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A Contracorriente

O poder do palco – Artistas que se superam ao vivo

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Marco Mengoni é um dos artistas que mais cresce ao vivo.

O Marco Mengoni é o cara. Ponto.

Poucos artistas crescem tanto ao subir em um palco quanto ele. É verdadeiramente impressionante o tamanho da alma que ele coloca nas músicas. Já boas gravadas, elas ganham cores novas ao vivo. Raiva, paixão, revolta. Mas simplesmente não parecem as mesmas canções.

Falo isso porque estou verdadeiramente impressionada com o que ele fez no último sábado no palco do Amici. Infelizmente o único vídeo que eu encontrei por aí é o do programa completo. Acreditem em mim: Amici vale cada segundo (a Pri explicou lindamente o fenômeno AQUI), mas caso você não queira ver tudo, é só pular até a hora 2:52’50”. Mas como Marco Mengoni nunca é demais, aqui vai um vídeo do primeiro show da turnê dele…

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=JRFLx4mZpTE]

Ele podia estar cantando o ABC (mesmo que fosse aquele do Pelé…) ou a receita de bolo que você iria se impressionar e acreditar em cada uma das palavras que ele disse. Mas, pra ficar ainda melhor, ele recita:

Hoje as pessoas te julgam
Por aquelas imagens que têm
Vêem apenas as máscaras
Nem sabem ao menos quem você é
Você deve se mostrar invencível
Colecionar troféus
Mas quando você chora em silêncio
Descobre quem você realmente é
(…)
O amor venceu, vence e vencerá”

Meu colega de LatinPop Brasil Filipe costuma chamar músicas com essa temática mais “humana” de Colgate, ao maior estilo “vamos dar as mãos e salvar o mundo”. Eu geralmente concordo, músicas assim me dão preguiça. Mas não Esseri Umani. Tanto pela poesia lindíssima, quanto pela raiva que Mengoni coloca em cada uma das palavras. Prestem atenção, sobretudo no vídeo do Amici, como ele vai ficando mais intenso. Pois é. Ele cresce, e cresce e cresce com uma canção que já é boa. Mas que ao vivo fica incorrigível. Até as falhas técnicas são perdoáveis. Você as enxerga como “adicionais”, faz parte da interpretação.

E como esquecer de L’Essenziale? Sozinho, no palco. Sem nenhum artifício. Sem nada. E mesmo com o olhar quase perturbado, que nunca sabe pra onde olhar e fica passeando pela Malmö Arena. Você não precisa falar italiano pra entender o que ele está cantando…

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=S8oaxDV1q6o]

Mas  Mengoni não é o único que cresce ao vivo, que deixa músicas que já são sensacionais ainda melhores.

O que falar de Pastora Soler?

Ela impressiona por um motivo diferente de Mengoni. Ela é uma artista visualmente expressiva, que conta com o rosto a sua história. Bom, sobre a voz de Pastora não vou falar nada, porque ela dispensa apresentações.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=1AGHl4_KtbA]

Ahhh… Em música dramática é fácil. Não. Não é. Mas em todo caso:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=VI68J0rEEMQ]

Mas voltando às baladas…

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=U8J1b62wOao]

Mentira. Vou sim falar da voz da Pastora. Porque vozes como essa são raras. E eu confesso abertamente: demorei muito tempo a gostar de Quédate Conmigo. Honestamente nem acho uma canção tão sensacional assim. E isso fica bem provado na versão CD da música. Quem constrói é Pastora Soler. Que sobe no palco e dá cor, tons diferentes a uma melodia apenas OK. Ela cria, tijolo a tijolo uma nova canção, culminando em uma das apresentações ao vivo mais sensivelmente perfeitas que eu já vi. E certamente que vocês já viram também. É impossível não se arrepiar.

São poucos os artistas que são capazes de, como Marco Mengoni e Pastora Soler, impressionarem tanto assim ao vivo. Eu poderia listar outros montes que arrasam ao subir no palco sem playback, mas nenhum “muda” tanto quanto eles.

Com o excesso de autotunes e produção para esconder falhas vocais, é no ao vivo que as canções perdem ou ganham. E nesse jogo, a vitória é facilmente dos dois.

A Contracorriente

Huelga Feminista, a greve das mulheres: hoje nos paramos por elas

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No Dia Internacional da Mulher, 5 latinas que são exemplo da luta feminista: Karol G, Amaia Romero, Rozalén, Laura Pausini e Anitta

Neste 8 de março o LatinPop Brasil pede licença. Neste 8 de março não teremos LatinPop Brasil. Não é a toa que este post está sendo publicado ainda no dia 7.

8 de março é o Dia Internacional da Mulher. 8 de março de 2018 é o dia da Huelga Feminista, a Greve Feminista. O movimento vai tomar conta da Espanha e da América Latina. Hoje as mulheres vão à rua protestar contra o machismo e todas as suas consequências. A violência de gênero, a desigualdade salarial, a marginalização, as micro agressões. Chegou hora de dizer basta.

“A sororidade é a nossa arma, é a ação multitudinária que nos permite seguir avançando. O 8 de março é nosso, internacional e reivindicativo. Nossa identidade é múltipla, somos diversas. (…) Somos TODAS. Juntas hoje paramos o mundo e gritamos: BASTA a todas as violências que nos atravessam”.

Este parágrafo acima faz parte do manifesto da Huelga Feminista. O texto completo você encontra aqui.

Hoje param as mulheres. Artistas, cabeleireiras, médicas, engenheiras, jornalistas, pedreiras, cozinheiras, economistas. Hoje paramos todas.

E se o LatinPop Brasil se faz de música, neste 8 de março nosso protesto é o silêncio. Mas não sem antes cantar com as mulheres que são exemplos a seguir. Cada uma de um canto do mundo. Todas latinas.

Amaia Romero

Vencedora do Operación Triunfo 2017. Natural de Pamplona, na Espanha. 19 anos. Mas você jamais diria que a idade é tão pouca. Ao longo de seus três meses encerrada e rodeada por câmeras, ela deixou momentos inesquecíveis. Em um deles, prestes a deixar a academia para um dos shows ao vivo, falou com a amiga Aitana: “quer saber, não vou me depilar. As mulheres também temos pelos. Tenho muitos pelos, mas e daí?“. Em outro, disse que não entendia o porquê da obrigação de usar saltos se está feliz com a sua estatura.

Em uma entrevista, disse: “Exigem de nós, mulheres, estar sempre perfeitas. Dos homens não. E eu digo isso me maquiando sempre porque eu acho que fico mais bonita. Mas este é o problema. Por que eu me vejo melhor assim?”.

Amaia está desenhando uma nova geração de garotas feministas da Espanha. Garotas que só querem fazer o que bem entenderem e não querem ser tratadas diferentes.

Karol G

Karol G é a rainha em um estilo que é 99% dominado por homens, o urbano e reggaetón. E ela não tem problemas em criticar os colegas de gênero. “Eu sou muito honesta. Eu gosto do trap mas também digo que algumas músicas não passam pelo meu filtro de respeito à mulher“, contou ao jornal El País, citando canções como a polêmica (e misógina) Cuatro Babys, do Maluma.

Ela continua: “Nas minhas letras eu posso contar muitas coisas, inclusive histórias de um amor enlouquecido por um homem. Mas no final, sempre dando a visão de uma mulher determinada e com critério“.

Estou escrevendo com os pés. Com as mãos, estou aplaudindo.

Laura Pausini

Em 2014, virou polêmica mundial uma cena de Laura Pausini. Ao final de um show no Peru, ela estava supostamente nua, só de calcinha em baixo do seu tradicional roupão. O vídeo correu o mundo. Dias depois, ela foi questionada sobre o assunto.

“É ridículo (sobre a polêmica). Não é possível que só se fale de um roupão que acabou abrindo quando eu tenho uma carreira pela qual ganhei 4 Grammy Latinos, 1 Grammy e corri o mundo com shows.”

Em tempo. Ela não estava nua. E se estivesse? Porque uma carreira tão brilhante como a de Laura Pausini precisa ser reduzida ao seu corpo. Sim, isso é machista.

E tem mais Laura Pausini feminista. Confiram em breve na entrevista exclusiva da italiana ao LatinPop Brasil.

Anitta

Se é verdade que a Anitta estourou com um single que incentivava a rivalidade feminista e falou umas abobrinhas por aí, também é verdade que ela é a prova que educação é essencial. Ela cresceu, aprendeu, entendeu o poder das suas próprias palavras. Sobretudo, ela vive e fala: a mulher tem que fazer o que quiser e ser respeitada por isso.

“Eu só canto o que sinto e gosto de fazer. Se me sinto romântica, expresso, se me sinto sexy, também. A minha meta com a música é fazer com que nos respeitem como quisermos ser. Sensuais ou não, beijando um ou beijando seis.”

Entendeu?

Rozalén

La Puerta Violeta, música do disco Cuando El Río Suena, deveria ser ouvida por toda a humanidade. Esta é uma canção essencialmente feminista”, que a artista define assim:

“A liberdade depois da repressão, a venda que cai, uma porte que abre para entrar em outra dimensão por fim amável. Um chute no maltrato. É feminismo. É igualdade. Uma regressão consciente, umas imagens que com o tempo se entendem. Um lugar para o qual eu não quero voltar”. Ouça. Espalhe:

Lembre-se, no Dia Internacional da Mulher nós não queremos flores e chocolate.

No Dia Internacional da Mulher nós queremos respeito.

No Dia Internacional da Mulher nós queremos igualdade.

No Dia Internacional da Mulher nós queremos o fim da violência machista.

No Dia Internacional da Mulher, nós paramos por quem veio antes, por quem luta agora e pelas futuras gerações.

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A Contracorriente

O OT 2017 é a melhor coisa que aconteceu na música da Espanha este ano

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O OT 2017 é a melhor coisa que aconteceu na Espanha este ano.

Que me perdoe o Pablo Alborán e seu genial Prometo, mas a melhor coisa que aconteceu na música da Espanha em 2017 foi a volta do Operación Triunfo. Aliás, o OT 2017 é o melhor acontecimento no entretenimento da Espanha.

(Disclaimer: Eu podia explicar aqui a importância do OT na minha relação com a música latina. Ainda o farei. Mas tem tanta coisa para falar que vamos direto ao ponto. Disclaimer 2: editorial escrito sem muito planejar. Prepara que vai virar textão!)

Quando a TVE anunciou a volta do programa, não teve fã saudosista que não comemorasse. O OT foi um fenômeno cultural que marcou a virada no milênio da Espanha e todo mundo pensou que jamais se repetiria. Atenção ao “pensou” e ao “repetiria”. Porque é o que começa a se desenhar.

Veio então a desastrosa Gala 0. Assim, desastrosa mesmo. Das 18 performances, poucas se salvaram. O resultado foi ainda pior: o brasileiro João, cheio de potencial, foi mandado para casa. Juan Antonio, que deixou Pasos de Cero inaudível (clique por sua conta em risco), ganhou passe livre para a Academia.

Foi uma decepção geral. Será que trazer o OT de volta teria sido mesmo uma boa ideia? Bom, claramente a resposta é sim. E me desculpem se não há um porquê. São vários “porquês”, alguns deles até difíceis de se explicar.

Os triunfitos são o primeiro “porquê”. Existe uma mágica em cada um deles, um algo especial e diferente na maioria. Quase uma inocência. À exceção do veterano Ricky (31 anos, já eliminado) e de Cepeda (28), a maioria ali tem 18, 19 20 e poucos anos. Eles sabem e sentem as consequências, mas eles não viveram o fenômeno do Operación Triunfo 1, então estão ali quase “frescos”.

Aliás, sabe essa mágica? Então. Existe e é real. A favoritíssima Amaia é uma máquina geradora de memes, capaz de falar besteiras hilárias na velocidade da luz. Incluindo dizer que precisava ir ao banheiro 30 segundos antes de sua performance.

Sim. Ela realmente o faz.

Alfred é um jovem músico barcelonês com uma alma do século passado. Ele e Amaia, aliás, são “algo”. Tem algo. “Almaia”. Se é que me faço entender. E é deles aquela que é, para muitos, a melhor performance da história do OT em todos estes 16 anos. Duas vozes. Um piano. Magia. City Of Stars.

Aitana foi um desastre na Gala 0. Mas um desastre colossal. Hoje ela completa o trio de favoritos graças a uma personalidade deliciosa, uma voz particular e o claro potencial de ser a maior estrela discográfica deste OT. Aitana será, ganhando ou perdendo, a nova estrela do pop que a Espanha hoje não tem.

Cepeda é um cara difícil. Uma vez apaixonante, mas um escudo quase impenetrável. Ele tem uma dificuldade descomunal de lidar com o que sente. Pouco a pouco ele quebra essa barreira (menção especial a uma aula essa semana com os Javis – de quem já já eu falo). E se quebrar de vez, fica imparável.

Ana Guerra (ou melhor, Ana War) é outra máquina de memes. É cheia das caras e bocas. Mas é a triunfita que mais cresceu até aqui. Antes candidata em potencial a todas as “nominaciones“, ela virou um espetáculo no palco.

Roi é um talento que demorou a desabrochar, mas que tem se revelado um grande músico (desprezado por professores e jurados), diga-se de passagem. Depois de semanas sem personalidade, Raoul emocionou todo mundo com uma versão particular de A Million Reasons. O mesmo para Mireya e a sua Cuando Nadie Me Ve. Nerea é uma princesinha Disney. Miriam é ame-a ou deixe-a.

Cada um tem algo. Maior ou menor. Mas tem.

Porque esse vídeo? Porque esse OT é uma Revolución Sexual real. Não há pudores ou assuntos proibidos. Tudo o que é polêmica na Espanha católica, comandada por um partido conservador, na Academia é tratado com naturalidade. Sabe aquele pinguinho de esperança de um mundo melhor? É sério.

A já eliminada Marina é bissexual. Seu namorado, Bast, um rapaz transsexual. A tranquilidade com o que ela contou isso para os companheiros desde o princípio é aquilo que a gente quer que seja sempre: normal. Nada de uau, “noooossa”. Viva a representatividade!

Se nada for mudado, uma das performances hoje vai incluir um beijo gay. Ao vivo. Pra todo o país.

Na gala da semana passada, celebrou-se o fato de alguns estarem aprendendo catalão, por pura vontade. (Isso em meio às tensões políticas separatistas). Também brincou-se com o galego (e sapoconcho, galego para tartaruga, é uma piada coletiva na Espanha).

Diferente neste OT mesmo só a relação com a internet, o maior dos acertos da produção. Como você isola 16 jovens em plena era das mídias sociais? É simples: você isola eles do mundo, mas não isola o mundo deles. Todos os triunfitos têm um celular na Academia para publicar livremente no Instagram. Por uma rede interna, eles publicam mas não podem ler nada.

Some isso ao live diário da Academia. Se nas primeiras edições os espanhóis pagavam por um pay-per-view do Operación Triunfo, este ano o directo acontece no Youtube, para quem quiser ver. A transmissão começa no despertar dos triunfitos e vai até o jantar deles. Em qualquer horário do dia, há 12 mil pessoas acompanhando. Para os “grandes momentos” da semana (“reparto de temas” ou ensaios gerais), são sempre mais de 40 mil, não importa o horário.

Aliás, meu Spotify anda abandonado “graças” ao live do OT. Passo o dia ouvindo as aulas. Culpa nenhuma.

E sim, esse texto já está gigante. Mas não dá para não falar nos Javis. Aka os atores Javier Ambrossi e Javier Calvo.

Nem peço desculpas a Ángel Llacer para falar: os Javis são os melhores professores de interpretação que o OT já teve. Acompanhar as aulas deles são uma aula de vida para qualquer pessoa. A gente chora, a gente ri, a gente aprende a si mesmo. Eu (e todo mundo!) só queria os Javis guiando a minha vida. De cada aula sai uma lição.

Assim como esse OT, os Javis são difíceis de se explicar. Tem que assistir.

OT 2017 nunca será o Operación Triunfo 1. Jamais. Nenhuma outra edição será. Mas a magia definitivamente está de volta. O mercado discográfico já está sentindo (é só ver as listas de Spotify e iTunes!) e vai ter espaço pra muitos deles.

España se ha vuelto loca do Alejandro Parreño no Documentário definitivamente está acontecendo de novo. Só que agora mais tecnológico.

Ok. Agora esse texto realmente está grande demais. É o que acontece quando a gente escreve de coração.

Com certeza tem muita coisa que eu não falei e que mereceria ser mencionado. Mas magia a gente não explica, a gente sente. E tenta passar para os demais.

Obrigada OT. Gracias OT.

(Só arrumem uma rehab pra quando o programa acabar. Não vai ser fácil lidar com a abstinência.)

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