Principal / Colunas / De Reina Para Reina / A evolução da tecnologia da reprodução da música e a maneira que a acompanhamos
Con la Musica alla radio
Imagem: Reprodução

A evolução da tecnologia da reprodução da música e a maneira que a acompanhamos

Hola mis reinas!

Hoje é dia de viajar no tempo! Mas não necessariamente com música, e sim com a forma que nós a escutávamos.

Se você nasceu entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, vai lembrar bem como escutar música era algo que fazíamos de maneira exclusiva. Exclusiva por que? Porque precisávamos sentar em frente a uma vitrola, colocar um disco de vinil, ajustar a agulha para o início da faixa que fosse escutar e apreciar o som. No máximo eram entre 4 e 5 faixas por lado do disco, ou seja, ao acabar de tocar um lado, tínhamos que parar o que estávamos fazendo pra virar o disco.

Com o passar dos anos, a chegada da fita K7 e rádios reprodutores do material facilitaram também a maneira de escutar música, inclusive era muito comum ver jovens na escola portando um Walkman que tocava fita, isso sim era sinônimo de ostentação naquela época. Desde então, com um aparelho portátil, ir ao trabalho, a escola ou a faculdade ouvindo música ficou mais fácil. Com a era do Discman não ouve muita diferença, a evolução dos tocadores de música evoluíram junto com a chegada do Compact Disc (CD), material que facilitava esse lance de “vira fita de um lado pro outro”, compactando todo o álbum do artista em um lado só, com mais espaço de armazenamento mais amplo, assim deixando o artista livre pra gravar mais faixas e lançar mais singles e incluir as versões que quisesse em seu álbum.

Por mais fácil que fosse carregar conosco as músicas que desejávamos ouvir, o dilema virou outro: MEU DEUS, QUAIS FITAS/CD’S EU VOU LEVAR HOJE PRA OUVIR FORA DE CASA?

Um relato pessoal

Eu passei por essa experiência na minha infância, mas quando cheguei no ensino médio e meus pais confiavam mais em mim pra sair de casa portando algo que era “mais caro”, eu comecei a levar pra escola juntamente com o meu discman meus cd’s na mochila e um par de pilhas AAA (que acabavam em menos de um dia, o que eu gastava de pilha, não era brincadeira).

Quando a acessibilidade à internet chegou para todos, ficou mais fácil ainda, e junto com ela chegaram também pequenos aparelhos MP3 que cabiam no máximo 50 músicas e nos deixava pensando “gente, nunca que vou conseguir ouvir tudo isso de música”. – Hoje em dia a história é outra.

Quando eu e você éramos adolescentes, sem Facebook e Twitter (no máximo tínhamos nosso e-mail e um perfil no Orkut e MSN), era comum passar o dia pesquisando músicas pra baixar em programas no Ares e LimeWire, gravando todas as músicas que considerávamos importantes no HD de um computador que portava 40 GB – quem nunca pegou um cavalo de tróia através do limewire que atire a primeira pedra!

Nesse período eu conseguia ouvir um álbum completo de qualquer artista e decorava facilmente as letras, pois a maioria dos cd’s vinham com elas impressas no encarte. Era mais fácil apreciar a música na sua essência, pois não nos restavam opções a não ser ouvir aqueles cd’s – lembrando que estamos falando de uma época que a internet era rara entre os amigos, quem tinha era considerado rico, ou seja, Youtube e serviços de Streaming nem passavam perto da nossa realidade.

Voltando pra 2017, agora nós temos smartphones que tem capacidade pra armazenar a discografia completa de todos os artistas que gostamos, ou seja, não existe mais aquele momento de indecisão sobre o que salvar na memória do celular, na dúvida, coloca tudo! Como diria Luciana Gimenez:

Temos Spotify, Deezer, Apple Music, TidalYoutube e etc, nem sempre precisamos ir até o computador fazer o download do álbum ou da faixa que desejamos escutar, basta apenas um toque no touchscreen do celular pra salvar uma playlist com todos os hits de sucesso de qualquer artista.

Talvez a extinção dos cd’s e dvd’s estejam mais próximos que possamos imaginar devido a essa facilidade que encontramos em ouvir música ou assistir um clipe, até no metrô fica fácil de você escolher o que deseja ouvir, basta selecionar o álbum e pronto! Download realizado! (desde que seu pacote 4G seja bom).

Numa viagem recente à Joinvlle, onde “obriguei” a minha amiga Bruna Correa a fazer uma tour pelas lojas de CD da cidade pra ver se achava alguma raridade – pra quem não sabe eu sou viciado em colecionar cd‘s – encontrei uma loja, que segundo uma senhora muito simpática que nos atendeu, a loja era uma das pioneiras no Brasil em relação a vendas de discos de vinil, cd’s e dvd’s, ou seja, a loja acompanhou a evolução da tecnologia em reprodução de músicas. Naquele dia comprei novamente o dvd da Shakira “Live & Off the record” que eu já tinha, porém meses atrás havia quebrado sem querer e aproveitei pra perguntar se no ano de 2018 – ano em que eu retornaria a cidade – se a loja permaneceria no mesmo local para eu encomendar algumas raridades, onde ela conseguia trazer em um tempo curto e por um preço acessível.

A resposta me deixou boquiaberto: Provavelmente não! O motivo? “Ninguém mais compra cd’s, geralmente a galera mais jovem costuma baixar na internet, ou preferem pagar por serviços de streaming, eu não dou dois anos para o CD e o DVD em formatos físicos deixarem de ser um material de trabalho para as gravadoras, e tornarem apenas um item para colecionadores, pois muitos artistas já não lançam mais em primeira mão o álbum físico, e sim somente nesses serviços de reprodução de música”

Infelizmente tive que concordar, e isso me deixou pensativo em relação a maneira de ouvir música. Espero não estar sozinho nessa pois criamos um monte de playlists, com músicas aleatórias, e deixamos pra ouvir depois ou baixamos/salvamos vários álbuns na correria do dia a dia e esquecemos de escutá-los, ou quando os escutamos, nossa fone pode até estar no ouvido, mas nossos olhos e mentes estão focados no Facebook ou Whatsapp, impedindo de absorver a essência daquele material.

Eu relatei tudo isso aqui para alertar aos demais fãs da música, assim como eu, não porque os cds vão sumir do mercado (até porque a música precisa acompanhar a evolução da tecnologia) mas para nós não deixarmos o hábito de escutar música como algo supérfluo, a tecnologia avança e nós precisamos acompanhá-la sem ficar doido. Essa semana mesmo que passou, eu quase fiquei doido com TANTO lançamento no mundo latino e fora dele, que salvei tanta coisa no meu Spotify que até agora não sei por onde começar a ouvir. Precisamos aprender a nos programar pra tudo nessa vida, e por que pra ouvir música não?

Uma dica:

Cada dia da semana, ouça um álbum diferente ou separe uma playlist pequena pra ir ouvindo durante o dia, seja em casa ou no caminho do trabalho. Assim você vai ter mais tempo de apreciar os sons dos artistas que você mais gosta e não vai ficar perdido, ou com lançamentos atrasados (gente regrada é assim mesmo, tipo eu/risos).

Bom, por hoje é só, deixo com vocês uma música da Lucero, que, me faz lembrar um pouquinho dessa época que contei pra vocês.

Besos de lentejuelas!

Comentários

comentários

Ver também

Ermal Meta vai lançar novo single e edição deluxe de Vietato Morire

Ermal Meta: single com Elisa e deluxe de Vietato Morire em novembro

Faz pouco mais de um mês que Ermal Meta lançou o clipe de Voodoo Love, …

X