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Yulia Samoilova Eurovision 2017 Russia

#EurovisionTime – Política e o Eurovision

Hola, amigos de LatinPop Brasil!

Preparem seus caderninhos de Geografia, pois hoje teremos uma aula de política com o Eurovision. Apesar de ser um festival de música que celebra a união entre os povos, as famílias e traz muita representatividade ao público LGBT, o ESC também possui muitas tretas. E elas envolvem muito a política e conflitos entre países!

O caso mais recente vem da desistência da Rússia, anunciada ontem. A sua candidata, Julia Samoylova, fez um show na região da Crimeia, disputada até hoje entre os ucranianos e russos. Segundo as leis de imigração da Ucrânia, é proibido de entrar no país por três anos quem já pisou naquelas terras sem autorização do governo… E Julia é um desses casos – foi em 2015 ela entrou no país sem a devida autorização.

O caso deu muito pano pra manga, pois até mesmo a EBU botou o dedo na ferida, tentando dar soluções ao caso, que iam desde uma permissão especial a Julia para ir ao Eurovision, até a troca de música e artista pela delegação russa, que não cedeu em momento algum.

Nada resolvido, a Rússia jogou a toalha e desistiu de competir neste ano.

Essas tretas de Eurovision envolvendo política não são de hoje…

E por incrível que pareça, não envolvem apenas a Rússia!

Um dos primeiros casos que ouvi falar, enquanto era novata no universo do festival, é participação do Líbano no Eurovision. Se vocês acham estranho ter a Austrália, é porque não sabem que já houve participação do Marrocos no ESC, lá nos anos 80. Mas voltando ao assunto principal…

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Aline Lahoud também participou do The Voice francês

Em novembro de 2004, a rede Téle-Liban, afiliada a EBU, confirmou que iria competir no Eurovision de 2005 com a cantora Aline Lahoud. Ela já tinha até uma canção selecionada, a belíssima Quand Tout S’Enfuit.

Porém, a rede de TV libanesa não queria transmitir a canção de Israel graças aos conflitos e a guerra nas regiões fronteiriças entre esses dois países (e também com um dedo da Palestina). A EBU entrou na briga exigindo que o país transmitisse a canção de Israel. Assim, a rede de TV do Líbano desistiu de participar e nunca mais voltou a tentar.

Na edição de 2009, sediada em Moscou, a Geórgia iria mandar a canção We Don’t Wanna Put In, de Stefane e a girl band 3G. A música era uma crítica pesada à guerra que envolvia a Geórgia e a Rússia, na região da Ossétia do Sul, lá em 2008. Era claro que a canção se referia a Vladimir Putin, o presidente da Rússia…

A EBU não permitiu que os georgianos se inscrevessem com essa música, autorizando uma mudança nas letras ou até mesmo de canção. A rede de TV local, a GPB, bateu o pé e insistiu em continuar com We Don’t Wanna Put In, alegando que não tinha nada a ver com o presidente russo. Conclusão da história? A Geórgia desistiu de participar do festival. Meses depois, eles assumiram que a música tinha a intenção de “humilhar Putin em solo russo”.

Uma curiosidade? Tamara Gachechiladze, a cantora que irá defender a Geórgia no ESC 2017 com Keep The Faith, fazia parte da 3G, ou seja, ela adora uma treta!

Considerados “inimigos mortais”, Armênia e Azerbaijão sempre são perigosos e sempre causam treta no Eurovision. Começamos por 2009, qundo rolouum mal estar graças ao postcard armênio. Ele mostrava um monumento chamado “We Are The Mountains”, situado na região de Nagorno-Karabakh – uma terra que causa a discórdia entre os dois países desde a independência da Armênia e do Azerbaijão do Império Otomano em 1918. A ONU reconheceu a região como parte do Azerbaijão, mas a população armênia que mora lá não aceita isso.

Mais recentemente, em 2016, a Armênia quase foi expulsa do Eurovision! Isso foi graças a bandeira que Iveta Mukuchyan, cantora que representou os armênios na época, levantou enquanto estava na Green Room… A bandeira é justamente a de Nagorno-Karabakh. Uau!

Mas a situação mais grave vem de quando o Azerbaijão sediou o Eurovision de 2012. Com medo de sofrerem retaliações e violência, os cantores armênios começaram um levante para boicotar o Eurovision e nenhum deles quis se comprometer de viajar para Baku. A ARMTV lançou tardiamente sua decisão de desistir do festival e, com isso, teve que pagar a taxa de participação com uma multa de 50% daquele valor, e sendo obrigada a transmitir o festival na TV. Caso contrário, os armênios seriam proibidos de participar da edição de 2013 (que foi na Suécia).

Fora as canções acusadas de envolver letras políticas, mas que não foram banidas do festival, como é o caso da Armênia em 2015 (Face the Shadow, Genealogy), a Ucrânia em 2016 (1944, Jamala), Grécia em 1976 (Panagia Mou, Panagia Mou, Mariza Koch), entre outros casos…

O Eurovision, por mais que ele não tenha essa intenção, também traz assuntos bem realistas e chatos a tona, mas que não deixam de fazer parte da realidade da política ao redor da Europa.

Um abraço e até a próxima semana!

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