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Entrevistas

“Quando você chega ao coração brasileiro, ele não te deixa mais”, diz Eros Ramazzotti

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Novo álbum de Eros Ramazzotti chega em novembro

Existem entrevistas que bambeiam as pernas. Fazem o coração bater mais forte. Não tem nada a ver com idolatria, mas com o peso do entrevistado. Foi com essa sensação que peguei o voo 2028 no sábado, 17 de novembro, a caminho de Roma, para dali fazer a conexão a Milão.

Poucos dias depois, me esperava em seu estúdio para falar sobre Vita Ce N’è, o 15º álbum de sua grandiosa carreira, ninguém menos do que Eros Ramazzotti. Com meus 13 anos de carreira, com um currículo já recheado de artistas renomados, confesso que imaginava os dias antecessoras à conversa um pouco mais amenos. Mas Eros é Eros. Um dos gigantes da música mundial, impossível tratar como um nome a mais.

A entrevista aconteceu um dia antes da estreia do álbum nas lojas físicas e plataformas digitais. Em um fim de tarde milanês agradabilíssimo. Ao saber que tinha saído do Brasil especialmente para a cobertura, o astro recolhe minhas mãos entre as suas, beija e diz: obrigado!

Pontualmente às 16h20, não começou uma entrevista, mas um bate-papo que incluiu dicas de música brasileira e até sobre o deslocamento entre Rio de Janeiro e São Paulo. Fica claro que o homem que roda o mundo com sua música não se sente confortável para voar. E me pergunta: foi em São Paulo ou no Rio que aconteceu aquele acidente em que a pista do aeroporto era curta? Respondo que foi na capital paulista. Em seguida, Eros pergunta se há boa estrada ou trem, ou algo que facilite o trânsito entre as duas capitais.

E acaba aí o mito do artista inatingível. Acessível, simpático, um boa praça italiano de 55 anos, com vitalidade de um menino de 20 para falar sobre seu novo projeto musical, que chegará ao Brasil em dois concertos no ano que vem. As datas serão anunciadas no início de dezembro, segundo ele.

Seja pela música, seja pelo talento, já é um evento para colocar na agenda!

Entrevista com Eros Ramazzotti

LatinPop Brasil: Perfetto tinha um som mais artesanal. Agora, em Vita Ce N’è, você volta ao pop rock que o consagrou, mas colocando uma pitada de uma nova sonoridade, acompanhando o mercado mundial. A leitura do seu novo trabalho é essa mesmo?
Eros Ramazzotti: Concordo com você que o outro álbum era mais, como você disse, artesanal, e esse é todo construído pelo tempo, pelo nosso tempo. É um disco que parte, sobretudo, de letras importantes, têm um significado importante como todas as letras para mim. É a maneira como trabalho desde que comecei com Terra Promessa até hoje.

LP: São três anos entre Perfetto e Vita Ce N’è. O que mudou em você entre os dois trabalhos?
ER: Seguramente, mais experiência. Dei mais uma volta pelo mundo neste tempo em turnê, tive um filho, o que não é pouco, me casei, fiz tanta coisa, foram muitas experiências vividas em pouquíssimo tempo. Musicalmente, eu tive vontade de fazer algo que me colocasse o mais alto possível.

LP: Adoro o título. Qual o significado de Vita Ce N’è pra você?
ER: O fato de você gostar tanto do título é maravilhoso porque é para dar essa sensação. Vita Ce N`é é o futuro, é o amanhã. É amanhã, ainda que hoje a vida não seja assim, positiva, eu quero recordar que existe vida. E a vida são tantas coisas que vão chegando, que vão agregando, que vamos desejando, sempre em constante mutação. É essa a mensagem.

LP: E esse single que dá nome ao disco. É tão Eros Ramazzotti…
ER: É um single simples, muito radiofônico. É a história de todos nós.

LP: São três duetos: Vale Per Sempre, a parceria com Alessia Cara, é uma das músicas mais bonitas de todo o seu repertório. Como você escolheu a Alessia para essa canção?
ER: A escolhi porque é uma jovem com uma voz muito particular, italo-canadense, me conhecia por conta dos pais, porque ela é realmente muito jovem. E a música é especial. Eu falo com a menina jovem e digo a ela que o amor é a coisa mais importante e assim será para sempre. Pode ser o amor por uma mulher, por um filho, pela natureza. É uma letra muito importante, muito verdadeiro, é por isso que te chegou dessa maneira mais forte.

LP: Temos o Luis Fonsi também e foi muito surpreendente o anúncio do dueto, ninguém esperava. Falei com ele há pouco tempo e ele contou que deve virar single nas estações mais quentes…
ER: Sim, é uma canção muito bailável. É uma canção que nasceu para ser single. Quando escrevi, já pensei isso. Vale Per Sempre, por exemplo, nasceu para ser um dueto. Per Le Strade Una Canzone nasceu para ser single. E da maneira como ela ficou, não poderia ser cantada por outro artista. Eu pensei logo no Luis Fonsi porque o conheci dois anos antes, em Verona, foi logo me chamando de “maestro”, foi tudo muito fácil para convencê-lo, mesmo antes de ouvir a música. Quando ouviu, ele gostou e eu realmente espero que seja a música do verão deste disco.

LP: Está difícil deixar o reggaetón de lado no momento atual da música?
ER: O importante é a letra. Pode ser irônica, mas não pode ser machista, muito pesada. Muitas músicas destróem as mulheres, isso não é bonito. Por isso, eu não gosto. A ironia tudo bem, mas deixar uma mensagem assim negativa para os jovens é algo muito duro. Não se pode abrir a internet para ouvir música com esse tom pornô, tão sexual. Há uma liberdade na música, sobretudo nas letras atuais, que não é controlável. As pessoas entendem que passaram do ponto, mas ninguém faz nada. É uma realidade pesada.

LP: Una Vita Nuova é outra música que traz um Eros Ramazzotti totalmente diferente do que conhecemos. Como você define essa canção?
ER: É uma canção clássica pelo lado da letra, mas tem um vestido diferente, tem um arranjo que não é muito eu, mas dentro do disco ela coube muito bem.

LP: Qual é a tua música favorita do disco e por quê?
ER: Buon Amore. Porque me inspirei na minha filha mais velha, Aurora. Teve uma noite que não dormi pensando nesse título e ela, depois de algumas experiências, está namorando “oficialmente” e eu quis dizer que estou feliz por ela.

LP: Você esteve no Brasil há três anos com a turnê Perfetto. O que o público brasileiro tem de diferente? E o que você vai levar de diferente com a nova turnê?
ER: O público brasileiro não é fácil, mas se você chega ao coração brasileiro ele não te deixa mais. Isso é algo que eu percebi. Já estive algumas vezes em concerto e, realmente, cantam todas as canções, é um coro incrível, emociona qualquer artista. De diferente eu levo a experiência desses três anos. O show, certamente, não será o mesmo visto na Europa, ele não funcionaria no Brasil. A diferente vai também nos músicos, com uma sonoridade mais potente do que na turnê anterior. Eu quero dar ao público aquilo que ele merece, não adianta pagar um ingresso para assistir a um show que não tem a ver com aquele grupo de pessoas. Uma praça tão diferente como o Brasil precisa de um espetáculo diferente.

LP: O que você conhece e gosta da música brasileira?
ER: Conheço Tom Jobim, um dos principais autores da música mundial. Até já fiz uma foto com ele. Com a estátua, é claro. (risos)

LP: Com quem faria um dueto?
ER: Estou preparando algo com a Mariza, que não é brasileira, é portuguesa. Ainda não tivemos tempo para trabalhar muito, é muito difícil cantar em português, muito mais difícil do que em espanhol. Mas se tem uma grande artista, pode me dizer. [Cito Iza. Imediatamente, Eros pega o celular para ver o trabalho da intérprete de Ginga]. Ah, eu acho que já a conheço. Uau, como é linda! Vamos fazer uma música com Iza, anota aí.

LP: Antes de despedirmos, olhe para a câmera e deixe uma mensagem para os teus fãs no Brasil.
ER: Agradeço a todos que gostam da minha voz, das minhas músicas, não posso fazer mais do que agradecer e esperar que esse número cresça dia após dia. Obrigado!

Ouça Vita Ce N’è, o novo álbum do Eros Ramazzotti

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