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Habla, Pri

Shakira emociona em show com repertório clássico em sua volta ao Brasil

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Shakira arrasa em sua volta ao Brasil

É regra: eu sempre saio de um show “profissional” sabendo exatamente o que vou escrever no dia seguinte. Seja pela por alguma falha, fala ou perfeição, sempre tem algo que salta aos olhos. No caso, aos dedos que digitarão o texto. Shakira me deixou sem palavras.

É difícil fazer qualquer tipo de análise quando em 1h30 de música você é transportado a várias épocas da sua vida. Sim, vira uma crônica emocional.

Talvez devêssemos começar por aí: o show foi curto, mas a seleção de repertório foi absolutamente impecável, lembrando todas as fases da colombiana. Não sei se eu estava tão absorta, perdida naquela atmosfera mágica, que possa ter perdido Ojos Así, só me lembro do instrumental, e foi uma ausência sentida. Mas como criticar um setlist que tinha Antologia, Inevitable, Si Te Vas, Donde Estás Corazón e tantos outros clássicos das antigas?

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Brasil, eu gosto muito de vocês! Shak

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Como cobrar que não tivesse um único senão se ela teve de comprimir uma carreira tão recheada de hits em 1h30? Alguma música sobraria, a alternativa foi transformá-la em introdução de outra, no caso Whenever, Wherever. 

Vamos buscar mais agulhas no palheiro? O som não estava 100%. A mamãe de Milan e Sasha esqueceu algumas letras e foi salva pelo público totalmente entregue em um Allianz Parque abarrotado de gente. Alguém se importou?

Sua emoção era visível. Não foram poucas as interações com o público em frases como “eu estava com saudades de vocês, sete anos sem vir, muito tempo, amo as cores do Brasil”. Uma das mulheres mais poderosas do mundo, Shakira não teve medo de descer do palco e abraçar seus fãs que estavam na fila do gargarejo. Com tantos artistas de postura blasé mundo afora, que alguém do seu currículo aja com tamanha simplicidade é digno de nota.

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Eu amo as cores do Brasil! Shak

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Não faltaram hits, não faltou voz, não faltou simpatia… e a produção duramente criticada em sua passagem pelo México na semana passada? Aqui mesmo no LatinPop Brasil você leu que os mexicanos estavam decepcionados com aquilo que consideravam uma produção pobre para uma artista do talhe da Shakira.

Se foram méritos apenas da produção local, não sei, mas foi um show de pirotecnia. Bailarinos para que, se a loira tem um corpo de baile inteiro no seu metro e meio de pura sensualidade?

Foi perfeito, sim! Qualquer avaliação técnica é preciosismo. Só não demore mais sete anos para voltar, Shakira!

 

Habla, Pri

Série humaniza Nicky Jam e expõe caráter sensível de Daddy Yankee

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Série sobre Nicky Jam é densa

Uma das coisas que eu tinha deixado pendente em 2018 era Nicky Jam: El Ganador, série que está disponível no catálogo da Netflix desde o dia 30 de novembro.

Os primeiros dias do ano serviram para maratonar a história do reggaetonero. Pesada. Dura. Cruel.

Não espere um primor de produção. Não é isso que o drama, dirigido pelo renomado Jessy Terrero, oferece. A narrativa, às vezes, é confusa e deixa buracos na linha cronológica que, de repente, são preenchidos capítulos depois.

A primeira metade mostra a vida de Nick Rivera Caminero entre os Estados Unidos, na infância triste, e Porto Rico, quando experimentou o sucesso ao lado de Daddy Yankee, que rouba a cena.

O intérprete de Nicky jovem (Darkiel) é demasiado caricato. O personagem é mimado e irritante. Seus trejeitos são típicos das novelas mexicanas: cheios de exageros, digno de um Framboesa de Ouro.

Em contrapartida, o Daddy Yankee da ficção é mais parecido com Daddy Yankee que o próprio Daddy Yankee. E se você já ama o artista, seu repertório, vai fazer reverência ao ser humano ímpar, amigo e paciente retratado na produção. Ele protagoniza a parte inicial da série com seu profissionalismo e caráter.

Nicky Jam se entrega ao vício, em um ciclo de dependência química “herdado” da mãe. É briguento, mulherengo, abandona os filhos, caminha lado a lado com a bandidagem porto-riquenha. Parecia escrito que seu fim seria trágico.

Enquanto isso, DY contorna as encrencas do amigo, seja pagando suas dívidas ou “dando um jeitinho” em seus atrasos para compromissos profissionais. Mas todo mundo cansa.

Em uma das cenas, o ainda adolescente Nicky Jam pergunta a um produtor de uma casa noturna onde encontraria Daddy Yankee, e ouve: “nunca em um lugar como esse. Aqui ele vem para cantar, depois volta para a família”.

Tudo muda depois de uma overdose, a mudança para a Colômbia e Nicky Jam assumindo seu próprio papel.

Limpo e determinado a buscar o sucesso perdido, o personagem ganha densidade e ternura. Contando a própria história, o artista urbano dá um show ao mostrar sua volta por cima e, sobretudo, resiliência para lidar com as portas fechadas na luta pelo recomeço.

Se deve na produção, Nicky Jam: El Ganador merece a maratona porque é uma história que precisa ser vista para servir de exemplo. Exemplo de que é possível renascer como a Fénix do seu álbum, mas que uma vida de calle, a desestrutura familiar, o abandono, o vício, tornam o caminho mais difícil.

É uma história como várias com as quais nos deparamos todos os dias. Uma história real, palpável. Humaniza Nicky Jam e mostra que ele é, de fato, um ganador no jogo da vida.

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Habla, Pri

É difícil aceitar, mas Luis Fonsi se perdeu em 2018

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2018 não foi tão bom assim para Luis Fonsi

Luis Fonsi terminou 2017 como o ano mais glorioso de sua carreira.  Recorde de visualizações no YouTube com Despacito com incríveis 5 bilhões de acessos, indicação ao Grammy Awards, uma guinada comercial histórica e sucesso nos quatro cantos do planeta.

O hit com Daddy Yankee era ótimo. Depois, veio a excelente parceria com Demi Lovato em Échame La Culpa. E ele deveria ter parado para refletir aí.

Aclamado como um dos grandes nomes da música romântica no mercado latino, talvez fosse o momento de mostrar que continua escrevendo letras de qualidade incontestável, contando histórias em forma de canções.

Mas o que ele tinha reservado para 2018 eram dois singles que, para sermos sutis, não passaram da linha da mediocridade. Calypso cumpre seu propósito de entreter melodicamente, mas a pobreza do refrão faz doer os ouvidos – e os corações – de quem acompanha a carreira do porto-riquenho desde antes da febre urbana.

Aí veio Imposible, uma parceria (mais uma!) com Ozuna que tinha tudo para dar certo, mas não vingou. A música é ruim. E ponto! De longe, a pior das quatro da nova fase de Fonsi.

Dos 5 bilhões de Despacito e 1,5 bi de Échame La Culpa, ele caiu para 240 milhões com Calypso e ainda tem uma caminhada para bater os 100 milhões com seu último vídeo, publicado em outubro.

De novo, talvez seja aquele momento de parar e voltar aos velhos tempos. Respirar (lembra, Fonsi, que linda música do seu repertório?) e aproveitar enquanto o mundo não o condena ao ostracismo da etiqueta de one hit wonder – e aqui falamos além do mercado latino – para seguir a linha de sucesso.

Ou, quem sabe, seja a hora de finalmente mostrar o nono disco da carreira por completo, com as comerciais e com sua raiz musical. Quem sabe ali não esteja escondido mais algum tesouro que entrará para o repertório de quem gosta de boa música?

A mudança de estratégia de Luis Fonsi não é condenável. Seu atual afã pelo sucesso global, pelos números, pela audiência tampouco. Quem não faria o mesmo em seu lugar?

Mas é triste ver o quanto ele se perdeu, musicalmente falando, em meio a esse processo. Porque não apenas deixou toda a sua essência de lado, como passou a produzir músicas ruins. E a verdade precisa ser dita. Calypso e Imposible estão muito aquém da sua capacidade autoral.

Se o Papai Noel acha que os fãs de música latina se comportaram bem em 2018, talvez seja esse o nosso pedido: o bom e velho Luis Fonsi de volta! Não importa se em uma balada ou em um reggaetón, mas com música boa. Ele sabe, ele consegue. Será que ele quer?

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