nicky Jam se entrega ao vício, em um ciclo de dependência química “herdado” da mãe. É briguento, mulherengo, abandona os filhos, caminha lado a lado com a bandidagem porto-riquenha. Parecia escrito que seu fim seria trágico.

Enquanto isso, DY contorna as encrencas do amigo, seja pagando suas dívidas ou “dando um jeitinho” em seus atrasos para compromissos profissionais. Mas todo mundo cansa.

Em uma das cenas, o ainda adolescente Nicky Jam pergunta a um produtor de uma casa noturna onde encontraria Daddy Yankee, e ouve: “nunca em um lugar como esse. Aqui ele vem para cantar, depois volta para a família”.

Tudo muda depois de uma overdose, a mudança para a Colômbia e Nicky Jam assumindo seu próprio papel.

Limpo e determinado a buscar o sucesso perdido, o personagem ganha densidade e ternura. Contando a própria história, o artista urbano dá um show ao mostrar sua volta por cima e, sobretudo, resiliência para lidar com as portas fechadas na luta pelo recomeço.

Se deve na produção, Nicky Jam: El Ganador merece a maratona porque é uma história que precisa ser vista para servir de exemplo. Exemplo de que é possível renascer como a Fénix do seu álbum, mas que uma vida de calle, a desestrutura familiar, o abandono, o vício, tornam o caminho mais difícil.

É uma história como várias com as quais nos deparamos todos os dias. Uma história real, palpável. Humaniza Nicky Jam e mostra que ele é, de fato, um ganador no jogo da vida.

Habla, Pri

É difícil aceitar, mas Luis Fonsi se perdeu em 2018

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2018 não foi tão bom assim para Luis Fonsi

Luis Fonsi terminou 2017 como o ano mais glorioso de sua carreira.  Recorde de visualizações no YouTube com Despacito com incríveis 5 bilhões de acessos, indicação ao Grammy Awards, uma guinada comercial histórica e sucesso nos quatro cantos do planeta.

O hit com Daddy Yankee era ótimo. Depois, veio a excelente parceria com Demi Lovato em Échame La Culpa. E ele deveria ter parado para refletir aí.

Aclamado como um dos grandes nomes da música romântica no mercado latino, talvez fosse o momento de mostrar que continua escrevendo letras de qualidade incontestável, contando histórias em forma de canções.

Mas o que ele tinha reservado para 2018 eram dois singles que, para sermos sutis, não passaram da linha da mediocridade. Calypso cumpre seu propósito de entreter melodicamente, mas a pobreza do refrão faz doer os ouvidos – e os corações – de quem acompanha a carreira do porto-riquenho desde antes da febre urbana.

Aí veio Imposible, uma parceria (mais uma!) com Ozuna que tinha tudo para dar certo, mas não vingou. A música é ruim. E ponto! De longe, a pior das quatro da nova fase de Fonsi.

Dos 5 bilhões de Despacito e 1,5 bi de Échame La Culpa, ele caiu para 240 milhões com Calypso e ainda tem uma caminhada para bater os 100 milhões com seu último vídeo, publicado em outubro.

De novo, talvez seja aquele momento de parar e voltar aos velhos tempos. Respirar (lembra, Fonsi, que linda música do seu repertório?) e aproveitar enquanto o mundo não o condena ao ostracismo da etiqueta de one hit wonder – e aqui falamos além do mercado latino – para seguir a linha de sucesso.

Ou, quem sabe, seja a hora de finalmente mostrar o nono disco da carreira por completo, com as comerciais e com sua raiz musical. Quem sabe ali não esteja escondido mais algum tesouro que entrará para o repertório de quem gosta de boa música?

A mudança de estratégia de Luis Fonsi não é condenável. Seu atual afã pelo sucesso global, pelos números, pela audiência tampouco. Quem não faria o mesmo em seu lugar?

Mas é triste ver o quanto ele se perdeu, musicalmente falando, em meio a esse processo. Porque não apenas deixou toda a sua essência de lado, como passou a produzir músicas ruins. E a verdade precisa ser dita. Calypso e Imposible estão muito aquém da sua capacidade autoral.

Se o Papai Noel acha que os fãs de música latina se comportaram bem em 2018, talvez seja esse o nosso pedido: o bom e velho Luis Fonsi de volta! Não importa se em uma balada ou em um reggaetón, mas com música boa. Ele sabe, ele consegue. Será que ele quer?

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Habla, Pri

Já existe uma geração que desconhece Alejandro Sanz no Brasil. E isso preocupa

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Alejandro Sanz lançou o single No Tengo Nada

Para quem é fã, para quem gosta de música latina, para quem tem memória afetiva, para quem viveu o auge da febre por Corazón Partio ou Y Si Fuera Ella, a participação de Alejandro Sanz no show de Ivete Sangalo foi um deleite.

Mais ainda por terem escolhido uma canção antiga do repertório do espanhol, uma das joias de seu tesouro musical: Quisiera Ser, do disco El Alma Al Aire, de 2000.

Contudo, parte do público que estava na pista Premium, onde a imprensa estava alojada, vaiou. Ou reclamou. Ou pediu pela volta de Marília Mendonça, outra convidada da noite. Ou disse, com pouquíssima educação, que o show teria sido melhor sem ele. Ou blasfemou: “se ainda tivesse  cantado a única música famosa…”

Não é difícil imaginar a faixa etária desses desavisados: jovens na faixa dos 20 anos que, em parte, não têm culpa de tamanha falta de cultura musical. Afinal, Alejandro Sanz é dos poucos artistas que furaram a bolha do mercado latino no Brasil muito antes de que o gênero virasse cult por aqui, desconhecê-lo ou reduzí-lo a um hit é, sim, falta de cultura musical. Ele é, há muitos anos, um artista global, cujo talento desconhece fronteiras.

Mas, se ele é tudo isso, então por que já existe uma lacuna considerável de pessoas que só o associam a Corazón Partio? A resposta é fácil: falta de merecida promoção por aqui.

Promoção que, desta vez, só chegou graças ao convite de Ivete. À gravação do especial de Roberto Carlos. Aí ficou fácil encaixar às pressas, nitidamente, uma agenda que falasse do brilhante No Tengo Nada, seu último single.

Ou alguém acha que ele teria a oportunidade de falar sobre seu novo trabalho no Brasil se não fossem os compromissos prévios por aqui? Foi como unir o útil ao agradável.

Single que eu, antes do show, torci muito para que ele interpretasse no palco do Allianz Parque, mas rapidamente mudei de ideia diante da reação do público. Em contrapartida, Leo Santana, do Psirico, teve a oportunidade de cantar quatro ou cinco canções solo.

Sanz esteve no Brasil pela última vez em 2013 com a tour La Musica No Se Toca. À época, gravou com a própria Veveta, Ana Carolina e Roberta Sá. Mas, convenhamos, em um mercado em constante renovação, quase seis anos de completo silêncio representam muito tempo.

Nesse ínterim, teve o álbum Sirope e uma turnê que não passou por aqui. Teve a comemoração pelos 20 anos do álbum Más, o lançamento de um DVD, um dueto com Paula Fernandes, mas ele também não veio promovê-lo. Não é concebível que um artista do seu tamanho, com público cativo no Brasil, não tenha o país em sua rota de promoção, seja qual for o trabalho.

Era visível o seu descontentamento durante a coletiva de imprensa pela ausência no país por tanto tempo. Sua frustração por não ter conseguido trazer sua última tour. Porque, Sanz, conhecedor do mercado como é, sabe: sem colocar a cara na TV, o risco de acontecer o que está acontecendo, é grande. O público envelhece com ele, estanca, deixa de crescer.

É fato que, se anunciar shows, eles lotarão, assim como acontece com Laura Pausini ou Eros Ramazzotti, contemporâneos que vivem situações parecidas. Fan base está aí para isso. Olhem para trás. Olhem para a biografia do Alejandro Sanz, mais do que isso, olhem para a sua música: ele merece muito mais do que isso.

Merece ser recebido com todas as honrarias do público no palco de Ivete Sangalo. Merece ser aclamado muito além de Corazón Partio. Merece cantar seu single novo. Merece ser aplaudido. Que tenha um ou dois que não goste do seu trabalho é do jogo. Faz parte. 

O que não pode é seu estafe por aqui tratá-lo como um produto de segunda categoria. Encaixar promoção por conveniência. Não dar a ele uma agenda de TV digna dos grandes. Deixar que seu nome continue ventilando por aqui ao acaso.

Estamos falando do Alejandro Sanz. E isso, em bom espanhol, são “palabras mayores”.

Veja No Tengo Nada, último clipe do Alejandro Sanz

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