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Noi Siamo Infinito, de Alessio Bernabei, é a canção que mais sobe posições entre Sanremo e YouTube
Noi Siamo Infinito, de Alessio Bernabei, é a canção que mais sobe posições entre Sanremo e YouTube

Festival de Sanremo 2016 reloaded

Olá, leitores do LatinPop Brasil!

No início do ano, vivemos mais uma ótima edição do Festival de Sanremo, com diversas canções de altíssima qualidade na disputa pelo título musical. Oito meses se passaram, e não tenho dúvidas: a maioria das pessoas não deve nem lembrar a música que venceu a competição, e quem lembra dificilmente saberá cantar algum trecho dela. Eu mesmo, um fanático por tudo que vem da Itália, sei que o troféu ficou com Un Giorno Mi Dirai, da banda Stadio… mas não sei cantá-la.

E isso não é demérito algum para o Stadio. Na verdade, é algo bastante comum, até. Ainda em fevereiro, escrevi uma coluna que explicava exatamente isso: alcançar sucesso em Sanremo não significa alcançar sucesso nas paradas musicais (e vice-versa). E, via de regra, isso já é previsto (e esperado) pelos participantes. Alguns artistas que vão ao festival almejam o troféu – e “só” isso. Enquanto isso, outros buscam usar a alta audiência da TV para divulgar seus singles e torná-los hits, independentemente do resultado que tenham na competição.

Destes dois objetivos que os artistas costumam ter no Festival, um foi completamente definido em 13 de fevereiro: o troféu ficou com o Stadio, e isso não se discute, nem se contesta. Já o segundo objetivo possível, o de fazer seu single extrapolar os limites do concurso e virar um hit das paradas musicais, é mais subjetivo. Como definir este sucesso posterior?

O método

Tentando encontrar uma resposta, o Ahh… Itália repete um exercício que fez em 2015: criar um ranking das canções que competiram neste ano, ordenando-as de acordo com o número de visualizações que seus videoclipes oficiais (no caso da Noemi, há dois) têm no YouTube.

Aqui, cabe um comentário, que já fiz ano passado. Certamente, esta não é a única maneira de mensurar o sucesso posterior de uma música – pensar na vendagem é uma outra metodologia possível, por exemplo. Mas a contagem do YouTube é, convenhamos, um modo prático e direto de traduzi-lo em números (em teoria, uma canção mais popular será acessada mais vezes).

Os resultados

Há um tipo de canção que eu costumo chamar de “canção de festival”. É aquela música que é criada para chamar a atenção dos ouvintes logo na primeira escuta (seja pela classe, pela extravagância, pela exigência vocal do intérprete ou por ter um impacto imediato no ouvinte), mas que não tem o mesmo efeito a longo prazo – ou seja, ganha votos, mas não toca nas rádios. Posso citar cinco artistas que, a meu ver, foram a Sanremo com este tipo de obra. São eles: Stadio, Caccamo e Iurato, Noemi e Elio e le Storie Tese.

Por outro lado, há o single mais típico. É aquele que claramente tem potencial para virar um mega hit, mas que, em um festival, causa estranheza. Pense, por exemplo, em como seria o Naldo cantando Amor De Chocolate em um Festival da Canção. “Vodka ou água de coco” é perfeita para tocar nas rádios – mas não caberia em um festival mais tradicional. Em 2016, Rocco Hunt, Alessio Bernabei e Dear Jack foram exemplos exatos de artistas cujas canções são radio-friendly, mas foram “estranhas no ninho” em Sanremo.

A comparação entre o ranking do YouTube e o resultado oficial de Sanremo atesta, com bastante clareza, todos os exemplos citados acima. As “canções de festival” de Stadio, Caccamo e Iurato, Noemi e Elio e le Storie Tese vão muito pior no YouTube do que foram no festival. E os singles “estranhos no ninho” de Rocco Hunt, Alessio Bernabei e Dear Jack fazem o caminho oposto, obtendo resultados muito melhores na Internet do que os alcançados na competição.

Mas os grandes destaques desta comparação são Francesca Michielin e Lorenzo Fragola. Os dois provam que, às vezes, é possível combinar os dois objetivos: suas canções foram bem no Ariston, mas também conseguiram um ótimo sucesso posterior. São exceções à regra, mas exceções completamente bem-vindas!

Entretanto, o vencedor da nossa contagem não foi nem a Francesca, nem o Lorenzo – a Francesca bateu na trave, mas não chegou lá. Tivemos, assim como no “Sanremo oficial”, uma (ótima) surpresa: a divertidíssima Wake Up, do Rocco Hunt, é a mais visualizada entre as 20 participantes.

O ranking

Veja, abaixo, como ficou o ranking do de 2016 de acordo com o YouTube. Os dados são de 17 de outubro de 2016:

1. Rocco Hunt – Wake Up – 22.469.227 visualizações (terminou em 9º em Sanremo)
2. Francesca Michielin – Nessun Grado Di Separazione – 22.467.058 (2ª em Sanremo)
3. Alessio Bernabei – Noi Siamo Infinito – 13.058.215 (14º em Sanremo)
4. Clementino – Quando Sono Lontano – 12.847.769 (7º em Sanremo)
5. Lorenzo Fragola – Infinite Volte – 12.693.720 (5º em Sanremo)
6. Stadio – Un Giorno Mi Dirai – 8.530.242 (1º em Sanremo)
7. Patty Pravo – Cieli Immensi – 6.253.551 (6ª em Sanremo)
8. Zero Assoluto – Di Me E Di Te – 4.397.329 (17º em Sanremo)
9. Arisa – Guardando Il Cielo – 4.228.196 (10ª em Sanremo)
10. Giovanni Caccamo e Deborah Iurato – Via Da Qui – 3.533.985 (3º em Sanremo)
11. Annalisa – Il Diluvio Universale – 3.287.537 (11ª em Sanremo)
12. Noemi – La Borsa Di Una Donna – 3.158.527 (8ª em Sanremo)
13. Valerio Scanu – Finalmente Piove – 2.725.424 (13º em Sanremo)
14. Dear Jack – Mezzo Respiro – 2.010.292 (20º em Sanremo)
15. Enrico Ruggeri – Il Primo Amore Non Si Acorda Mai – 1.633.983 (4º em Sanremo)
16. Dolcenera – Ora O Mai Più (Le Cose Cambiano) – 1.540.920 (15ª em Sanremo)
17. Neffa – Sogni E Nostalgia – 1.302.404 (19º em Sanremo)
18. Elio e le Storie Tese – Vincere L’Odio – 941.183 (12º em Sanremo)
19. Irene Fornaciari – Blu – 904.698 (16ª em Sanremo)
20. Bluvertigo – Semplicemente – 57.039 (18º em Sanremo)

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