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Habla, Pri

Dulce ou amargo? O lado B de Dulce Maria no Brasil

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Dulce Maria no Brasil

Foi no dia 18 de janeiro, ainda na fase de criação de banco de dados e com o site por estrear, que noticiamos o surpreendente retorno de Dulce Maria ao Brasil. Ao contrário do que se espera de qualquer latino que venha se apresentar no país, a repercussão foi muito negativa. Muito no mais alto grau de superlatividade que vocês possam imaginar. São dois os pontos que embasam a fúria dos fãs brasileiros:

  1. o intervalo entre o último e o próximo show é de apenas sete meses
  2. os valores exorbitantes de ingressos e meet & greet ( ou convivência, seja lá qual for o nome dado para faturar com o nome da cantora mexicana)

(UPDATE 14/3, às 1830: Fomos informados por alguns fãs da Dulce Maria que o meet & greet custa R$ 600. Os 1,2 mil são cobrados para a chamada convivência, onde o fã passa cerca de uma hora com a artista.) Agradecemos os detalhes, mas ameniza em nada o quão dispendiosa é a questão.

Dulce Maria esteve no Brasil em setembro para uma mini turnê que contemplou São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte. Antes disso, em março, ela fez uma visita promocional de oito dias ao país, quando participou do Altas Horas e até cantou Beijinho no Ombro, com Valesca Popozuda. Seria bom, não fosse pelo fato de os ingressos para os shows custarem até R$ 300. O meet & greet, que nada mais é do que ter o direito de beijar, abraçar e tirar foto com o ídolo em cinco minutos, saiu pela bagatela R$ 600. Para ter uma hora ao lado da ruiva, é preciso desembolsar R$ 1,2 mil. Os mesmos valores estão sendo praticados para a única apresentação de abril, dia 22, na Áudio Club, região oeste da capital paulista, menos para o meet, que não acontecerá dessa vez. Teve fã que pagou. Tem fã que paga. Mas a maioria não paga mais.

“É quase uma extorsão”, disse uma fã exaltada ao LatinPop Brasil, via Facebook. Ela pediu anonimato, assim como boa parte dos seguidores de Dulce Maria com os quais conversamos ao longo de quase dois meses. Eles temem uma retaliação por parte da W+ Entertainment, empresa responsável pela overdose de Dulce Maria em território nacional. Outra fã contou que a produtora é a consequência de um fã-clube que trabalhou por muitos anos para que a cantora se consolidasse no país. A paixão virou negócio, e dos mais lucrativos.

Com o dinheiro arrecadado na turnê de 2014, a W+Entertainment se expandiu. Apesar de ainda ter como site oficial o www.dulcemarianobrasil.com, a empresa deu um tiro certeiro ao trazer novamente para São Paulo o uruguaio Jorge Drexler. E para Porto Alegre. E para Curitiba. O show do ganhador do Oscar de 2004 em São Paulo, marcado para 26 de março, foi anunciado três dias depois do retorno de Dulce. Em menos de um mês, os ingressos estavam esgotados. Com o sucesso, abriram novas datas para gaúchos e paranaenses.

Drexler se apresentará no suntuoso Teatro Bradesco, com capacidade para 1,5 mil pessoas. Enquanto isso, a produtora se esmera em desencalhar o que resta dos ingressos para Dulce Maria, ainda no segundo lote. Não existem números oficiais sobre quantos ingressos foram vendidos até agora, mas é possível simular a compra de, por exemplo, 100 entradas para quatro dos seis setores. Nos outros dois, o site do Clube do Ingresso valida pelo menos 50 unidades.

É provável que a casa esteja cheia no dia 22. Dulce Maria é uma das artistas internacionais mais populares e queridas do Brasil. E seu carisma conta com o empurrão da produtora nas redes sociais: desde o dia 27 de fevereiro, Jorge Drexler mereceu três menções no perfil da empresa no Facebook. Todas as outras ações foram dedicadas à mexicana, com um sem número de posts patrocinados. Ou seja, é preciso muita promoção para que Dulce Maria, em três meses, consiga o que uruguaio fez em três semanas. Sem promoção, sem proteção. Apenas com o respiro de dois anos entre seu último show, no Bourbon Street, e o atual.

A insatisfação latente do público brasileiro com os rumos de sua carreira por aqui fez com que entrássemos em contato diretamente com o staff dela solicitando uma entrevista. Fomos prontamente atendidos, avisados de que ela responderia por e-mail as questões. Isso aconteceu em 18 de fevereiro, mesmo dia em que uma fonte nos contou que Dulce Maria poderia ter brigado com seu manager, já que ela tinha deixado de segui-lo no Twitter. Tentamos apurar, enviamos as perguntas e, em alguns momentos, colocamos o dedo na ferida sobre a sua – agora – turbulenta relação com o Brasil. Nunca mais obtivemos retorno, apesar das insistentes tentativas.

O mesmo acontece com a W+ Entertainment. Tentamos contato por e-mail e via Facebook para fazer o credenciamento para os dois shows em São Paulo: Jorge Drexler e Dulce Maria. Nunca fomos respondidos. Na Internet, não é possível encontrar telefone ou endereço da produtora, o que dificulta o acesso e atrapalha o trabalho de quem quer apenas promover os produtos deles.

Não faço aqui nenhuma abordagem moral ou sobre a licitude das ações da produtora. Eles fizeram certo. Eles deram certo. O que não deu certo foi a forma como trataram Dulce Maria, transformando-a em chacota entre os próprios fãs . É importante ressaltar que a empresa é responsável pelos shows da cantora em Buenos Aires e Bogotá, onde também ainda há ingressos disponíveis.

Muito menos faço aqui qualquer depreciação artística sobre Dulce Maria. Pelo contrário. Seu talento e carisma são inegáveis. E na posição de artista que tem uma empresa da management, a única coisa que ela faz é receber a agenda, descobrir para onde vai viajar, fazer o seu trabalho e ser bonificada por ele. As decisões não são dela, infelizmente. Tenho a certeza de que a intérprete de Ingenua saberia conduzir melhor seus passos em seu principal mercado, justamente aquele que venera poucos artistas latinos como faz com ela.

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