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Dulce Maria e Maite Perroni ignoram responsabilidade social

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Dulce Maria e Maite Perroni: e a responsabilidade social?

“No te confundas, yo no soy feminista
Pero tampoco te me pongas machista
Entiendo lo que sientes, yo soy independiente
Tú quieres ser la fiera, yo quiero estar soltera”

Esse é um dos versos de Soltera, o novo single da Maite Perroni, lançado na última sexta-feira, 22 de março. É de um desserviço à luta das mulheres por igualdade que sequer merece menção. É esquecível. Dona de frases já bastante polêmicas sobre empoderamento e feminismo, a morena do RBD colocou  a pá de cal em quem ainda achava que seu caminho no reggaetón, liderado por ícones como Karol G ou Natti Natasha, a faria sair de cima do muro. Ela caiu, mas caiu do lado errado.

O que falar, então, de Dulce Maria. Ela vai cantar o tema de uma campanha contra o aborto no México. Para anunciar a novidade, a noiva de Paco Álvarez postou um vídeo em que mostra pessoas que seriam abortadas, mas acabaram se tornando personalidades em suas áreas, entre elas o jogador Cristiano Ronaldo e o Papa.

Pois bem. Não bastasse recair sobre o atleta da Juventus, da Itália, acusação de abuso sexual, Dulce, assim como sua colega, esquecem que o feminismo é um caminho sem volta. É necessário em um mundo em que 50 mil mulheres morrem, todos os anos, em clínicas clandestinas para interromper gestações indesejadas.

Não venham com o conservadorismo de “abriu as pernas, assume”. Aqui não! Só no Brasil são 5, 5 milhões de crianças sem registro paterno. Precisa de mais?

O direito à escolha, à liberdade e à equidade é o que busca o feminismo, longe do preconceito de quem desconhece a bandeira e diz que feminismo é sinônimo de machismo, só que em outro gênero. Machismo denigre. Feminismo iguala. É muito simples.

Quando você tem em suas redes sociais mais de 10 milhões de seguidores, formou o caráter de uma geração, é preciso ter cuidado com o que fala. É claro que todo mundo tem direito à própria opinião, mas existe algo que se chama responsabilidade social. Nem uma, nem outra, ao que tudo indica, foram atrás de dados que embasassem sua opinião pública. Moralismo falso e barato, pura e simplesmente.

No caso da Dulce Maria, então, só piora quando sua imagem é atrelada à da tia-avó, Frida Khalo, símbolo da luta das mulheres por igualdade em todo o mundo.

No fim, do trio feminino do RBD, quem tinha a imagem soterrada por críticas era Anahi, que decidiu deixar a carreira para cuidar do filho, Manuel, e da vida conjugal. Não vamos entrar no mérito da corrupção, porque aí é enterrar a juventude de muita gente, não é mesmo?

Mas ela, pelo menos e ao que tudo indica, o fez por opção. E feministas, não é isso que a causa prega: escolha? Quis ser mãe, quis ser esposa. Isso não a torna menos mulher, menos nada. Escolheu, ponto. Não há julgamentos.

Maite e Dulce vivem em um dos países mais machistas da América Latina e deveriam repensar e tomar cuidado com aquilo que dizem. O mundo não tem mais espaço para o comodismo da não-opinião, Maite. Muito menos para a sua destemperada postura conservadora, Dulce.

É na luta que a gente se encontra, já dizia o samba-enredo da Mangueira, campeã do Carnaval do Rio de Janeiro deste ano. E essa luta é de todas/os nós.

 

NI UNA A MENOS!

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