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Entrevistas

Marco Mengoni lança Atlantico e diz: “Vanessa da Mata é uma força da Natureza”

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Marco Mengoni lança Atlantico, seu novo álbum

Alguns artistas são superlativos. E o recurso linguístico de intensidade vai além do talento. É difícil lembrar de um disco do Marco Mengoni que tenha sido lançado assim… como um álbum qualquer. Mas, com Atlantico, ele se superou.

Desde a madrugada de quinta-feira, o italiano vem promovendo uma série de eventos em Milão para apresentar seu novo trabalho. A estação de trem central da cidade, por exemplo, foi palco de um showcase privado. Nenhum transporte chegava ou saía. Em um dos pontos mais movimentados da capital da Lombardia, apenas a voz de Mengoni ecoava.

Na manhã seguinte, uma exposição dedicada a apresentar faixa a faixa antecedeu a coletiva de imprensa de apresentação do CD. Cada sala representava uma das músicas do disco. Ele ainda teve fôlego para entrevistas exclusivas, como a que você lerá a seguir concedida ao LatinPop Brasil, que esteve na Itália para acompanhar todo o festival de estreia de Atlantico, que chega ao mercado nesta sexta-feira, 30 de novembro, com um presente brasileiro: dueto com Vanessa da Mata.

O álbum, aliás, é uma excelente “salada” musical, fruto de um período de introspecção e viagem que resultaram no que é, sem dúvida, o melhor projeto discográfico do artista de Ronciglione. De salsa ao fado, de sons modernos como Voglio, de baladas com o selo Mengoni como Hola, de mensagens fortes como Muhammad Ali ou Dialogo Tra Due Pazzi, é difícil encontrar algum track mediano.

Um artista à frente de seu tempo que sonha em vir ao Brasil. Diz ter medo de chegar e nunca mais querer voltar para casa. Um artista com fama de introspectivo, mas que não tira o sorriso do rosto para falar de Atlantico. Que chorou por diversas vezes ao falar do trabalho de sua equipe e do seu próprio cansaço emocional por três longos anos de construção do álbum.

Um artista como poucos. Vida longa, Marco Mengoni!

Entrevista exclusiva com Marco Mengoni

LatinPop Brasil: Geralmente, eu sempre pergunto aos meus entrevistados o que eles conhecem de música brasileira e com quem fariam um dueto. Atlantico já veio com essa surpresa: um dueto com a Vanessa da Mata, ao lado da Selton, em Amalia. Ela é super querida do público brasileiro. Como você chegou até ela, como foi essa escolha?
Marco Mengoni: Boom, surpresa! Me adiantei! (risos). Faz três anos que conheci Boa Sorte e me encantei com a voz dela. Aí escrevi uma música que fala sobre Amália Rodrigues, que fala de fado, de uma mulher muito forte, e eu quis vestir essa letra com dois artistas brasileiros: a Vanessa da Mata e também o grupo chamado Selton, que vem de Porto Alegre. Assim, vesti de “brasileiro” esse tema dedicado ao fado português, sem fronteira linguística ou de cultura.

LP: Então, vamos fazer o seguinte: o Brasil ama música italiana. E esse dueto provavelmente vai te abrir portas por lá. Se apresente aos brasileiros que ainda não têm o privilégio de te conhecer. Quem é o Marco Mengoni?
MM: Espero! (aumenta o tom de voz) Espero ir ao Brasil o mais rápido possível, sempre foi meu sonho. Tenho medo de andar pelo Brasil, porque tenho medo de querer ficar ali para sempre, de olhar para casa e dizer “Tchau a todos”. A Vanessa me convidou para a sua casa como amigo, para ser seu hóspede. A música foi gravada em Lisboa e ela é uma força da Natureza. Uma simpatia, uma energia, queria ter um porcento da sua energia. Dizer ao Brasil quem eu sou, seguramente a minha música diz mais. Sou apenas um rapaz de braços abertos, pronto para partir quando o Brasil me chamar. Eu estarei disponível e pronto para ver tanta beleza.

LP: Atlantico é uma viagem de sons e ritmos que começou surpreendendo com essa Buona Vita, uma música tão leve, fresca, que lembra até um pouco o nosso samba com outros gêneros latinos. E Voglio, uma música que está no outro extremo, moderna, radiofonica. Eu te pedi para se apresentar, agora apresente esse disco surpreendente a cada faixa. É o seu projeto mais internacional?
MM: Certamente, se a gente for falar de projeto internacional, sim. Viajei tanto, fui a tantos lugares banhados pelo Atlântico, é o primeiro disco com tantas influências diferentes. Me apaixonei pelas explicações musicais que me deram de cada lugar, me explicaram tudo, por exemplo, sobre a batucada do samba tradicional e também do mais moderno. Seguramente, é o meu disco mais aberto às influências de outros lugares.

LP: Hola é a minha música favorita. Qual é a sua? E por quê?
MM: Escolher uma favorita é um pouco difícil, depende do momento. Hola é incrível, se fosse hoje, agora, escolheria a que fala do meu renascimento: Rivoluzione.

LP: Tenho uma filha de nove anos que te ama. Minha mãe te ama. Eu amo suas músicas! Qual é o segredo para chegar aos corações de tantas gerações?
MM: Boh (expressão típica italiana que significa “não faço ideia). Não sei! (risos) Não sei, não sei como responder a essa pergunta. Mas creio que chegar a todas as gerações seja relacionado à essência, de ser uma pessoa. Mas é bom perguntar a elas! (risos)

LP: Pode deixar uma mensagem aos seus fãs brasileiros?
MM: Aos meus fãs brasileiros, sempre vejo vocês comentando, traduzem as músicas, não vejo a hora de escutar samba, ouvir a batucada, e o que mais posso dizer: muito obrigado por tudo (aqui arranhando o português). Um beijo grande!

Ouça Atlantico, o novo álbum de Marco Mengoni

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