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Habla, Pri

Já existe uma geração que desconhece Alejandro Sanz no Brasil. E isso preocupa

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Alejandro Sanz lançou o single No Tengo Nada

Para quem é fã, para quem gosta de música latina, para quem tem memória afetiva, para quem viveu o auge da febre por Corazón Partio ou Y Si Fuera Ella, a participação de Alejandro Sanz no show de Ivete Sangalo foi um deleite.

Mais ainda por terem escolhido uma canção antiga do repertório do espanhol, uma das joias de seu tesouro musical: Quisiera Ser, do disco El Alma Al Aire, de 2000.

Contudo, parte do público que estava na pista Premium, onde a imprensa estava alojada, vaiou. Ou reclamou. Ou pediu pela volta de Marília Mendonça, outra convidada da noite. Ou disse, com pouquíssima educação, que o show teria sido melhor sem ele. Ou blasfemou: “se ainda tivesse  cantado a única música famosa…”

Não é difícil imaginar a faixa etária desses desavisados: jovens na faixa dos 20 anos que, em parte, não têm culpa de tamanha falta de cultura musical. Afinal, Alejandro Sanz é dos poucos artistas que furaram a bolha do mercado latino no Brasil muito antes de que o gênero virasse cult por aqui, desconhecê-lo ou reduzí-lo a um hit é, sim, falta de cultura musical. Ele é, há muitos anos, um artista global, cujo talento desconhece fronteiras.

Mas, se ele é tudo isso, então por que já existe uma lacuna considerável de pessoas que só o associam a Corazón Partio? A resposta é fácil: falta de merecida promoção por aqui.

Promoção que, desta vez, só chegou graças ao convite de Ivete. À gravação do especial de Roberto Carlos. Aí ficou fácil encaixar às pressas, nitidamente, uma agenda que falasse do brilhante No Tengo Nada, seu último single.

Ou alguém acha que ele teria a oportunidade de falar sobre seu novo trabalho no Brasil se não fossem os compromissos prévios por aqui? Foi como unir o útil ao agradável.

Single que eu, antes do show, torci muito para que ele interpretasse no palco do Allianz Parque, mas rapidamente mudei de ideia diante da reação do público. Em contrapartida, Leo Santana, do Psirico, teve a oportunidade de cantar quatro ou cinco canções solo.

Sanz esteve no Brasil pela última vez em 2013 com a tour La Musica No Se Toca. À época, gravou com a própria Veveta, Ana Carolina e Roberta Sá. Mas, convenhamos, em um mercado em constante renovação, quase seis anos de completo silêncio representam muito tempo.

Nesse ínterim, teve o álbum Sirope e uma turnê que não passou por aqui. Teve a comemoração pelos 20 anos do álbum Más, o lançamento de um DVD, um dueto com Paula Fernandes, mas ele também não veio promovê-lo. Não é concebível que um artista do seu tamanho, com público cativo no Brasil, não tenha o país em sua rota de promoção, seja qual for o trabalho.

Era visível o seu descontentamento durante a coletiva de imprensa pela ausência no país por tanto tempo. Sua frustração por não ter conseguido trazer sua última tour. Porque, Sanz, conhecedor do mercado como é, sabe: sem colocar a cara na TV, o risco de acontecer o que está acontecendo, é grande. O público envelhece com ele, estanca, deixa de crescer.

É fato que, se anunciar shows, eles lotarão, assim como acontece com Laura Pausini ou Eros Ramazzotti, contemporâneos que vivem situações parecidas. Fan base está aí para isso. Olhem para trás. Olhem para a biografia do Alejandro Sanz, mais do que isso, olhem para a sua música: ele merece muito mais do que isso.

Merece ser recebido com todas as honrarias do público no palco de Ivete Sangalo. Merece ser aclamado muito além de Corazón Partio. Merece cantar seu single novo. Merece ser aplaudido. Que tenha um ou dois que não goste do seu trabalho é do jogo. Faz parte. 

O que não pode é seu estafe por aqui tratá-lo como um produto de segunda categoria. Encaixar promoção por conveniência. Não dar a ele uma agenda de TV digna dos grandes. Deixar que seu nome continue ventilando por aqui ao acaso.

Estamos falando do Alejandro Sanz. E isso, em bom espanhol, são “palabras mayores”.

Veja No Tengo Nada, último clipe do Alejandro Sanz

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