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Emma sofreu pegadinha de péssimo gosto no Amici
Imagem: Repdoução

“Brincadeira” de péssimo gosto: Emma é assediada por bailarino no Amici

Assédio não é brincadeira. Assédio não é motivo de piada. Assédio não é pegadinha. Assédio não tem graça. Assédio não deve ser tratado como banalidade. Mas foi, pela produção do Amici. Emma foi assediada durante os ensaios para os serale do Amici e isso não é engraçado. 

O Amici é o talent show de maior sucesso na Itália. O programa foi o responsável por lançar artistas como Alessandra Amoroso, Annalisa, Marco Carta, The Kolors e Lele, vencedor da categoria Nuove Proposte do último Festival de Sanremo. De lá também saiu a própria Emma.

O programa é conhecido por pegadinhas, às vezes pesadas, com seus participantes e sobretudo “diretores artísticos”, os cantores famosos que atuam como mentores dos jovens cantores e bailarinos.

Já houve brincadeiras inofensivas, quando Stash fingiu, digamos, problemas estomacais e pedia ajuda desesperado a Elisa. No mesmo ano, 2015, Briga e o bailarino Cristian fingiram ter se machucado feio durante uma partida de futebol. Emma quase foi à loucura, achando que seus dois pupilos não poderiam atuar no próximo show.

Mas tem brincadeira que não tem graça. Tem brincadeira que nem sequer é brincadeira.

Uma pequena explicação aqui: Emma havia anunciado que este ano não coach no Amici. Depois de dois anos, ela se afastaria do programa para trabalhar em seu novo disco. Os times seriam capitaneados por Morgan e Elisa.

Mas a demissão do X Factor não mudou Morgan e ele foi um diretor artístico desastroso para seus “pupilos”. A situação ficou insustentável e a squadra bianca ameaçou abandonar, em massa, o programa. O líder do Bluvertigo foi afastado e Emma chamada, às pressas.

E na última semana, ISSO aconteceu, como mostra o El País, da Espanha. Sim, porque felizmente o vídeo virou notícia fora da Itália.

Errado. Errado. Errado. Muito errado. Da “brincadeira” aos “efeitos sonoros” para aliviar a situação.

A sempre ponderada Maria de Filippi, que empresta seu nome ao programa que comanda há mais de uma década, disse que era “exagero”. Não. Não é.

Emma claramente está incomodada. Pede que a situação não se repita. Não é preciso entender italiano

E se, em pleno, 2017, ainda precisamos desenhar: NÃO É NÃO. Não me toque é não me toque. Não é não. E, mais uma vez, assédio não é brincadeira.

Fico com as palavras de Maria Gabriella Carnieri, presidente italiana da Associação Telefone Rosam que se dedica à proteção das mulheres.

“Essa ‘piada’ não faz rir. E não é só isso. Uma ‘piada’ assim denota uma inaceitável posição por parte dos autores, que sabem que se dirigem a um público jovem. Vocês se perguntaram, queridos autores, que mensagem permance depois de gargalhadas dedicadas a um assédio sexual? Se perguntaram, queridos autores, o que significa ‘normalizar’ comportamentos sexuais explícitos sobre uma mulher que não consente?”

Emma é a artista que dedicou algumas faixas de seu último disco a cantar contra a violência machista e a homofobia. Io Di Te Non Ho Paura é um hino às mulheres. E nas palavras da própria Emma:

“O instinto de sobrevivência te faz escapar de quaisquer pessoas ou coisas que te atormentem”, explica Emma. “Nós escapamos porque temos medo de não ter coragem e de não ter força suficiente para ficar e enfrentar nossos ‘demônios’. Essa é uma história de tomada de consciência de si mesmo, onde o desejo de se liberar da opressão e das prisões da alma é mais forte do que qualquer outra coisa. É não ter mais vergonha de se deixar ajudar, viver, respirar”. 

Chega. Basta. Violência não é piada.

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