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Habla, Pri

Monstro, Jorge Drexler!

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Jorge Drexler veio ao país com a tour Salvavidas De Hielo

Certa vez, minha filha Laura, de 9 anos, se encontrou com o goleiro do seu clube do coração, o Atlético-MG, e disse: Meu pai e eu te achamos um monstro! Victor, o arqueiro alvinegro, devolveu com um sorriso: do bem ou do mal?

Claro que era do time dos bons. Dos fora-de-série.  Daqueles que fazem parte de uma equipe tão seleta, como excepcional. No sábado (14), eu fui ao meu quarto show do Jorge Drexler em cinco anos. E não consigo outra palavra para descrevê-lo: monstro!

Analisar repertório é dispensável. Sua postura no palco, na música e na vida merecem destaque. Porque alguém – tendo saído do pequeno gigante Uruguai -que tem um Oscar na prateleira poderia fazer da distância seu charme blasé. É cult. Aos 53 anos, ele age no oposto desse caminho.

Ele é o cara que encontra um fã no restaurante e infla o setlist para agradar. Cada música merece uma explicação do porquê, como e quando foi escrita. Sempre com uma simpatia ímpar, uma gratidão gravada na voz serena do médico que decidiu mudar de vida e ganhar o mundo com sua poesia. Diante da imensidão do seu talento, não existe diferença entre o artista e seu público.

Jorge Drexler consegue encontrar suavidade até na contundência de suas ideologias políticas. É delicado e discreto para tudo. Foi assim ao dedicar uma música a Marielle Franco, a vereadora assassinada no Rio de Janeiro exatamente um mês antes. Sem discurso, apenas com sua letra, lembrou que todas as vidas valem igual.

Não existe grito, sussurro e pedido que passem despercebidos ao seus ouvidos atentos durante o show. Qualquer apelo é recebido com um sorriso no rosto, uma piada despretensiosa, um show de bom humor.

Destacar a imensa qualidade musical do evento é, como diria seu mestre Joaquin Sabina, “llover sobre mojado”. Da escolha das músicas que embalariam a noite paulistana aos músicos que o acompanharam, um espetáculo inigualável.

Mas, Priscila, então você está dizendo que o show é perfeito? Sim. E é uma afirmação sem nenhum medo de errar. Assistir a uma apresentação ao vivo do Jorge Drexler é um dos itens daquela lista de que todo amante de música precisa fazer antes de morrer.

Sorte de baianos, catarinenses, paranaenses e gaúchos que terão o privilégio de vê-lo nos próximos dias.

Jorge Drexler no Brasil

Salvador

Data: 17/04/2018
Local: Sesc Casa do Comércio (Av. Tancredo Neves, 1109 – Pituba)
Preços: R$ 180
IngressosCompre Ingressos

Florianópolis

Data: 19/04/2018
Local: Teatro do Cic (Av. Governador Irineu Bornhausen, 5600 – Agronômica)
Preços: a divulgar
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Curitiba

Data: 20/04/2018
Local: Ópera de Arame (R. João Gava, 874 – Abranches)
Preços: a divulgar
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Porto Alegre

Data: 21/04/2018
Local: Auditorio Araújo Vianna (Av. Osvaldo Aranha, 685 – Parque Farroupilha)
Preços: a partir de R$ 60 (esgotados)
IngressosUhuu

Habla, Pri

Sobre Tibérios e simplicidade: o show de Enrique Iglesias no Brasil

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Enrique Iglesias dá show em SP

Da passarela montada no Espaço das Américas, em São Paulo, Enrique Iglesias vê um senhor, já de cabelos brancos, e o chama para o palco. Era Tibério, que viera com a esposa de Porto Alegre para roubar a cena e mostrar que apesar dos 20 anos de carreira, o espanhol conserva o frescor de quem ainda engatinha na vida artística.

Tibério contou que o seguia desde os 12 anos, causando espanto no próprio Enrique. E pediu uma canção que estava fora do setlist, mas levou o recinto abaixo: Experiencia Religiosa.

O filho de Julio Iglesias brindou com o que parecia, de onde eu estava, ser cachaça, dançou com a esposa de Tibério, riu como o menino que explodiu no Brasil com Si Tú Te Vas, ainda nos anos 1990.

Você pode curtir o encontro de Enrique Iglesias e Tibério abaixo:

Tibério nos representou. Quando conversei com o astro por telefone, há duas semanas, contei sobre minha relação com a música. No fim da entrevista, ele disse:

  • Você está em São Paulo? Vai ao show?
  • Sim!
  • Quero te ver lá, fala com o meu empresário para me encontrar.

Eu tinha 15 anos quando ele estourou. Tinha pôsteres, CDs e cantarolava suas canções no pátio do colégio no Tatuapé, zona leste de São Paulo. Deixei de lado a profissional e, como fã, pedi para que o encontro de fato acontecesse no backstage do show.

Imaginei, de verdade, que tinha sido um convite educado, daqueles que a gente faz automaticamente. Qual não foi a minha surpresa quando, devidamente apresentados, ele não apenas se lembrava do que tinha me dito e agradeceu pela entrevista.

E enquanto esperava minha hora, eu o observava de longe. Solícito, terror dos seguranças que não conseguem contê-lo, ativo, simples. Pegou criança no colo, abraçou todo mundo, tirou selfies, uma, duas, três… quantas fossem necessárias para agradar.

É gente como a gente, toca, abraça, conversa. Minha última experiência observando um Meet & Greet tinha sido muito diferente, com fãs tratados feito gado, artista que nem dá boa noite, uma foto e tchau. Enrique Iglesias redefiniu meu conceito de simplicidade.

A passarela citada acima ia até o fim da casa de shows. Ali, ele ficou perto de quem pagou mais barato para vê-lo. Um detallazo, já diriam os hispânicos.

Como alguém que esperou 22 anos por aquele momento, curti o show como uma fã qualquer, da fila do gargarejo, e vendo o pai dos pequenos Nicholas e Lucy subir do palco, abraçar quem vinha pela frente, interagir 100% do tempo com os fãs. É de impressionar sua vitalidade aos quase 43 inacreditáveis anos.

Sobre tecnicalidades? Hoje não estamos aqui para isso. Eu já tinha ouvido coisas ótimas sobre ele. E coisas horríveis também. Não consigo, neste momento, imaginar estrelismo.

Enrique contou no palco que é uma pessoa difícil e escreve músicas para que a namorada, Anna Kournikova, o perdoe. Talvez seja mesmo na vida pessoal. Como profissional, ele por si só é um espetáculo.

Quase chorando, o cantor disse ainda que não acreditava ter passado tantos anos sem vir ao Brasil. Que o menino que vinha muito a São Paulo e Rio de Janeiro ainda na juventude nunca imaginou que pudesse voltar 20 anos depois. E prometeu fazê-lo mais vezes.

Uma promessa que será cobrada. Especialmente para um show mais acessível tanto no valor, quanto na data. Merecia uma dobradinha no fim de semana. Merecia a casa abarrotada.

Mas volte, Enrique. Volte logo!

E obrigada, Tibério!

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Habla, Pri

Sobre Despacito, Maluma e Luis Fonsi: o borícua deu show no Brasil

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Luis Fonsi virá ao Brasil em maio para turnê

“Eu adoro Luis Fonsi, mas cara, estou muito cansado. Te adoro, mas Despacito tem que ir”, disse Maluma em um jogo proposto pela Billboard no qual deveria escolher qual música não aguentava mais ouvir. Mi Gente, do J Balvin, e El Farsante, do Ozuna, eram as outras opções.

É provável que nem Luis Fonsi aguente mais ouvir e falar de Despacito. Nós, por exemplo, tomamos uma decisão editorial de fazer nossa entrevista com ele sem tocar na música do século.

A esperada saturação, no entanto, não tira os méritos da canção. Menos ainda do porto-riquenho, que deu um show de profissionalismo em sua passagem pelo Brasil. Em um país em que sua carreira se resume, à maioria das pessoas, a dois singles, ele respondeu às mesmas perguntas sem perder a simpatia peculiar.

O recado foi dado de maneira sutil: “completo 20 anos de carreira em setembro”, disse no Domingão do Faustão e no Danilo Gentili. “Eu vim do pop”. Era quase um grito de “Brasil, eu sou mais do que Despacito“.

Mas daquele jeito Fonsi de ser: sereno, tranquilo e imensamente feliz por tudo o que a canção lhe trouxe. Fonsi é grato ao seu hit. Pode estar cansado de ver as mesmas pautas em todos os lugares, mas entende que faz parte do jogo. Do seu jogo. Aquele sem adversários para tantos recordes e prêmios.

À imprensa brasileira, o recado: desperdiçar um dos talentos mais aclamados da indústria latina em duas décadas mostra despreparo. É o mesmo que acontece com Laura Pausini e sua relação com Hebe, por exemplo, a pergunta que nunca deixa de ser feita quando a italiana vem ao país.  Reduzi-los a um fato ou outro é um erro crasso.

Com voz ao vivo e performances impecáveis, Luis Fonsi veio ao Brasil para dar show mesmo antes da turnê começar. Notava-se que sua vontade de nunca mais sair do mercado brasileiro era tanta que ele entregou tudo o que tinha. Toda a sua energia ficou nos palcos de Globo, Record e SBT.

Fonsi é desses artistas raros. Além da inteligência e articulação para falar de política a música, foi o primeiro a enxergar o mercado além. Se reinventou para não ficar amarrado às baladas que ama, mas não era o que a indústria atual pedia. Não teve medo de julgamentos ao se arriscar. Abriu as portas do mundo todo para a música latina.

Então, Maluma, eu entendo que você esteja cansado de Despacito, mas deveria ter tido mais jogo de cintura na brincadeira maliciosa da Billboard, que conseguiu o que queria: repercutir. Pode ser que muita gente aqui no Brasil também já tenha se cansado de você, mas teremos de vê-lo a cada 20 minutos na TV vendendo chinelos. Faz parte.

Tomara que em algum momento de sua carreira, o mundo bata na mesma tecla que não seja machismo e misoginia. Ou sua beleza. Ou sua vida além da música. Isso deve ser bem mais cansativo do que falar sobre Despacito, não?

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