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Habla, Pri

Trem Bala e uma história real – Carta aberta à Lucero

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Lucero faz seu primeiro show no Brasil

Querida Lucero,

Conheci Trem Bala em fevereiro deste ano por intermédio de uma prima. Ela me pediu para que fizesse um vídeo em homenagem ao seu pai, que tinha terminado o último ciclo de quimioterapia e vencido um linfoma que chegou ao cérebro. Fizeram uma linda festa em março.

Mostrei a canção ao Thiago Gil, sócio do LatinPop Brasil, e nos apaixonamos pela letra de imediato. Trem Bala, em meio a tantas e tantas canções latinas, tem marcado meu 2017. Tem sido um ano de perdas. Foi com essa canção que me despedi do meu avô em 1º de julho.

O que essa história tem a ver com você? Ali, na entrada do Teatro Gamaro, meu telefone vibrou. Uma mensagem no Whatsapp me trazia uma triste notícia. O tio voltou a ficar doente. Desta vez, o prognóstico é dolorido e difícil de aceitar. Desta vez, ele se tornou um passageiro prestes a partir. Seis meses se seguir o tratamento, disseram os médicos.

Foi ali, em meio às lucerinas que cantavam Tô de Olho tão felizes, que meu chão abriu. Disfarcei a tristeza, o choque, e tentei seguir adiante. Afinal, estava ali a trabalho e para cumprir uma promessa que te fiz no ano passado: levar minha filha para vibrar com o seu repertório.

De 2015 para cá, nós duas criamos um laço por esse trabalho incansável de divulgação que fazemos por aqui. Nos vimos incontáveis vezes e você, sempre tão amável, me cativou como poucas pessoas conseguiram ao longo dos meus quase 37 anos de vida.

Minha Laura vibrou. Cantou alto Carinha de Anjo, Filha Linda, Pequena Aprendiz, Joia Rara... Dos olhinhos vibrantes dela e da vibração que vinha do palco, eu tirei forças para não desmoronar por vários momentos. Maldito sejam os ossos do ofício que não nos deixam fraquejar em nenhuma situação. Porque perder o rumo, às vezes, faz bem.

Mas, humana que sou, fraquejei. O primeiro verso de Trem Bala veio acompanhado de um choro compulsivo. Essa música reflete tanto em tão pouco que será perpetuada por gerações, mas na minha vida, infelizmente, ela faz parte de uma trilha sonora dolorida.

Por que estou te contando tudo isso, Lucero? Porque você conseguiu. Você conseguiu entrar em uma parte da minha história. Com seu repertório, conquistou minha filha e outras pequenas aprendizes que ali estavam.

É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações

Foi um showzaço, apesar dos percalços de produção que o cercaram. Poderia ter sido em outra data, poderia ter sido divulgado com mais antecedência para que os fãs se programassem para sair de suas cidades, muitas coisas em termos de logística poderiam ter acontecido para que aqueles assentos não estivessem vazios. Você merecia esse cuidado.

Mas você, só você ali em cima daquele palco, foi um show à parte. Chegou o dia que previ naquele texto que você sempre cita: Oi, Brasil, eu sou a Lucero! E ninguém que esteve no Teatro Gamaro ontem irá se esquecer disso. Você é plena, é luz. Lembra que eu te disse que emolduramos o prêmio de amarelo porque o preto não combina com  o seu espírito solar? Pois até o preto fica iluminado em você.

Volte logo, seja breve nessa separação, pois quero logo tirar esse gosto amargo da tristeza que para mim encerrou seu espetáculo ontem. Que tenha sido só o primeiro de muitos!

E PS: me conte essa fórmula da juventude, por favor!

Obrigada por tudo.

Com carinho,

Priscila

Habla, Pri

Série humaniza Nicky Jam e expõe caráter sensível de Daddy Yankee

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Série sobre Nicky Jam é densa

Uma das coisas que eu tinha deixado pendente em 2018 era Nicky Jam: El Ganador, série que está disponível no catálogo da Netflix desde o dia 30 de novembro.

Os primeiros dias do ano serviram para maratonar a história do reggaetonero. Pesada. Dura. Cruel.

Não espere um primor de produção. Não é isso que o drama, dirigido pelo renomado Jessy Terrero, oferece. A narrativa, às vezes, é confusa e deixa buracos na linha cronológica que, de repente, são preenchidos capítulos depois.

A primeira metade mostra a vida de Nick Rivera Caminero entre os Estados Unidos, na infância triste, e Porto Rico, quando experimentou o sucesso ao lado de Daddy Yankee, que rouba a cena.

O intérprete de Nicky jovem (Darkiel) é demasiado caricato. O personagem é mimado e irritante. Seus trejeitos são típicos das novelas mexicanas: cheios de exageros, digno de um Framboesa de Ouro.

Em contrapartida, o Daddy Yankee da ficção é mais parecido com Daddy Yankee que o próprio Daddy Yankee. E se você já ama o artista, seu repertório, vai fazer reverência ao ser humano ímpar, amigo e paciente retratado na produção. Ele protagoniza a parte inicial da série com seu profissionalismo e caráter.

Nicky Jam se entrega ao vício, em um ciclo de dependência química “herdado” da mãe. É briguento, mulherengo, abandona os filhos, caminha lado a lado com a bandidagem porto-riquenha. Parecia escrito que seu fim seria trágico.

Enquanto isso, DY contorna as encrencas do amigo, seja pagando suas dívidas ou “dando um jeitinho” em seus atrasos para compromissos profissionais. Mas todo mundo cansa.

Em uma das cenas, o ainda adolescente Nicky Jam pergunta a um produtor de uma casa noturna onde encontraria Daddy Yankee, e ouve: “nunca em um lugar como esse. Aqui ele vem para cantar, depois volta para a família”.

Tudo muda depois de uma overdose, a mudança para a Colômbia e Nicky Jam assumindo seu próprio papel.

Limpo e determinado a buscar o sucesso perdido, o personagem ganha densidade e ternura. Contando a própria história, o artista urbano dá um show ao mostrar sua volta por cima e, sobretudo, resiliência para lidar com as portas fechadas na luta pelo recomeço.

Se deve na produção, Nicky Jam: El Ganador merece a maratona porque é uma história que precisa ser vista para servir de exemplo. Exemplo de que é possível renascer como a Fénix do seu álbum, mas que uma vida de calle, a desestrutura familiar, o abandono, o vício, tornam o caminho mais difícil.

É uma história como várias com as quais nos deparamos todos os dias. Uma história real, palpável. Humaniza Nicky Jam e mostra que ele é, de fato, um ganador no jogo da vida.

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Habla, Pri

É difícil aceitar, mas Luis Fonsi se perdeu em 2018

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2018 não foi tão bom assim para Luis Fonsi

Luis Fonsi terminou 2017 como o ano mais glorioso de sua carreira.  Recorde de visualizações no YouTube com Despacito com incríveis 5 bilhões de acessos, indicação ao Grammy Awards, uma guinada comercial histórica e sucesso nos quatro cantos do planeta.

O hit com Daddy Yankee era ótimo. Depois, veio a excelente parceria com Demi Lovato em Échame La Culpa. E ele deveria ter parado para refletir aí.

Aclamado como um dos grandes nomes da música romântica no mercado latino, talvez fosse o momento de mostrar que continua escrevendo letras de qualidade incontestável, contando histórias em forma de canções.

Mas o que ele tinha reservado para 2018 eram dois singles que, para sermos sutis, não passaram da linha da mediocridade. Calypso cumpre seu propósito de entreter melodicamente, mas a pobreza do refrão faz doer os ouvidos – e os corações – de quem acompanha a carreira do porto-riquenho desde antes da febre urbana.

Aí veio Imposible, uma parceria (mais uma!) com Ozuna que tinha tudo para dar certo, mas não vingou. A música é ruim. E ponto! De longe, a pior das quatro da nova fase de Fonsi.

Dos 5 bilhões de Despacito e 1,5 bi de Échame La Culpa, ele caiu para 240 milhões com Calypso e ainda tem uma caminhada para bater os 100 milhões com seu último vídeo, publicado em outubro.

De novo, talvez seja aquele momento de parar e voltar aos velhos tempos. Respirar (lembra, Fonsi, que linda música do seu repertório?) e aproveitar enquanto o mundo não o condena ao ostracismo da etiqueta de one hit wonder – e aqui falamos além do mercado latino – para seguir a linha de sucesso.

Ou, quem sabe, seja a hora de finalmente mostrar o nono disco da carreira por completo, com as comerciais e com sua raiz musical. Quem sabe ali não esteja escondido mais algum tesouro que entrará para o repertório de quem gosta de boa música?

A mudança de estratégia de Luis Fonsi não é condenável. Seu atual afã pelo sucesso global, pelos números, pela audiência tampouco. Quem não faria o mesmo em seu lugar?

Mas é triste ver o quanto ele se perdeu, musicalmente falando, em meio a esse processo. Porque não apenas deixou toda a sua essência de lado, como passou a produzir músicas ruins. E a verdade precisa ser dita. Calypso e Imposible estão muito aquém da sua capacidade autoral.

Se o Papai Noel acha que os fãs de música latina se comportaram bem em 2018, talvez seja esse o nosso pedido: o bom e velho Luis Fonsi de volta! Não importa se em uma balada ou em um reggaetón, mas com música boa. Ele sabe, ele consegue. Será que ele quer?

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