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A Contracorriente

Chega! A televisão espanhola zomba do Eurovision e os números provam

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Mirela e Manel Navarro na final do Objetivo Eurovision

Isso não é uma coluna. Isso é um desabafo. E eu peço licença para, daqui, ecoar a indignação de todos os fãs do Eurovision. Sobretudo na Espanha.

Este texto deveria ter sido publicado logo depois da escolha de Manel Navarro para representar os espanhóis em Kiev. Mas a TVE escondeu os resultados.

Esse texto não deveria ser publicado agora, mas a TVE decidiu que em plena semana Eurovisiva era o momento de, finalmente, revelar os resultados da sua final nacional. Mas decidiram. Então aqui vai.

Basta. Já deu. A TVE está zombando do Eurovision e rindo da nossa cara.

Um pequeno contexto. Há três meses Televisión Española deu uma rasteira nos eurofãs: convocou para ser jurado do seu “Objetivo Eurovisión” o radialista Xavi Martínez. Excelente escolha, se não fosse um pequeno porém: Xavi vinha há semanas promovendo Manel Navarro, antes mesmo do anúncio dele como candidato a representar o país. Xavi declarou que Manel deveria ir ao Eurovision.

É como se, no futebol, apitasse uma final de Copa do Mundo entre Brasil e Argentina, um juiz “de casa”. De qualquer um dos lados, brasileiro ou argentino.

E tem mais: em um movimento que irritou ainda mais os seguidores do Festival, a TVE decidiu dar o poder de escolha ao jurado em caso de empate.

Entenderam ou querem que eu desenhe? Acho que não precisa. Mas vale a pena lembrar o papelão que foi o final do show.

Mas vamos lá? Porque isso agora, quando Manel Navarro já está em Kiev? Bom, porque a TVE achou que era hora certa de revelar os votos do público.

1. Mirela, 4.479 votos (2.523 chamadas, 1.731 SMS e 225 votos app).
2. LeKlein, 2.712 votos (1.471 chamadas, 1.105 SMS e 136 votos app).
3. Manel Navarro, 2.109 votos (890 chamadas, 1.095 SMS e 124 votos app).
4. Maika, 1.817 votos (932 chamadas, 844 SMS e 41 votos app).
5. Paula Rojo, 935 votos (653 chamadas, 262 SMS e 20 votos app).
6. Mario Jefferson, 535 votos (291 chamadas, 240 SMS e 4 votos app).

Mais do que o dobro de votos. Um jurado claramente parcial.

Chega TVE, já deu.

Vai pra casa e desiste do Eurovision.

Ou apaga tudo e recomeça. Demitam a senhora Toñi Prieto, chefe de entretenimento e o senhor Federico Llano, chefe de delegação. São eles os responsáveis pela vergonha. E pelas vaias a Manel Navarro ontem em Kiev.

Llano, aliás, fugiu. Disse que por “questões pessoais” não estaria este ano como Head Of Delegation. Este ano. Ano que vem ninguém duvida que ele volte. E continue a pagar mico ao redor da Europa (eurofãs sabem do que eu tô falando).

Que fique claro: a música da Mirela era bastante medíocre. Do It For Your Lover era a (menor pior) melhor das opções.

E o Manel não tem culpa nisso. Ele não é a vítima, mas também não é o vilão. Ele já disse: não era nessas condições que ele queria ir ao Eurovision.

Os culpados são a TVE e a Sony Music, que submeteu seu artista revelação a isso.

Ora, se TVE e Sony queriam tanto que Manel fosse a Kiev, que fizessem uma escolha interna. Não há vergonha nenhuma nisso. “Ah, mas ele não era conhecido o suficiente pra isso”. Foi a desculpa que deram para não escolher Ruth Lorenzo internamente em 2014.

Mas e daí? A TVE não seria a primeira e nem a única emissora a fazer isso. E não há nada de errado. Errado é armar um circo e submeter o público a isso. O público e um moleque de 20 anos, que, de verdade, está fazendo um trabalho excepcional de divulgação.

Mas deu TVE. Deu.

Muita boa sorte a Manel no sábado. Ele vai precisar. Ele merece.

Mas para a TVE… Pffff. Melhor nem falar.

A Contracorriente

O OT 2017 é a melhor coisa que aconteceu na música da Espanha este ano

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O OT 2017 é a melhor coisa que aconteceu na Espanha este ano.

Que me perdoe o Pablo Alborán e seu genial Prometo, mas a melhor coisa que aconteceu na música da Espanha em 2017 foi a volta do Operación Triunfo. Aliás, o OT 2017 é o melhor acontecimento no entretenimento da Espanha.

(Disclaimer: Eu podia explicar aqui a importância do OT na minha relação com a música latina. Ainda o farei. Mas tem tanta coisa para falar que vamos direto ao ponto. Disclaimer 2: editorial escrito sem muito planejar. Prepara que vai virar textão!)

Quando a TVE anunciou a volta do programa, não teve fã saudosista que não comemorasse. O OT foi um fenômeno cultural que marcou a virada no milênio da Espanha e todo mundo pensou que jamais se repetiria. Atenção ao “pensou” e ao “repetiria”. Porque é o que começa a se desenhar.

Veio então a desastrosa Gala 0. Assim, desastrosa mesmo. Das 18 performances, poucas se salvaram. O resultado foi ainda pior: o brasileiro João, cheio de potencial, foi mandado para casa. Juan Antonio, que deixou Pasos de Cero inaudível (clique por sua conta em risco), ganhou passe livre para a Academia.

Foi uma decepção geral. Será que trazer o OT de volta teria sido mesmo uma boa ideia? Bom, claramente a resposta é sim. E me desculpem se não há um porquê. São vários “porquês”, alguns deles até difíceis de se explicar.

Os triunfitos são o primeiro “porquê”. Existe uma mágica em cada um deles, um algo especial e diferente na maioria. Quase uma inocência. À exceção do veterano Ricky (31 anos, já eliminado) e de Cepeda (28), a maioria ali tem 18, 19 20 e poucos anos. Eles sabem e sentem as consequências, mas eles não viveram o fenômeno do Operación Triunfo 1, então estão ali quase “frescos”.

Aliás, sabe essa mágica? Então. Existe e é real. A favoritíssima Amaia é uma máquina geradora de memes, capaz de falar besteiras hilárias na velocidade da luz. Incluindo dizer que precisava ir ao banheiro 30 segundos antes de sua performance.

Sim. Ela realmente o faz.

Alfred é um jovem músico barcelonês com uma alma do século passado. Ele e Amaia, aliás, são “algo”. Tem algo. “Almaia”. Se é que me faço entender. E é deles aquela que é, para muitos, a melhor performance da história do OT em todos estes 16 anos. Duas vozes. Um piano. Magia. City Of Stars.

Aitana foi um desastre na Gala 0. Mas um desastre colossal. Hoje ela completa o trio de favoritos graças a uma personalidade deliciosa, uma voz particular e o claro potencial de ser a maior estrela discográfica deste OT. Aitana será, ganhando ou perdendo, a nova estrela do pop que a Espanha hoje não tem.

Cepeda é um cara difícil. Uma vez apaixonante, mas um escudo quase impenetrável. Ele tem uma dificuldade descomunal de lidar com o que sente. Pouco a pouco ele quebra essa barreira (menção especial a uma aula essa semana com os Javis – de quem já já eu falo). E se quebrar de vez, fica imparável.

Ana Guerra (ou melhor, Ana War) é outra máquina de memes. É cheia das caras e bocas. Mas é a triunfita que mais cresceu até aqui. Antes candidata em potencial a todas as “nominaciones“, ela virou um espetáculo no palco.

Roi é um talento que demorou a desabrochar, mas que tem se revelado um grande músico (desprezado por professores e jurados), diga-se de passagem. Depois de semanas sem personalidade, Raoul emocionou todo mundo com uma versão particular de A Million Reasons. O mesmo para Mireya e a sua Cuando Nadie Me Ve. Nerea é uma princesinha Disney. Miriam é ame-a ou deixe-a.

Cada um tem algo. Maior ou menor. Mas tem.

Porque esse vídeo? Porque esse OT é uma Revolución Sexual real. Não há pudores ou assuntos proibidos. Tudo o que é polêmica na Espanha católica, comandada por um partido conservador, na Academia é tratado com naturalidade. Sabe aquele pinguinho de esperança de um mundo melhor? É sério.

A já eliminada Marina é bissexual. Seu namorado, Bast, um rapaz transsexual. A tranquilidade com o que ela contou isso para os companheiros desde o princípio é aquilo que a gente quer que seja sempre: normal. Nada de uau, “noooossa”. Viva a representatividade!

Se nada for mudado, uma das performances hoje vai incluir um beijo gay. Ao vivo. Pra todo o país.

Na gala da semana passada, celebrou-se o fato de alguns estarem aprendendo catalão, por pura vontade. (Isso em meio às tensões políticas separatistas). Também brincou-se com o galego (e sapoconcho, galego para tartaruga, é uma piada coletiva na Espanha).

Diferente neste OT mesmo só a relação com a internet, o maior dos acertos da produção. Como você isola 16 jovens em plena era das mídias sociais? É simples: você isola eles do mundo, mas não isola o mundo deles. Todos os triunfitos têm um celular na Academia para publicar livremente no Instagram. Por uma rede interna, eles publicam mas não podem ler nada.

Some isso ao live diário da Academia. Se nas primeiras edições os espanhóis pagavam por um pay-per-view do Operación Triunfo, este ano o directo acontece no Youtube, para quem quiser ver. A transmissão começa no despertar dos triunfitos e vai até o jantar deles. Em qualquer horário do dia, há 12 mil pessoas acompanhando. Para os “grandes momentos” da semana (“reparto de temas” ou ensaios gerais), são sempre mais de 40 mil, não importa o horário.

Aliás, meu Spotify anda abandonado “graças” ao live do OT. Passo o dia ouvindo as aulas. Culpa nenhuma.

E sim, esse texto já está gigante. Mas não dá para não falar nos Javis. Aka os atores Javier Ambrossi e Javier Calvo.

Nem peço desculpas a Ángel Llacer para falar: os Javis são os melhores professores de interpretação que o OT já teve. Acompanhar as aulas deles são uma aula de vida para qualquer pessoa. A gente chora, a gente ri, a gente aprende a si mesmo. Eu (e todo mundo!) só queria os Javis guiando a minha vida. De cada aula sai uma lição.

Assim como esse OT, os Javis são difíceis de se explicar. Tem que assistir.

OT 2017 nunca será o Operación Triunfo 1. Jamais. Nenhuma outra edição será. Mas a magia definitivamente está de volta. O mercado discográfico já está sentindo (é só ver as listas de Spotify e iTunes!) e vai ter espaço pra muitos deles.

España se ha vuelto loca do Alejandro Parreño no Documentário definitivamente está acontecendo de novo. Só que agora mais tecnológico.

Ok. Agora esse texto realmente está grande demais. É o que acontece quando a gente escreve de coração.

Com certeza tem muita coisa que eu não falei e que mereceria ser mencionado. Mas magia a gente não explica, a gente sente. E tenta passar para os demais.

Obrigada OT. Gracias OT.

(Só arrumem uma rehab pra quando o programa acabar. Não vai ser fácil lidar com a abstinência.)

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A Contracorriente

A Notte Magica do Il Volo em São Paulo foi mesmo mágica

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O Il Volo está no Brasil para 5 shows da sua Notte Magica Tour

Tem alguns artistas que acompanham a história do LatinPop Brasil. O Il Volo é um deles. A gente estreou (oficialmente) o site às vésperas do Festival de Sanremo vencido por Piero Barone, Ignazio Boschetto e Gianluca Ginoble. Depois vieram o Eurovision, o EP Sanremo Grande Amore, o disco L’Amore Si MuoveGrande Amore, o DVD Live From Pompeii e, mais recentemente, Notte Magica. 

Teve o cancelamento de uma visita promocional em 2015 e o show de 2016. (Quase) teve um show no Allianz Parque com a Mariah Carey, também cancelado. E já que não teve show, teve uma visita promocional na mesma época, com direito a entrevista aqui para o LatinPop Brasil e uma participação hilária no Altas Horas. E agora tem a turnê Notte Magica. Sim. Teve coisa pra caramba. E ainda assim eu consigo escolher um momento favorito.

Ele aconteceu instantes antes da entrevista que a gente fez o Il Volo, no final de 2016. Os rapazes pediram um instante para descansar uns minutinhos e nós aguardávamos a poucos metros deles. Do nada, Gianluca começa a cantar, a capella mesmo, Can’t Stop The Feeling, do Justin Timberlake. Não teve como não cair na gargalhada.

Longe das câmeras e no tempo privado, eles eram os mesmos moleques que se mostram quando acendem as luzes. Aquele era o Il Volo de verdade. O mesmo Il Volo que a gente vê no palco. O mesmo Il Volo que fez a gente rir várias vezes durante a entrevista.

O mesmo Il Volo, que mesmo em um show recheado de clássicos dos Três Tenores, caiu na gargalhada várias vezes. E fez o público rir junto. E que me desculpem Gianluca e Piero, mas nessa hora o show do Il Volo vira show do Ignazio. Dispensa explicações, aperte o play.

O público do Il Volo ontem, é verdade, era bem diferente daquele de 2016. Se no ano passado o Espaço das Américas era um misto de gerações, na noite de ontem a média de idade era maior. Um reflexo direto de um setlist mais clássico, talvez. E se alguém desistiu de ir por causa disso, sinto muito, perdeu um show espetacular.

Acompanhei o show com o Kaio, colunista aqui do LatinPop Brasil. Ele pouco conhecia dos meninos. Ver a surpresa dele a cada nota (aliás, a cada looooooooooooonga nota) era sensacional. Mostra do talento do trio e da orquestra brasileira que os acompanha durante os shows aqui. Shows meticulosamente desenhados para impressionar.

Se o setlist não permitia que o público cantasse junto (afinal, acompanhar as notas de Nessun Dorma é tarefa para profissionais), ver as pessoas enxugando lágrimas por aqui e por ali compensa. Não era um show para “pirar”. Era um show para admirar.

Confesso que eu preferia poder cantar junto, como fiz em 2016. Não por isso saí de lá menos impressionada, como fiz em 2016. Muito pelo contrário. A falta de expectativa me deu uma rasteira e fiquei até mais encantada. Até porque no final do show teve um mini setlist “para mim”, Il Mondo, Una Canzone Per Te e, claro, Grande Amore.

Já me bastou. Não tem jeito, prefiro o Il Volo mais pop. Pura questão de gosto musical.

E somente aumentou as expectativas para o “novo” Il Volo que deve chegar com o novo disco. “Vocês nos verão o como nunca viram“, disse Ignazio ao LatinPop Brasil em julho. Ao que tudo indica, será um disco ainda mais pop que L’Amore Si Muove / Grande Amore.

Que venha logo. De preferência, que venha logo de novo ao Brasil. Porque a Notte Magica foi mesmo mágica.

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